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Metrô de SP | Metroviários indicam greve para dia 02. Unificar a luta com terceirizados e a população!

O indicativo de greve para o dia 02 é uma resposta a diversos ataques da empresa que busca precarizar as condições de trabalho, atacar salários e adicionais e fechar as bilheterias, ameaçando empregos e piorando ainda mais a qualidade dos transportes, avançando na privatização do metrô. Além disso, o metrô apresentou proposta de participação nos resultados que privilegia as altas chefias cujo trabalho justamente é criar as condições e implementar os ataques privatizantes de Doria.

domingo 30 de janeiro | Edição do dia

Foto: Sindicato dos metroviarios

Os metroviários de São Paulo, em assembleia híbrida realizada entre os dias 27 e 28 de janeiro, aprovaram indicativo de greve para o próximo dia 02 contra diversos ataques privatizantes do governo Doria. A categoria rechaçou a proposta absurda da companhia de valores referentes à participação nos resultados (PR) cujo cálculo privilegia as altas chefias com dezenas de milhares de reais, claramente um prêmio/estímulo para continuarem seu trabalho de desmonte e entrega da empresa para a iniciativa privada, enquanto os trabalhadores que estão na linha de frente trabalhando durante toda pandemia recebem 10x menos que o alto escalão da empresa.

Os trabalhadores também reivindicam isonomia salarial frente a enorme discrepância existente entre trabalhadores que exercem a mesma função, assim como o pagamento de “steps” atrasados (progressão salarial anual por cargo), o pagamento de valores descontados indevidamente dos trabalhadores da manutenção referentes a campanha salarial de 2021, contratação de mais trabalhadores frente a diminuição drástica no quadro dos últimos anos e lutam contra o fechamento das bilheterias, em curso pelo governoDoria, que vai jogar centenas ou milhares de terceirizados na rua e precarizar ainda mais as condições dos transportes.

A categoria também aprovou a manutenção da retirada de uniforme da operação e manutenção e o uso de adesivos contra com os dizeres “Mais investimento menos tarifa, metrô pague os que nos deve” como forma de protesto e a realização de reunião setoriais unificadas da segurança para avaliar a retirada de uniforme nessa área.

Doria, eleito como Bolso Doria, que busca se colocar como oposição de terceira via ao governo federal, vem aproveitando a onda de extrema direita de Bolsonaro para atacar os trabalhadores e os direitos da população e avançar em seus planos de privatização e precarização do trabalho. Seguindo o trabalho de seu antecessor e ex-tucano Gerando Alckmin, terceirizou as bilheterias e vem avançando na terceirização de áreas como a manutenção, logística e serviços promovendo ao mesmo tempo o enxugamento do efetivo da empresa que há anos não tem contratação, sobrecarregando por um lado os efetivos e substituindo-os paulatinamente por terceirizados precarizados e sem quase nenhum direito.

A proposta de pagamento da PR do ano de 2019, apresentada nesta semana pelo metrô foi um tapa na cara da categoria. Uma provocação que propõe uma divisão desigual dos valores que molharia as mãos de altos cargos de chefia com dezenas de milhares de reais justamente para garantir, a título de premiação, a lealdade desse setor aos planos privatistas do Doria de ataque aos trabalhadores e à terceirização e entrega à iniciativa privada. Os metroviários defendem que o montante a ser pago à categoria seja dividido de maneira igualitária entre todos os funcionários para acabar com os privilégios das altas cúpulas e que esses valores sejam incorporados aos salários para que deixe de ser um ítem de barganha nas mãos da companhia.

O plano de fechamento das bilheterias do metrô que vem sendo implementado por Doria desde outubro do ano passado e que tem como perspectiva encerrar totalmente as atividades até 12 de fevereiro fazendo valer um dos grandes trunfos da terceirização que é a ausência total de estabilidade no emprego, Doria pretende jogar centenas ou até milhares de terceirizados na rua com a desculpa de economizar 100 milhões de reais por ano que serão retirados dos bolsos de cada uma dessas famílias que dependem destes empregos precários para sobreviver.

Enquanto Doria e a empresa falam cinicamente em economizar, no ano passado o governo repassou 1 bilhão de reais para seus amigos empresários da CCR, que dias depois foi a grande ganhadora de licitação de mesmo valor, arrematando a concessão de duas linhas da CPTM por 30 anos.

O processo de privatização do metrô afeta tanto metroviários,sejam eles efetivos ou terceirizados, quanto a população trabalhadora que depende desse transporte e que ainda sofre com a ameaça tanto do governador quanto do prefeito Ricardo Nunes de aumento de mais de 15% no valor das passagens ainda esse ano para repor as perdas inflacionárias dos grandes empresários dos transportes.

Por isso, Nós da Chapa 4 Nossa Classe acreditamos queé necessário que os metroviários incorporem fortemente e defesa incondicional dos postos de trabalho dos terceirizados das bilheterias e as demandas populares pelo não fechamento das bilheterias, contra o aumento das passagens e por transporte de qualidade para atrair o restante de nossa classe para o nosso lado criando um arco de solidariedade operária que poder fortalecer a classe de conjunto contra os ataques que sofremos de conjunto de Doria e as patronais.

Contra o fechamento das bilheterias e a demissão de milhares de terceirizados, partindo da defesa da manutenção dos postos de trabalho, é fundamental nos apoiarmos na resolução do último congresso dos metroviários, que aprovou a defesa de incorporação de todos os terceirizados ao quadro efetivo da companhia, com iguais direitos e salários e sem a necessidade de prestarem concurso público, pois já provam na prática do dia a dia o trabalho que realizam. Essa defesa é fundamental para combater pela raiz a terceirização e apontar uma saída para o restante da classe que tenha capacidade de superar as divisões entre os trabalhadores imposta por governos e patrões, como é a terceirização, e apontar para uma luta conjunta contra os planos capitalistas de destruição dos direitos.

Os ataques de Doria no Metrô são parte de um plano maior que contempla a privatização das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM (agora operadas pela consórcio Via Mobilidade, que já opera as linhas 4 e 5 do metRô de SP), as reformas da previdência e administrativas aprovadas no estado, o aumento das passagens e a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores. Por isso é tão escandalosa a passividade das burocracias sindicais que compõem majoritariamente as direções desses sindicatos, não batalhando para unificar os trabalhadores dos transportes e distintas categorias contra todos esses ataques.

E mais escandalosa ainda, é a trégua operada pelas principais centrais sindicais do país, como a CTB/PCdoB e a CUT/PT, ambas parte da chapa 01, majoritária na diretoria do sindicato dos metroviários. Trégua essa que visa controlar e subordinar as lutas dos trabalhadores aos interesses meramente eleitorais de ambos os partidos em torno da chapa Lula/Alckmin para a presidência em 2022. Cumprem a tarefa, dentro dos acordos com setores da burguesia que Lula busca dialogar, de manter os trabalhadores divididos e imóveis, sem lutas ou greves para garantir a paz social necessária e atender aos seus interesses políticos de um projeto lulista ainda mais à direita que se alia a inimigos da classe trabalhadora, como Alckmin, o que vai abrir caminho e fortalecer mais uma vez a direita.

Os metroviários demonstraram sua disposição em não aceitar mais ataques com a forte adesão à retirada de uniforme e a expressiva votação a favor das medidas de luta na última assembleia. É preciso fortalecer as medidas de mobilização já votadas em nossa assembleia e a partir das setoriais e reuniões de base, discutir um plano de lutas unificado contra a retirada de direitos, pelo pagamento dos Steps e de nossa PR, contra o fechamento das bilheterias e a ameaça de demissão em massa dos terceirizados, contra o aumento das passagens e cimentando uma unidade capaz de fortalecer o conjuntos dos trabalhadores e do povo contra nosso inimigos comuns.




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