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CONUNE | Mesa do Conune para discutir estaduais conta com a presença de maioria de reitores

Tendo como tema O projeto de desmonte das universidades públicas nas instituições estaduais, a live organizada no Congresso Extraordinário da UNE se configurou como um espaço no qual somente os reitores das universidades tiveram direito à voz. Justamente aqueles que levam à frente o projeto privatista nas universidades.

sexta-feira 16 de julho | Edição do dia

O projeto de precarização da Educação em curso no país afeta tanto o nível básico, quanto superior de ensino. Os reflexos dessa política privatista, que se aprofundou com o governo Bolsonaro e a crise econômica e sanitária atual, se expressam na possibilidade de fechamento das federais e na falta de investimento e cortes nas estaduais. Com efeito, em centros de excelência como a USP, estudantes da moradia universitária se suicidam pela falta de infraestrutura, ao mesmo tempo em que os trabalhadores das universidades enfrentam a terceirização e o plano de demissão voluntária, imposto pela reitoria.

Essas questões colocam na ordem do dia a realização de debates sobre o tema, para auto-organizar os estudantes. Porém o debate de ontem, composto majoritariamente por reitores das universidades, passou longe de cumprir esse papel, à medida que seus protagonistas foram justamente os mesmos que aplicam as medidas que condicionam as universidades aos interesses da elite econômica. Não houve qualquer debate profundo sobre o papel das direções no momento atual. A luta dos estudantes foi reduzida a uma batalha institucional na qual setores que foram parte de pavimentar o caminho para eleição de Bolsonaro, como é o congresso, é quem devem determinar se vão colocar Mourão, um militar racista, no lugar do presidente.

A situação da USP e de outras universidades são resultado da crise atual, cujos efeitos catastróficos são jogados sobre as costas dos trabalhadores e da juventude que são cada vez mais explorados e oprimidos. O congresso extraordinário convocado pela UNE, nesse sentido, deveria cumprir um grande papel pela auto-organização, frente aos desafios que estão colocados nesse momento, em que literalmente ocorre um grande desmonte da educação combinado à catástrofe sanitária. No entanto, desde o começo, o congresso chamado às pressas e sem construção tem sido feito de forma anti-democrática, sem permitir que os estudantes decidam os rumos do movimento estudantil, que só têm direito a pequenas falas nos pequenos GTs organizados que não têm caráter encaminhativo.

Ainda sobre a mesa de ontem, é preciso destacar que sua composição não foi uma exceção e que também não é um mero detalhe. A presença somente de reitores, ao mesmo tempo que expressa o caráter anti-democrático do espaço que deveria organizar os estudantes contra Bolsonaro, Mourão e os militares, serve também para legitimar a atuação das reitorias e de toda estrutura de poder das universidades. Todo o espaço esteve à serviço de reduzir os problemas enfrentados no campo da educação a um projeto de governo ou a algo conjuntural, a fim de reivindicar uma frente ampla contra Bolsonaro, que literalmente consistiria em fazer os estudantes confiarem em setores como o MDB ou a REDE, que foram responsáveis também por aprovar várias medidas contra a vida e a educação. Esses setores foram os mesmo que votaram a favor do golpe institucional que abriu espaço para aprofundar a agenda econômica neoliberal que já estava sendo aplicada desde os governos petistas e que, inclusive, já afetavam a produção científica nas universidades. Os reitores chamados para discutir os caminhos da universidade são os mesmos que assinam parcerias público-privadas dentro dos centros de ensino, abrindo espaço para passos largos em direção à privatização do ensino, ao mesmo tempo em que possibilitam que o conhecimento da universidade esteja à mercê dos grandes empresários, e não dos trabalhadores e da juventude.

A oposição de esquerda, por sua vez, não faz uma crítica séria contra o nível de burocratização e adaptação da direção da UNE, a começar pelo PSTU, que apesar de ter composto a mesa ao lado dos reitores, em nenhum momento deu essa luta pela democratização dos espaços do Conune, muito menos travou críticas sérias à direção, composta majoritariamente pela UJS, juventude do PCdoB. Escancara-se o caráter adaptado da esquerda em relação às saídas institucionais que o Conune e a esquerda de conjunto apresentam agora, que é uma frente ampla em conjunto com setores da direita, como Kim Kataguiri, pelo impeachment de Bolsonaro, passando por fora de qualquer saída de classe.

Os problemas enfrentados pela educação são reflexo direto da relação intrínseca entre educação e economia. O currículo e o investimento remontam ao sujeito que se quer formar para um tipo de sociedade. Com a crise em curso e com uma economia dominada pelo agronegócio, o que se coloca justamente é que uma luta consequente para acabar com o desmantelamento que afeta a área, por isso essa discussão não pode passar por fora de uma batalha contra a atual estrutura de poder das universidades combinada a uma luta contra o regime político de conjunto que leva à frente a agenda econômica neoliberal. Precisamos lutar por uma universidade pública e de qualidade, mas que não deixe de fora centenas de milhares de jovens todos os anos, principalmente pobres e negros, como temos hoje. Nosso programa precisa ser pelo fim do vestibular, com bolsas sem contrapartida para que todos tenham direito pleno à educação de qualidade.

Foi nesse sentido que a Faísca Anticapitalista e Revolucionária interviu nos espaços restritos do Conune ontem: a luta dos estudantes é um enorme desafio que exige a verdadeira auto-organização desse setor, diferente do que o atual congresso tem feito. Cada vez mais aponta a necessidade de superação à esquerda das direções atuais. Justamente por isso fazemos um chamado à oposição para uma plenária que de fato discuta como organizar os estudantes com várias assembleias pelo país, sem confiança nas burocracias universitárias e em setores da direita que tentam se apresentar com o discurso democrático. E não que se organizem em volta de uma pauta institucional, como é o impeachment, desgastando Bolsonaro para abrir espaço para Lula em 2022, em uma frente ampla com a direita que inclusive são os primeiros a atacar os estudantes e a educação pública. Precisamos organizar, a partir das entidades, os estudantes contra Bolsonaro, Mourão e os militares, mas sem nenhuma confiança em setores da direita e muito menos nas instituições, como faz a UNE ao chamar para debater a universidade apenas reitores. Por outro lado, temos que ser ofensivos contra governadores como Dória, que nas estaduais de São Paulo não exita em assinar ataques contra os estudantes, enquanto faz demagogia como “opositor” de Bolsonaro.

Precisamos tomar a universidade nas nossas mãos, para que estejam a serviço dos trabalhadores. A única forma de derrotar Bolsonaro é sendo também contra Mourão e os militares, diferente do que defende a tese do Impeachment. Para barrar os ataques, os estudantes têm que estar em unidade com a classe trabalhadora, construindo uma greve geral, diferentemente do que a UNE leva à frente agora, chamando dias separados de luta.

Veja a tese da Faísca para o Conune: "Transformar nosso ódio em revolução! Fora Bolsonaro e Mourão"




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