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Transporte Público Poa | Melo dará R$ 60 milhões para os empresários seguirem demitindo e sucateando o transporte

Na segunda-feira, 20 de junho, o prefeito de Porto Alegre, o bolsonarista Sebastião Melo (MDB), informou em um evento público no SEST/SENAT, que só em 2022 o setor privado de ônibus receberá 60 milhões de subsídios do cofre público municipal. Sem o menor constrangimento, Melo fez essa informação, sem o receio de ser identificado como o gerente que cuida dos interesses dos empresários de ônibus através do balcão da prefeitura, que ele formalmente prometera assumir para defender os interesses públicos. A verdade é que Melo governa para defender os interesses dos empresários de ônibus de Porto Alegre, ou seja, assegurar uma operação do sistema de transporte coletivo com a garantia de manutenção da margem de lucros.

terça-feira 21 de junho | Edição do dia

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Os barões do transporte jamais correm riscos, só tiram seus ônibus das garagens quando for pra manter ou elevar seus lucros. Exemplo recente disso foi no auge da pandemia, de 2020 a 2021, os empresários do setor privado reduziram o horário dos ônibus e extinguiram linhas, deixando a população nas paradas e para a empresa pública Cia Carris a missão de operar com prejuízo durante toda a pandemia. Tudo isso agravado pelo comércio paralisado, queda de passageiros e colapso econômico.

Esses empresários nunca faturaram tanto sem produzir ou oferecer serviços para a população da cidade. Os ônibus da empresa pública garantiram o cumprimento da quilometragem e o repasse dos valores para os cofres das empresas privadas. Os sanguessugas do transporte não correram risco algum. Para aumentar sua tranquilidade usaram a MP do layoff, a 936, decretada pelo governo Bolsonaro para descobrir os trabalhadores dos direitos mínimos assegurados pela CLT, liberando empresários para dispensarem empregados pelo tempo que julgassem necessários, sem pagamento de salários e vale alimentação, e congelando esse período para cálculo de tempo de trabalho, aposentadoria e depósito de fundo de garantia.

Não bastasse todo esse apoio dos governos, a prefeitura, na gestão Marchezan, aprovou repasses de R$16 milhões dos cofres da prefeitura, usado em sua maioria para pagar as indenizações das centenas de demissões que as empresas privadas executaram em plena pandemia.
Melo segue a tendência dos governos de extrema direita, assegurando subsídios para os capitalistas sem contrapartida sequer de manutenção dos postos de trabalho. Enquanto o prefeito oferece proteção para os barões dos ônibus, ele usa da demagogia de que precisa diminuir o custo da tarifa de ônibus e ataca rodoviários: com a demissão e extinção do cargo de cobrador, da exploração dos motoristas com a dupla jornada e com a aprovação da privatização da Cia Carris, deixando o controle do sistema de transporte nas mãos do setor privado que só tem uma missão que é a de manter seus lucros a qualquer custo.

Para passageiros, trabalhadores e estudantes, Melo também tem seu pacote de ataques, que é o de extinção de isenções já previstas na licitação de ônibus de 2016, na quase extinção do meio-passe estudantil atacando estudantes já precarizados no seu direito de estudar, na extinção de linhas e fusões arbitrárias prejudicando o deslocamento dos trabalhadores e estudantes da cidade, na permissão do envelhecimento da frota de ônibus e no visível sucateamento acarretando no não cumprimento de horários e tabelas, com consequência da oferta de serviço com ônibus velhos, com manutenção precária e superlotados.

Para enfrentar esse conjunto de ataques, precisamos, com a força da luta, com a unidade de rodoviários das empresas privadas e da Carris, exigir a abertura do livro de contas do cálculo da tarifa que vai evidenciar que os empresários operam com garantia de lucros a custo de sufocar o sistema de transporte precarizando a vida de rodoviários e passageiros. Defender um sistema de transporte 100% público com controle operário, denunciar a submissão do sindicato dos rodoviários à vontade dos empresários, ao boicote das suas burocracias a qualquer tentativa de organização da base para lutar contra esses ataques. Denunciar os ataques do governo Bolsonaro e seus apoiadores contra os trabalhadores, sem ilusão de vias eleitorais que conciliam com a burguesia como a chapa Lula/Alckmin. Precisamos de unidade para construir com o apoio de todas as garagens de ônibus e seus trabalhadores, e com os passageiros: trabalhadores e estudantes um sistema de transporte que atenda os interesses daqueles que realmente necessitam e conhecem a vida diária dentro de um ônibus.




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