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Coronavírus | Medidas irracionais e irresponsáveis diante do “tsunami” de contágios nos EUA e Europa

Os Estados Unidos e Europa vêm notificando números recordes no aumento de contágios diários por Covid-19. Enquanto a variante Ômicron cresce de forma descontrolada e a OMS alerta sobre um “tsunami” de casos, muitos países avaliam reduzir os dias de isolamento sanitário e outras medidas para privilegiar os lucros dos empresários, às custas da saúde dos trabalhadores

Juan Andrés GallardoBuenos Aires | @juanagallardo1

sábado 8 de janeiro | Edição do dia

Os EUA registraram níveis recorde de novos contágios, enquanto os casos também disparam em vários países da Europa. A variante Ômicron já é hegemônica e a OMS alerta sobre um “tsunami” de novos casos.

No entanto, diante desta realidade, vários governos minimizam a gravidade da situação, ignorando as possibilidades de colapso dos sistemas de saúde e reduzindo o tempo de isolamento sanitário exigido para que os trabalhadores voltem ao trabalho após o contágio, priorizando os lucros das empresas acima da saúde da população.

A média de casos nos EUA na última semana atingiu o recorde de 267 mil, segundo o New York Times.

Funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiram que a variante Ômicron ainda pode debilitar e levar ao colapso dos sistemas de saúde, apesar dos estudos iniciais sugerirem que a mesma causaria casos mais brandos de Covid-19 do que outras variantes.

A OMS também alertou que a variante Ômicron, junto à persistência da variante anterior, a Delta, está produzindo um “tsunami de novos casos”. Assim sinalizou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral do órgão, nesta quarta-feira, pedindo o reforço das medidas sociais para frear os contágios.

Os índices recordes de contágio, que já chegam a cerca de um milhão de casos diários, “seguirão pressionando os sistemas de saúde à beira de seu colapso, com seus trabalhadores já esgotados”, destacou Tedros na coletiva de imprensa.

Tedros reforçou que, diante do rápido avanço da variante Ômicron, é preciso atentar-se não apenas às campanhas de vacinação, mas também às “medidas de saúde pública” que evitem a saturação dos sistemas de saúde. Apesar desta advertência, são vários os países que começam a sugerir a flexibilização dos dias de isolamento para os contagiados, mantendo abertos os serviços não essenciais e as escolas.

O caso mais emblemático é o dos EUA, onde nesta terça-feira os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) já determinaram reduzir o tempo de isolamento de 10 para 5 dias nos casos de contágio, e a não exigir testes negativados para pessoas assintomáticas (que devem seguir utilizando máscaras por mais 5 dias quando em contato com outras pessoas).

A resolução foi aprovada em meio à pressão dos empresários para manter o funcionamento das atividades econômicas, obrigando os trabalhadores a retornarem rapidamente a seus postos, a despeito de sua saúde e ignorando o risco de contágio a seus colegas de trabalho. Esta pressão é concreta e se evidenciou com a publicação de uma carta da empresa Delta Airlines ao governo estadunidense, na qual é proposto o mesmo protocolo aprovado pelo CDC.

A decisão foi tomada enquanto as hospitalizações no estado de Nova York aumentaram em 647 casos na última terça-feira, na maior alta em um dia desde abril de 2020, e em meio a diversas críticas de cientistas às novas pautas do CDC.

Na Europa, a Grécia adotou a mesma medida de reduzir o isolamento para 5 dias “para não frear a economia”, e outros países estão considerando fórmulas semelhantes.

Com a saturação na disponibilidade de testes, frente ao disparo de novos casos, a maioria dos governos vem responsabilizando a população para não se encarregar do acompanhamento dos casos. Aí se localizam os “auto testes”, ao invés de testes massivos centralizados e garantidos pelo Estado, e as medidas coercitivas que vão desde estados de emergência, militarização, até os passaportes sanitários específicos para trabalhadores, que na prática significam a obrigatoriedade de vacinação diante da ameaça de demissões.

Estas medidas partem de alguns dos governos que recentemente subestimaram a gravidade do vírus, e voltam a fazê-lo agora ao reduzir os dias de isolamento. Dos governos que, por trás da chamada “guerra das vacinas", fizeram publicidade de alguns laboratórios, desprestigiando outros. Dos que, por seu passado colonialista, infligiram medo em populações inteiras com campanhas médicas ou de vacinação abusiva e sem consentimento, como na África, ou em muitos dos povos originários e afroamericanos nos EUA. Também são estes os governos que, durante os dois últimos anos, privilegiaram a economia em detrimento da saúde dos trabalhadores, principalmente os considerados essenciais, que foram obrigados a trabalhar sem condições de segurança, deslocando-se no transporte público lotado, com alto risco de contaminação.

Todas estas ações estão por trás da resistência de uma parte da população em vacinar-se. No lugar de campanhas informativas, centros permanentes de vacinação em locais públicos e vacinas para toda a população, estes governos optam por medidas coercitivas e pela abertura cada vez maior da economia. Um cálculo que só pode ser explicado pela irracionalidade capitalista, que primou desde o início da pandemia.

Por fim, e apesar dos chamados da OMS para que se avance na vacinação a nível mundial, a negativa dos principais países imperialistas e de suas organizações internacionais à quebra das patentes das vacinas, para que possam ser produzidas massivamente e a baixo custo em todos os laboratórios disponíveis ao redor do mundo, é o que está por trás do surgimento de novas variantes. Foi o caso da Delta na Índia e da Ômicron no sul da África.

Estas novas políticas, que flertam com a ideia de uma “imunização de rebanho” (ou seja, de que o contágio massivo vá atenuar os efeitos do vírus), e a baixa vacinação de países inteiros, não apenas na África como também no caso da Índia, onde apenas 42% de uma população de 1,3 bilhão têm as duas doses, pode terminar resultando no surgimento de novas variantes ou, até mesmo, uma nova cepa com resultados imprevisíveis.

Frente a um verdadeiro “tsunami” de contágios, o combate à pandemia dirigido pela irracionalidade capitalista se torna cada vez mais perigoso para toda população mundial.




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