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CONCILIAÇÃO DE CLASSES | Marília Arraes (PT-PE) quer aliança com a direita contra o PSB em 2022

Aprofundando sua política de conciliação de classes, ex-candidata petista quer se unificar toda a oposição, inclusive a oposição de direita, sob o pretexto de tirar o PSB em 2022.

quarta-feira 27 de janeiro | Edição do dia

Durante as eleições municipais do ano passado, vimos como a candidatura de Marília Arraes entusiasmos setores progressistas no Recife, que viam em Marília uma alternativa para combater a extrema direita e PSB. No entanto, cada vez mais Marília vai para o lado oposto e mostra que o pântano da conciliação de classes petista parece não ter limites. Depois de todos os resultados desastrosos da política de conciliação tanto no âmbito nacional quanto nos âmbitos regionais, a ex-candidata à prefeitura Marília Arraes quer “rodar o estado e conversar com todos os atores políticos para formar uma unidade” segundo entrevista que deu segunda-feira à Rádio Folha. Ou seja a estratégia de Marília é se aliar com a oposição de direita nas eleições de 2022. Sob o pretexto de “enfrentar o PSB”, Marília quer se aliar com o que tem de pior na política nacional.

Da nossa parte, não se trata de minimizar o desastre que é a gestão do PSB no estado de Pernambuco e na capital. São responsáveis pelos mais de 10 mil mortos na pandemia, pela imensa desigualdade social que faz de Recife a capital da desigualdade social, por imensos ataques aos trabalhadores como a recente aprovação da dupla função em âmbito estadual, de reprimir lutas dos trabalhadores, de fazer de Pernambuco um dos estados com maiores índices de desemprego do país.

No entanto, os aliados que Marília quer buscar são os maiores defensores das velhas estruturas oligárquicas e latifundiárias, maiores defensores da submissão do Brasil ao imperialismo, foram articuladores do golpe de 2016, de todos ataques advindos daí, como o teto de gastos, as reformas trabalhista e da previdência e muitos desses são apoiadores do presidente Bolsonaro. A única coisa que tem a oferecer ao povo pernambucano são mais penúrias e ataques.

Egressa do PSB criticando seu rumo direitista, como se aliar à direita nas eleições de 2014 e apoiar o golpe de 2016, Marília agora propõe alianças ainda mais espúrias.

Para piorar, Marília reivindica a estratégia de Jarbas Vasconcelos em 1998, que se aliou à direita herdeira da ditadura agrupada no PFL para enfrentar a candidatura de seu avô Miguel Arraes. Essa mesma figura repugnante da política pernambucana, que apoiou Bolsonaro em 2018 e ainda disse recentemente que o governo do presidente teve avanços importantes

Cabe aqui destacar que tal política é apenas o aprofundamento do que Marília praticou em sua campanha, onde chegou, no segundo turno, a se aliar com o prefeito bolsonarista de Jaboatão e com o Podemos, partido lavajatista que no primeiro turno tinha lançado a candidata Delegada Patrícia que era apoiada por Bolsonaro.

Ver também: Resistência-PSOL no Recife: adaptação ao PT e a "frente ampla" de Marília com apoios bolsonaristas

Mais uma vez, o PT mostra como sua política de conciliação de classes só acaba por fortalecer a direita e a extrema-direita. Nesse sentido é cada vez mais perniciosa a decisão do PSOL de apoiar e compor a chapa de Marília Arraes, “contra a extrema direita e o PSB”. Posição que foi impulsionada inclusive por correntes autointiuladas trotskystas e revolucionárias, como a Resistência, que cada vez mais vai mostrando sua deriva estratégica. Torna cada vez mais urgente uma alternativa política que enfrente a extrema direita e o PSB apostando nas mobilizações da classe trabalhadora sem conciliar com a direita, que tenha um programa e uma estratégia de independência de classe. É na construção da alternativa que o Esquerda Diário e o MRT dedicam todos seus esforços.

Ver também: PSOL abre mão de ser uma alternativa independente contra Bolsonaro para apoiar o PT no Recife}




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