Juventude

LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS

“Marchinha” da Maconha brota nos corredores da UERJ

"A marcha ocorreu nesta quarta-feira e, com cerca de 100 estudantes, percorreu os corredores dos doze andares da universidade convocando para Marcha da Maconha que acontecerá no dia 9 de maio em Ipanema."

sábado 2 de maio de 2015| Edição do dia

Com bumbos e palavras de ordem pela legalização da maconha e contra a guerra às drogas, a “marchinha” da maconha, organizada pelo coletivo Marcha da Maconha UERJ, desceu do décimo segundo andar, passando pelos corredores das salas de aula e terminando no Hall do Queijo (térreo). Uma agradável surpresa para os estudantes desta universidade que mantém um convênio com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, e que dentre seus projetos de pesquisa fornece conhecimento de engenharia para produzir os Caveirões que assassinam a juventude negra e pobre nas favelas e periferias.

A principal reivindicação da Marcha é a liberdade aos cultivadores da cannabis sativa e de todas as vítimas da guerra às drogas, denunciando a perseguição e recentes prisões aos cultivadores, empreendida pelo aparelho repressivo carioca, convidando para audiência pública que acontecerá na ALERJ no dia 8 sobre este assunto. O procedimento policial adotado nestas recentes prisões, como historicamente é feito desde que se popularizou o plantio da cannabis sativa para consumo individual, tem sido de autuar os cultivadores por tráfico.

Estas prisões demonstram como o estado é hipócrita ao criminalizar os usuários da maconha com a justificativa de que os consumidores financiariam o tráfico, já que aqueles que cultivam para consumo próprio estão sendo autuados com uma infração mais grave. A interferência do estado, que nos retira o direito de decidir o que fazer com nossos próprios corpos, serve para um punhado de capitalistas lucrarem internacionalmente com o tráfico, esta atividade clandestina altamente rentável, associados aos grupos criminosos, juízes e políticos que recebem sua parte das lavagens de dinheiro, e ao próprio aparelho repressivo, a polícia corrupta que controla a oferta.

E não só os capitalistas do ramo do narcotráfico se beneficiam com o proibicionismo: o Brasil já tem a terceira população carcerária do país, ultrapassando a Rússia, com 22 penitenciárias terceirizadas e tendo inaugurado em 2013 sua primeira penitenciária privada em Belo Horizonte – MG.

A guerra às drogas contribui para este quadro criminalizando consumidores de setores populares, enquanto que a superlotação das penitenciárias beneficia o capitalista do ramo carcerário. E esta mesma população carcerária, que hoje ocupa o terceiro lugar mundialmente, é composta por 47% de presos ainda sem julgamento.

O esquema se reproduz no interior do estado, também estes donos de penitenciária têm seus próprios representantes no bolso, que estão às portas de votar a PEC da redução da maioridade penal, outra lei reacionária que criminaliza a juventude negra e pobre. O mesmo estado que não investe em educação, que abandona a juventude a empregos precários e que não permite que decidamos sobre os nossos corpos, é estado que, seguindo os interesses capitalistas, está prestes destinar a juventude negra e pobre à uma cela.

A legalização de todas as drogas seria um grande golpe tanto aos capitalistas que se beneficiam do assassinato diário da juventude nas favelas e periferias quanto aos seus parceiros capitalistas que se beneficiam com o aumento da população carcerária. Para isto também seria necessário desmantelar o narcotráfico e os esquemas de lavagem de dinheiro, expropriando e nacionalizando seus bens. Para acabar com os massacres da juventude, que acontecem nas favelas e periferias sob a justificativa da luta contra o tráfico, também é necessário dissolver a polícia e os aparelhos de repressão. E esta batalha exige também lutarmos contra o encarceramento da juventude, sobretudo negra, lutando para derrotar o PEC de redução da maioridade penal.




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