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Marcha na Argentina é exemplo de luta contra a LSN

Dedico essas linhas a Olavo Hansen, Edson Luis, Sidney Fix, Honestino Guimarães, Rui Osvaldo Aguiar, Helenira Resende, Luis Eduardo Merlino e a todos os 434 mortos e desaparecidos da ditadura cívico-militar no Brasil. Nos inspiremos na luta argentina, abaixo a Lei de Segurança Nacional!

Rosa Vertov

Estudante de Relações Internacionais na UnB

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

Ontem fez 45 anos do golpe militar, civil e eclesiástico genocida na Argentina. São 30 mil mortos e desaparecidos, são mulheres, crianças, pais de família, trabalhadores, ativistas e militantes - a imensa maioria até hoje, nem mesmo suas famílias puderam enterrar.

A marcha de ontem na Argentina foi exemplo para todos os países que carregam o pesado fardo da herança de ditaduras militares, para todos aqueles que desejam justiça e punição para os torturadores! Milhares de trabalhadores foram à ruas, da Madygraf, da Cerâmicas Zanon, terceirizados da LATAM, lutadores de Guernica, estudantes. Mesmo sem as Mães da Praça de Maio por conta da pandemia - jovens, trabalhadores e militantes da esquerda, de movimentos sociais e de direitos humanos ergueram as bandeiras dessas mulheres que até hoje exigem justiça por seus mortos.

Saiba mais: 45 anos do golpe militar na Argentina: confira o importante ato na Praça de Maio

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Mesmo diante da pandemia, que na Argentina somam-se mais de 2,5 milhões de contaminados e mais de 50 mil mortos, com uma gestão catastrófica de Alberto Fernández: era preciso transformar raiva e angústia em organização, todos os sentimentos de luto e de profunda tristeza - era preciso transformá-los em luta. É preciso organizar, por cada local de trabalho e estudo, a resistência. Esse é um exemplo necessário para o Brasil de hoje.

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Tanto a ditadura militar argentina como a brasileira foram golpes de Estado financiados pelo imperialismo estadunidense na Operação Condor para reprimir, torturar e matar a vanguarda operária e estudantil que lutava contra as mazelas desse sistema podre. A burguesia argentina e brasileira - a mesma Volks, Folha de São Paulo e Globo de hoje - patrocinaram e foram cúmplices. Hoje querem pagar como responsáveis e opositoras à Bolsonaro.

São 434 mortos e desaparecidos, mulheres, crianças, pais de família, trabalhadores, ativistas e militantes - a imensa maioria até hoje, suas famílias também não puderam enterrar seus corpos. São milhares de indígenas assassinados pela ditadura, segundo o Relatório Figueiredo.

Hoje, o ativista e militante do PSOL, Thiago Ávila, foi arbitrariamente preso após denunciar um despejo higienista do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. É um exemplo de que a polícia racista, os métodos arbitrários de coerção e morte da ditadura de ontem continuam vivas na repressão de hoje - nas prisões arbitrárias, na morte da juventude negra, no assassinato político de Marielle Franco, até hoje sem respostas.

A repressão de ontem permanece nati-morta na Lei de Segurança Nacional, um instrumento nojento que está sendo usado como nunca pelo genocida Bolsonaro. Além disso, a justiça determinou que Bolsonaro, os militares e os golpistas poderiam comemorar o golpe militar genocida do dia 1º de Abril. Uma piada de mal gosto e que tem sangue nas mãos. E o sangue també, está nas mãos de todo o Centrão, herdeiro direto da Arena e do MDB - os partidos da ditadura - e que não por acaso foram pilares, junto com o STF, as forças armadas, a Globo e o grande capital financeiro, pelo golpe institucional contra a classe trabalhadora para passar com mais força as reformas que o PT já vinha aplicando. Nenhum deles merece nem um pingo de confiança.

É preciso enterrar toda herança podre da ditadura brasileira. Nos inspiremos na luta argentina: que as centrais sindicais, a CUT e a CTB, rompam com sua paralisia e convoquem um verdadeiro dia de luta pela base, por cada local de trabalho, contra a LSN e por um plano emergencial de combate à pandemia.

Leia mais: Abaixo a Lei de Segurança Nacional da ditadura! Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas

Por isso, nós do MRT e do Esquerda Diário viemos defendendo a necessidade de não confiar em nenhum dos atores desse regime golpista. Para impor justiça, será preciso lutar, sem cair na armadilha do impeachment que seria implorar para Artur Lira colocar Mourão no poder. Precisamos batalhar por uma Assembleia Constituinte livre e soberana imposta pela luta da classe trabalhadora e de todos os oprimidos, que varra para longe a Lei da Anistia para os criminosos torturadores e genocidas, pela abertura dos arquivos das ditaduras, por júris populares e castigo aos responsáveis militares e civis! Contra a impunidade do passado e do presente, prisão comum e efetiva para todos os genocidas! Abaixo a Lei de Segurança Nacional!

Não esquecemos, não perdoamos e não nos reconciliamos




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