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RIO DE JANEIRO

Marcelo Crivella é preso no Rio de Janeiro

terça-feira 22 de dezembro de 2020| Edição do dia

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso na manhã de terça-feira (22), em operação da Polícia Civil e do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).

Imagens da TV Globo mostraram o momento em que o prefeito desembarcou do carro da polícia, trajando terno escuro, e entrou na Cidade da Polícia Civil, por volta das 6h30.

Também foram detidos o empresário Rafael Alves e o delegado Fernando Moraes. Todos são alvos da operação que investiga suposto esquema de propina na prefeitura.

Marcelo Crivella está a nove dias do fim mandato, que termina em 31 de dezembro. Ele disputou a reeleição e foi derrotado por Eduardo Paes (DEM), que toma posse em 1º de janeiro de 2021.

Com a prisão de Crivella, assume interinamente o presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM). O vice-prefeito Fernando Mac Dowell morreu em maio de 2018.

Em setembro, Crivella foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa e em seu gabinete no Palácio da Cidade.

O Ministério Público investiga um esquema de pagamento de propina na prefeitura –chamado de "QG da propina"– comandado pelo empresário Rafael Alves, amigo de Crivella.

Trocas de mensagens indicaram, para o Ministério Público, que o prefeito tinha ciência das ilegalidades supostamente cometidas no município. Até hoje não havia denúncia formalizada.

O Esquerda Diário conversou com Carolina Cacau do MRT para que opinasse sobre a prisão de Crivella. Ela desenvolveu sua visão sobre o tema:

“Crivella é um famigerado aliado de Bolsonaro que merece todo ódio do nosso povo e que o tirássemos do poder com a força da mobilização. Mas não é o caso. E sim de mais um chefe do poder executivo que é preso no Rio de Janeiro pelo judiciário carioca, que é um braço especialmente politizado dessa justiça que em todo o país não está preocupada com nenhum combate a corrupção. O que está em questão é uma enorme disputa entre alas da justiça, onde um e outro bloco de poder desse regime político podre busca se impor sobre o outro. Disputam qual das castas privilegiada de juízes, que não são eleitos por ninguém, vai decidir quem governa o Rio de Janeiro, para assim encobrir os podres de sua própria ala controlando o poder do estado e incriminando a outra ala podre, que sempre tem também seus negócios sujos.

Todas as alas dessa justiça instrumentalizam o sentimento anti-corrupção do povo carioca para uma via autoritária, que vai dando poder cada vez maior para esses juízes e procuradores que não merecem nenhuma confiança do povo. Com essa escalada de autoritarismo do judiciário, não se tem um Rio com menos corrupção, mas cada vez mais um estado onde já não existe o sufrágio universal e a vontade popular exercida pelo voto. Assim foi que abriram espaço até para uma intervenção das Forças Armadas.

Ontem foi Witzel, a mando da ala bolsonarista, com uma prisão cheia de ilegalidades. Hoje é o Crivella. São mais exemplos de políticos, como tantos outros, que coloca eixo em falar contra a corrupção e está envolvido nos mil laços do poder político carioca com a corrupção e o crime organizado.

Um setor do povo carioca já começou a perceber que essas prisões, mesmo quando se trata de inimigos políticos contra quem temos tanto ódio como Crivella e Witzel, não vem no sentido de combater nenhuma corrupção.

É um passo à frente, pois a única forma de combater Crivella, Witzel e todos esses algozes dos trabalhadores, seus ataques, e dar qualquer resposta ao problema da corrupção, é confiar nas forças da mobilização.

A esquerda carioca não deveria fazer coro com nenhuma ala dessa justiça, que não tenhamos dúvida que sempre vai se voltar contra a esquerda e os trabalhadores. O que deveria ser feito são denúncias do conjunto desse regime político podre carioca, que está a serviço dos empresários nacionais e estrangeiros e até do crime organizado, e exigências às grandes centrais sindicais para organizar um plano de luta contra todo esse regime político e seus ataques, depositando energia na força da organização e mobilização, para impor juri popular para os casos de corrupção, que todo juiz seja eleito e ganhe o salário de um professor e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores.

O Rio é epicentro do autoritarismo que avança no Brasil desde o golpe institucional e precisa se tornar um bastião da luta contra esse regime político golpista e corrupto, com uma resposta independente dos trabalhadores e do povo, que parta da crise política do Rio de Janeiro mas se articule nacionalmente, na luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.”




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