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COLAPSO DA SAÚDE

Mantidos acordados e amarrados aos leitos, pacientes intubados no RJ agonizam sem sedativo

De acordo com a denúncia feita por uma enfermeira do Hospital Municipal Albert Schweitzer em Realengo (RJ), não há sedativos disponíveis, os médicos estão usando outros medicamentos mais antigos e com mais efeitos colaterais, levando ao crescimento do número de mortes.

quarta-feira 14 de abril| Edição do dia

Foto: Reprodução

Não é uma realidade recente o caos no sistema de saúde do RJ, e é lá onde se encontra o maior volume de pacientes intubados devido à Covid-19 desde o início da pandemia. Um cenário que coloca os trabalhadores da saúde em uma realidade atormentadora. Nessa quarta-feira (14), uma enfermeira do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, disse que pacientes com a forma mais grave da doença estão intubados, acordados e amarrados aos leitos devido à ausência dos medicamentos. Na unidade, há 78 pacientes internados com Covid. Outros 40 estão na emergência.

"Eles ficam tudo acordado, sem sedativos, intubados, amarrados e pedindo para não morrer. Na sala vermelha, os pacientes estão intubados e amarrados, estão vivenciando tudo acordado e sem sedativo, pois não tem nenhum sedativo, acabou tudo. Só para o CTI e mesmo assim estão sendo rediluídos e mesmo assim não dá para todos os pacientes".

Sem a medicação, que é essencial para a recuperação dos pacientes, as equipes se desdobram procurando alternativas. Segundo médicos intensivistas, a contenção mecânica pode ser usada, mas o doente precisa ser medicado pelo menos com uma sedação leve. Em um relato de um desses médicos, é possível imaginar esse cenário de barbárie.

“A contenção mecânica usada sem sedativo é realmente uma forma de tortura porque o paciente está ali incomodado e está se vendo numa situação em que ele não pode nem mesmo chamar ajuda pela equipe multiprofissional”.

É o que também acontece no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, também Zona Oeste, onde 67 pacientes estão internados com Covid, lá os profissionais se veem na mesma situação. E no Hospital São José, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que está atendendo apenas pacientes com Covid e tem 125 leitos, outra enfermeira relata que morreram 20 pessoas no último final de semana, parte das mortes foi provocada pela falta de sedativos. Em outra unidade de saúde, o Hospital Anchieta, o único do estado que atende só pacientes de Covid na capital, faltam sedativos e outros materiais.

O secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, reconhece que os estoques são insuficientes e de forma demagógica foi à imprensa dizer que estão “até o momento garantindo aí esse cuidado, essa medicação para os pacientes que precisam".

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Medidas como a reconversão da indústria nacional, adaptando e transformando suas plantas industriais para a produção de insumos básicos para serem distribuídos às unidades de saúde poderiam minimizar os efeitos da pandemia no Brasil, e no mundo. Mas sabemos que os grandes capitalistas não irão colocar em risco a manutenção dos seus lucros, que em muitos casos aumentaram significativamente durante a crise sanitária provocada pela pandemia. É notória a insignificância das nossas vidas para eles, não podemos continuar amargando em choro nossos mortos. A classe trabalhadora auto organizada é o único setor da sociedade capaz de dar uma saída à essa situação, colocando nossas vidas à frente da sede dos grandes capitalistas por lucros.

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