Internacional

Violência Policial

Manifestante antifascista nos EUA foi executado pela polícia

Novas testemunhas oculares asseguram que a polícia disparou contra Michael Forest Reinoehl enquanto ele estava desarmado.

sexta-feira 11 de setembro| Edição do dia

Em 3 de Setembro, Michael Forest Reinoehl estava caminhando até seu carro, segurando um celular e balas de gelatina. Ele era um organizador anti-fascista do Black Lives Matter que foi acusado de matar um membro do “Patriot Prayer” em um rally de Trump. Oficiais da Força Tarefa contra Infratores Violentos do Noroeste do Pacífico cercaram Reinoehl e começaram a atirar - disparando dezenas de tiros sem nenhum aviso prévio.

Reinoehl foi executado pela polícia.

Esse foi o testemunho de Nate Dinguss, pastor e vizinho, dada ao The Oregonian. Autoridades federais contaram outra história, dizendo que Reinoehl apontou uma arma para policial.

Isso não foi o que Dinguss afirmou. De acordo com o The Washington Post, “Ele viu dois veículos da polícia não identificados convergirem para Reinoehl enquanto ele caminhava até o carro, segurando o telefone e mascando um pedaço de doce. Os policiais nunca se identificaram de forma audível e não tentaram prender Reinoehl…”

Como o Post reportou, ele [ Dinguss] disse que os policiais imediatamente começaram atirando. Quando Reinoehl ouviu o tiroteio, ele se escondeu atrás de seu carro, que estava preso pelos veículos da polícia; ele nunca tentou entrar, disse Dinguss, e nunca o viu pegando uma arma. Dinguss disse que viu a polícia disparar contra Reinoehl, parando para gritar ‘Pare!’ antes de retomar o fogo. Dinguss acrescentou que os policiais esperaram "vários minutos" antes de prestar ajuda médica a Reinoehl, que morreu no local devido a vários ferimentos à bala.

Michael Forest Reinoehl foi acusado de atirar em um membro do “Patriot Prayer” (Oradores Patriotas) Aaron Jay Danielson. O pai de dois filhos, de 48 anos, participava regularmente dos protestos e fazia parte de uma equipe de segurança informal destinada a se proteger da violência de extrema direita. O próprio Reinoehl havia levado um tiro no braço de um provocador de direita um mês antes, quando tentava interromper uma briga entre o homem e um grupo de jovens. Em uma entrevista com a Vice News semana passada, Reinoehl deu a entender que agiu em legítima defesa. Trump aplaudiu a execução, falando a favor da "retribuição" contra os ativistas do Black Lives Matter. Em uma conferência de noticías do Dia do Trabalho, Trump disse que a polícia local deveria procurar “retribuir” contra os manifestantes e saudou o assassinato de Reinoehl “Os policiais entraram e não estavam para brincadeira. Se alguém está infringindo a lei, deve haver uma forma de retribuição”. Essa retórica perigosa dá luz verde aos policiais, bem como aos neofascistas, para atacar os manifestantes.

Danielson se tornou um símbolo para a extrema-direita, que segurou fotos dele no comício de extrema-direita do fim de semana passada no Oregon. Lá, os apoiadores de Trump perseguiram e espancaram ativistas do Black Lives Matter. Como vimos em ações de direita em todo o país, a polícia deu suporte aos neo-fascistas e o comício do fim de semana passado não foi exceção, com o vídeo emergindo dos policiais e dois apoiadores de Trump presos conversando alegremente depois de espancarem os ativistas do BLM. Em Kenosha, a polícia até agradeceu aos direitistas, oferecendo-lhes água.

Donald Trump está apoiando e encorajando uma extrema-direita perigosa dentro e fora da força policial para se envolver na violência contra os manifestantes. A execução de Reinoehl é apenas mais um exemplo dessa violência.

Precisamos combater a violência policial, seja a violência contra Reinoehl por ser um antifascista se defendendo ou Breonna Taylor e Daniel Prude por serem negros nos EUA. Precisaremos de movimentos de massa nas ruas, bem como nos organizar onde somos mais fortes: como classe trabalhadora. Podemos e devemos dar um basta na violência policial - nas ruas, bem como em nossos locais de trabalho.




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