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Black Lives Matter | Manifestações desafiam toque de recolher após o assassinato de Daunte Wright por uma policial

Manifestantes em Brooklyn Center, Minnesota, desafiaram o toque de recolher das 19h de ontem para protestar contra o assassinato de Daunte Wright pela polícia.

quarta-feira 14 de abril | Edição do dia

Foto: Chad David (@daviss)

Faz três dias que a polícia assassinou Daunte Writght de 20 anos, no Brooklyn Center, uma pequena cidade nos arredores de Minneapolis, Minnesota. Ele foi parado pela polícia por causa da placa de carro vencida. Durante a parada de trânsito, a polícia descobriu que ele tinha um mandado de prisão por falta de comparecimento ao tribunal por acusações de contravenção e tentou detê-lo. Wright tentou voltar para o carro e a policial Kim Potter supostamente confundiu a arma dela com um taser e o matou. A policial Potter, uma veterana da polícia há 25 anos, é a presidente do sindicato da Associação dos Oficiais de Polícia do Brooklyn Center.

Na noite em que Daunte Wright foi assassinado, a polícia usou equipamento de dispersão de manifestantes para afastar os manifestantes furiosos e em luto que se reuniram em frente ao departamento de polícia tarde da noite. Na manhã seguinte, o Brooklyn Center acordou com a presença militarizada da Guarda Nacional e da polícia que patrulhava o estacionamento de um grande shopping center onde ficam o Walmart e outras grandes lojas como a TJ Maxx. A Guarda Nacional e a polícia haviam bloqueado o estacionamento e estavam mandando os carros que chegavam embora. Havia também uma forte presença da polícia e da Guarda Nacional no Departamento de Polícia do Brooklyn Center. Barricadas foram armadas para isolar o Departamento do público, e caminhões de estilo militar foram vistos entrando e saindo.

Autoridades eleitas e juízes e especialistas da lei ofereceram condolências mornas, mas suas simpatias foram abafadas por sua forte cautela contra a destruição de propriedades privadas - um sinal claro de suas prioridades. O presidente Biden expressou esse sentimento cruel ontem, dizendo que “temos que esperar para ver o que a investigação mostra” e que “não havia justificativa” para saques ou violência. Uma ordem de toque de recolher foi emitida para as cidades e subúrbios vizinhos a partir das 19h. O prefeito de Brooklyn Center demitiu o conselheiro da cidade, e o conselho municipal recomendou demitir a policial Potter.

Na noite do dia 12, centenas de manifestantes reuniram em frente ao Departamento de Polícia do Brooklyn Center. A alguns quilômetros de distância, as pessoas faziam uma vigília por Daunte Wright.

Quando se aproximava das 19h, algumas pessoas foram embora, mas muitas continuaram fora de casa após o toque de recolher. A polícia usou equipamento de dispersão da multidão novamente. Cantos de “No Justice No Peace” e “Daunte Wright” podiam ser ouvidos nas notícias ao vivo junto com sons de bateria e fogos de artifício. 40 pessoas foram presas.

Quase um ano atrás, a área de Minneapolis e do Brooklyn Center foram o centro da rebelião de George Floyd. Agora, no meio do julgamento de Derek Chauvin e um dia depois de Daunte Wright ser morto pela polícia, a raiva e a tristeza pelos assassinatos racistas da polícia estão fluindo para as ruas mais uma vez.

O chefe da Polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, afirmou ontem que as comunidades ficaram traumatizadas com a destruição de propriedades, mas não mencionou o trauma causado pelo terror violento e racista que a polícia inflige todos os dias. Nas cidades já militarizadas, é claro que a aplicação da lei está aqui para proteger as empresas e a propriedade privada - não as pessoas.

No momento em que escrevo, a aplicação da lei continua a proteger os grandes negócios, as grandes empresas e suas fortalezas policiais enquanto brutaliza outra rebelião multiétnica emergente. Resta ver se essa rebelião no Brooklyn Center, em Minnesota, vai continuar e se espalhar para outras áreas. No entanto, as pessoas nas ruas e aqueles que assistem em casa não podem ignorar o que aprenderam no verão passado após o assassinato de George Floyd: que a polícia sempre existiu para proteger o capitalismo e a classe dominante. Nenhuma reforma ou reestruturação policial mudará o seu papel de proteger o capital em detrimento das pessoas.

À medida que exigimos responsabilidade da polícia racista, devemos nos organizar contra a classe dominante que explora nosso trabalho para manter seus lucros. Devemos também permanecer vigilantes quanto às tentativas da classe dominante de cooptar e infiltrar-se em nossos movimentos.




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