Cultura

POESIA

Mandacaru

Leticia Parks

Brasília - DF

terça-feira 28 de março de 2017| Edição do dia

Mandacaru

Figuras negras dançam no árido
Árido interior de continente
Onde figuras negras dançavam
Fantasmas na senzala
Dançaram depois fora dela
Roubaram o futuro por um instante
Copiaram a ilha distante.

Figuras negras dançam no árido
Deserto da terra onde negras vendem o trabalho
Trabalho esse tão barato
Trabalho esse mortalmente suado
As negras dançam nos bailes
Sonham com o dia que copiem o país distantes
Onde mulheres pausaram o trabalho, dançaram revolução.

Figuras negras dançam no árido
Deserto da terra onde negros ainda fogem
Buscam abrigo para dançar no país irmão
Irmão que enviou seus filhos para dançar sobre os corpos daqueles
Corpos herdeiros, estuprados, na Ilha Distante.
Chegam sedentos, numerosos
Percebem que como nunca, figuras negras aqui não dançam.
Fritam.

Figuras negras aqui não dançam.
Fritam.
Derretem e se deformam de árido
Deserto da terra onde não mais dançam.
Pensam, organizam e tomam Estados.
Figuras negras: destruam o árido
Deserto central do motor da história mundial!

Figuras negras mitológicas
Mandacarus de formas indizíveis
Florescem o fim da seca
Assumem o posto inimaginável
O mundo que parecia impossível de mover
Agora caminha rumo ao inevitável




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