Política

ENTREVISTA DE LULA COM REINALDO AZEVEDO

Mais uma vez Lula mostra sua disposição aos golpistas, mas não contra as reformas do golpe

Na entrevista com Reinaldo Azevedo na Band, Lula deu novos acenos para setores golpistas dizendo que para vencer em 2022 faria aliança com o Centrão, o mesmo que aprovou as reformas e ataques aos trabalhadores. Precisamos lutar pela anulação de todos os ataques de Bolsonaro e do Golpe Institucional.

sábado 3 de abril| Edição do dia

Nesta quinta-feira, 01, o ex-presidente Lula participou de uma entrevista na Rádio BandNews FM com o jornalista Reinaldo Azevedo. Na entrevista que teve grandes holofotes da grande mídia, Lula foi bastante contundente contra Bolsonaro, e sobre toda a crise econômica e sanitária que vem assolando o país. Mas não deixou de mostrar seus acenos para os golpistas e os empresários como havia feito em sua coletiva após a decisão de Edson Fachin de anular as acusações que Lula recebeu pela Lava Jato, e com isso retomou seus direitos políticos. Também é bastante simbólico sua entrevista ter sido através de uma grande mídia com a rede Bandeirantes e seu entrevistador ser o Reinaldo Azevedo, um das principais figuras da mídia burguesa. Isso mostra como essa mídia está recebendo bem os acenos de Lula e fazendo palanque para sua estratégia eleitoral.

O ex-presidente afirmou que se for necessário para ganhar as eleições de 2022, ele irá buscar aliança com o Centrão: “Tenho certeza que vamos construir alianças no setor de esquerda e, se for preciso chegar no centro para ganhar as eleições, a gente vai chegar”, disse. Lula mostra que sua estratégia, que é puramente eleitoral, será buscar os partidos do Centrão; os mesmos que comandam o Congresso Nacional na Câmara e no Senado; os mesmo que apoiaram o Golpe Institucional; o mesmo que aprovam ataques como a PEC emergencial que congela o salário dos professores por 20 anos. Essa é a aliança que Lula busca para derrotar o Bolsonaro?

Lula também mostrou seus acenos para o programa econômico que os capitalistas querem aprofundar ainda mais. Como a ideia de privatização de estatais pela via de economia mista Eletrobras, Furnas e Caixa que ele apresenta. Privatizações estas que vimos com a pandemia que são completamente prejudiciais para a população. Sem falar que não menciona as reformas que foram aprovadas pelos mesmos partidos com que quer fazer alianças. Reformas que só precarizam as condições de trabalho dos brasileiros fazendo que sejamos explorados até morrer.

Já passamos de mais de 325 mil mortes em todo o país; sistemas de saúde colapsados em vários estados; apenas 8% da população foi vacinada; ao mesmo tempo uma crise econômica brutal atinge toda a população com o preço dos alimentos em alta; desemprego; e um auxílio emergencial com um mísero valor de 175 reais. Enquanto isso Lula usa toda a força de sua figura e seu discurso contra Bolsonaro e a crise para fortalecer sua estratégia eleitoral, buscando se mostrar como alguém confiável para administrar novamente o capitalismo e se mostra disposto a fazer novas alianças com o Centrão de Maia, de Lira, e de toda essa casta podre que descarrega ataques em cima dos trabalhadores enquanto aumenta seu próprio salários no Congresso.

Até 2022 a crise sanitária seguirá e centenas de milhares de pessoas vão continuar morrendo, seja pelo vírus ou pela fome. Enquanto isso as grandes centrais sindicais como a CUT que é dirigida pelo PT, seguem com sua paralisia total, deixando passar inúmeros ataques como foi a já mencionada PEC emergencial que foi aprovada sem nenhuma resistência. Ou mesmo um combate efetivo contra as demissões na Ford no início desse ano, ou como as demissões na LATAM que vem ocorrendo desde ano passado. é preciso organizar a luta desde já, e não segui uma estratégia para eleger Lula em 2022 como se isso fosse a saída para a crise brutal que estamos passando.

Por isso é extremamente urgente que os trabalhadores se organizem para exigir das suas direções sindicais que parem com a paralisia e comecem a mobilizar a lutar para barrar os ataques e as reformas que Bolsonaro e os golpistas seguem implementando. É preciso desde já organizar a mobilização, mesmo com as dificuldades da pandemia, com assembleias e reuniões de base presenciais ou virtuais de acordo com as possibilidades e com cada categoria, impondo também a formação de Comissões de Higiene e Segurança Sanitária, auto organizadas pelos trabalhadores para averiguar e implementar todas as medidas de segurança necessárias nos locais de trabalho, especialmente entre os setores da linha de frente.

Lutar pelo Fora Bolsonaro, Mourão e todo esse regime podre como parte de enfrentar a crise econômica e sanitária, passa por enfrentar os efeitos econômicos do golpe, fazer essa ligação é papel da esquerda que poderia cumprir uma importante tarefa se construísse um polo anti-burocrático que apontasse para os trabalhadores esse caminho da mobilização e mostrasse que é necessário ter uma política alternativa a conciliação das grandes Centrais, para impor que estas se movimentam e coloquem de pé uma verdadeira frente única operária que possa lutar por um plano de emergência contra a pandemia, pela anulação de todas as reformas e privatizações, contra todas as medidas autoritárias do judiciário golpista e por um programa operário para que sejam os capitalistas e não os trabalhadores os que paguem por essa crise.




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