GUERRA "ÀS DROGAS"

Mais uma criança vítima de bala perdida tem a vida interrompida no Rio de Janeiro

A primeira vítima de bala perdida em 2021 foi no morro do Turano, em Rio Cumprido, zona central do Rio de Janeiro. Aos 5 anos de idade a menina Alice Pamplona da Silva foi alvejada por uma bala na noite de revellion.

quarta-feira 6 de janeiro| Edição do dia

Foto: arquivo da família

Foi nos primeiros segundos do ano que a pequena Alice Pamplona foi atingida por uma bala no pescoço enquanto estava no colo da mãe. Elas estavam na casa da madrinha da criança, que foi quem a levou para o hospital. "Estávamos assistindo à queima de fogos. Ela gostava de ver. Estava a coisa mais linda. Ela estava no colo da mãe, lugar que você espera ter toda a proteção do mundo. Foi à meia-noite em ponto." - conta Mayara, madrinha de Alice.

Mais uma vítima da violência urbana que assola as periferias país a fora. Abarcada pelo reflexo do racismo estrutural e expressada comumente pela violência da polícia a morte por arma de fogo se torna uma realidade chocante na vida de negros e negras que habitam os espaços mais reprimidos onde o estado se faz presente unicamente através da repressão policial também fomentada por Wilson Witzel quando dizia sobre "atirar na cabecinha" e pelo atual prefeito Eduardo Paes, que inclusive apoiou a instalação sangrenta das UPPs que ceifaram várias vidas como a de Amarildo por exemplo e agora o mesmo vem com a demagogia de fazer uma política antiracista.

As periferias são espaço de controle social e de suma importância para o capitalismo. Como se não bastasse a falta de saneamento básico, moradias adequadas, saúde, acesso ao lazer e cultura muitas crianças têm seus pequenos corpos expostos às balas perdidas seja pelas mãos do tráfico ou pelas mãos do Estado que para manter seu controle e submissão da classe trabalhadora usa como justificativa a guerra as drogas que tirou a vida de tantas outras crianças como Ágata Félix, João Pedro e mais recentemente Emilly e Rebeca em Duque de Caxias.
O racismo estrutural negado descaradamente por Bolsonaro, Mourão e toda a direita reacionária herdeira do golpe institucional é o que explica os negros terem mais de 2 vezes mais chances de morrer vítimas de uma arma de fogo. Explica o fato do jovem negro sustentar os índices de vítimas de homicídios e sofrerem na pele a violência policial.

Longe de reconhecer e enfrentar a raíz, do problema propõem sempre as incursões policiais que só geram mortes e expõe cada vez mais a classe trabalhadora de maioria negra às balas perdidas e truculência policial.

O combate ao racismo estrutural tem como etapa fundamental a tomada de consciência da classe trabalhadora e a mobilização social como houve nos Estados Unidos com o movimento Black Lives Matter após o brutal assassinato de Jorge Floyd. Mobilização que incendiou protestos em outros países incluindo Brasil que acumula inúmeros casos de violência estatal causado pelo braço armado do Estado e pelo chamado "poder paralelo" como traficantes e milicianos que por vezes entrelaçam relações com o Estado.

Chega de banalizar corpos negros furados de bala! Precisamos de uma saída anticapitalista porque só combatendo a raíz das mazelas que cercam os negros conseguiremos paz!

Alice presente!




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