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Massacre Yanomami | Maíra Machado: "Chega de mulheres e crianças indígenas violentadas pelo garimpo e o agronegócio!"

Na aldeia de Aracaça, em Roraima, uma menina indígena de 12 anos foi estuprada e morta por garimpeiros. Divulgamos aqui, a declaração de Maíra Machado, professora estadual de São Paulo, e militante do MRT e do Pão e Rosas.

segunda-feira 2 de maio | Edição do dia

O que vem ocorrendo com o povo Yanomami é realmente absurdo e desprezível. O garimpo ilegal que é defendido por Bolsonaro e toda a corja da extrema direita vem matando e destruindo as terras desse povo, com aval do governo e dos parlamentares da bancada do boi, da bíblia e da bala que vem fazendo de tudo para acabar com as demarcação de terra. Na última semana, uma aldeia Yanomami sofreu com acontecimentos terríveis. Uma criança de 12 anos foi estuprada e morta por garimpeiros que sequestraram ela. Também teve a denúncia que uma mulher e uma criança haviam sido sequestradas e a criança atirada no rio pelos garimpeiros. Isso tudo foi denunciado na última segunda 25.

O garimpo ilegal vem aumentando consideravelmente nos últimos anos desde o ínicio do governo Bolsonaro. Segundo dados divulgados pela Associação Hutukara Yanomami, o garimpo ilegal de ouro aumentou de forma expressiva no território. Comparado a 2020, o ano de 2021 teve avanço de 46% sobre as terras, a maior taxa desde 2018. Entre 2016 e 2021, a mineração ilegal aumentou 3.350%.

As invasões dos garimpeiros vem resultando em um crescimento de assassinatos. Em outro relatório divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), mostra que os ianomâmis foram os mais assassinatos em 2021, chegando a contabilizar 101 mortes ao total. Também entra no cálculo o massacre que ocorreu do povo Moxihatëtëa, que vive também na região, e teve 3 mortes no ano passado.

A acusação de estupro de yanomamis não é a primeira que ocorre. Ainda em abril, foi denunciado em relatório que os garimpeiros coagiram mulheres e crianças das comunidades a manter relações sexuais em troca de comida. Algo extremamente repulsivo e odioso para dizer o mínimo. O povo Yanomami segue sofrendo com o garimpo que é sustentado pelos latifundiários e empresários do agronegócio que querem explorar cada vez mais essas terras que são demarcadas e a extrema direita no Congresso vem tentando facilitar esse caminho.

Não muito diferente é o Bolsonaro, que é um verdadeiro aliado do garimpo, e sempre destilou seu ódio às comunidades indígenas e quilombolas, para justificar o fim das demarcações e a permissão da exploração dessas terras que é tão visada pela sua base social de extrema direita e os empresários do agronegócio que querem seguir destruindo o nosso meio ambiente e das terras que pertence aos povos originários.

Basta de mortes e estupros de mulheres e crianças indígenas. Temos que lutar contra esses absurdo e contra o garimpo ilegal. Lutar contra Marco Temporal e a PL 490 que o STF quer aprovar aplicar para tirar o direito à demarcação dos povos. Para que os casos de estupro, homicídio, e o incendio ilegal tenha uma investigação independente, pois não podemos contar com a Polícia Federal e a Funai bolsonarista para solucionar esses casos. Somente com a organização e luta dos indígenas, junto com os trabalhadores e todos os setores oprimidos podem garantir justiça e acabar com o garimpo.




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