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Privatização da Petrobrás | Maíra Machado: Aumento do número de queimados na Bahia é resultado dos ataques privatistas contra a Petrobrás

Casos de pessoas queimadas na Bahia cozinhando com lenha e álcool saltam devido ao aumento do preço do gás de cozinha. É urgente defender uma Petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores

segunda-feira 13 de junho | 14:34

Maíra Machado é professora da rede estadual de São Paulo, dirigente do MRT e apresentadora do Podcast Feminismo e Marxismo.

Mais um aumento consecutivo no preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o gás de cozinha, fazendo com que o valor de um botijão alcance a média de R$ 127 na Bahia. Esse mesmo estado, sob governo de Rui Costa (PT), lidera o ranking nacional do desemprego, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingindo 17,6% da população ativa.

Milhares de famílias no estado já não conseguem mais adquirir o gás de cozinha para cozinhar e realizar as tarefas domésticas cotidianas. A solução para muitos é utilizar lenha e álcool, ocasionando em um aumento da quantidade de acidentes com queimaduras, especialmente entre mulheres, em particular negras de baixa renda. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), o número de queimados aumentou 18,75% na Bahia no primeiro trimestre de 2022 comparado ao mesmo período do ano anterior.

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Enquanto em 2021 a quantidade de queimaduras registradas nos três primeiros meses do ano foi de 384, em 2022, o número saltou para 456. Sendo que 198 pessoas foram internadas no estado por conta de queimaduras. Porém esses foram apenas os casos registrados entre tantos outros que não chegam aos hospitais.

O aumento do preço do gás de cozinha é fruto da política de preços do processo de privatização da Petrobrás, que faz com que o valor dos combustíveis produzidos por essa empresa nacional siga os valores internacionais, ou seja em dólares.

Todos os custos das para produção se dá com a moeda nacional, tudo é feito em território brasileiro, com recursos nacionais, os salários dos trabalhadores são pagos em reais, mas nós temos que comprar em dólar, com o preço definido pelo mercado internacional.

Isso serve para encher o bolso dos acionistas privados que hoje já mandam na Petrobrás. Produzir em real e vender em dólar para os próprios brasileiros que produziram os combustíveis. Dessa forma o lucro se multiplica conforme o dólar se encarece, deixando nas mãos do mercado internacional e das empresas imperialistas definirem o preço dos combustíveis que compramos a partir do mercado câmbio.

A privatização da Petrobrás foi acelerada com o golpe institucional de 2016 e Bolsonaro, capacho do imperialismo mundial, está seguindo a agenda privatista com unhas e dentes, fazendo tudo que está em seu alcance para garantir o lucro milionário dos acionistas e dos empresários internacionais, entregando em um bandeja outro os recursos naturais brasileiros. Cortou os impostos dos combustíveis que eram destinados a recursos sociais, mas desde o início de seu governo se recusa a tocar nas políticas de preços.

O resultado do lucro milionário dos acionistas é a fome e corpos mutilados por queimaduras na Bahia e em todo o Brasil. Famílias se endividando para comprar um botijão de gás e ter com o que cozinhar. É preciso reverter imediatamente a privatização das unidades que foram vendidas e acabar com essa política de preço que lucra com nossa miséria. Por isso é urgente defender uma Petrobrás 100% estatal sob controle dos trabalhadores.




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