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ELEIÇÕES ARGENTINA

Maíra: "A esquerda brasileira tem muito a aprender com a Frente de Esquerda argentina"

domingo 11 de agosto| Edição do dia

Maíra Machado, dirigente nacional do MRT e professora da rede estadual de ensino em São Paulo, falou ao Esquerda Diário sobre a importância internacional do exemplo da esquerda argentina, que disputará essas eleições prévias através da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade.

Sobre a importância do exemplo da esquerda argentina, Maíra disse que: "A batalha eleitoral da esquerda na Argentina é um exemplo militante para o Brasil. Disputa hoje as eleições prévias com a chapa composta por Nicolás Del Caño, dirigente do PTS e candidato a presidente, e Romina Del Plá, do PO, como vice. Levando em conta os desafios que temos no Brasil para derrotar os ataques de Bolsonaro e da extrema direita, chama atenção como a esquerda brasileira repercute tão pouco o enorme exemplo da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade, encabeçada hoje por sua principal força, o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS, organização irmã do MRT), e composta também pelo Partido Obrero e a Izquierda Socialista, da qual participa nestes eleições o MST argentino. Na Argentina como no Brasil, a política da Frente de Esquerda é a mais potente contra a direita e os capitalistas. Trata-se da mais importante frente político-eleitoral de independência de classe no mundo, e com um programa anticapitalista e socialista avançou ininterruptamente de 2011 a 2019: tem 40 legisladores nacionais, entre deputados federais, estaduais e vereadores, chegando a obter 1,2 milhão de votos. Está fundada sobre a força militante de milhares e milhares de trabalhadores e jovens, especialmente do PTS, em centenas de estruturas operárias e estudantis. Nada a ver com Syriza na Grécia ou Podemos no Estado espanhol, que a esquerda brasileira louvou, mas que aplicaram ajustes onde governaram e abriram caminho para a direita; como no caso da Grécia, em que a Nova Democracia, a direita tradicional, venceu as eleições depois que o Syriza cumpriu o serviço sujo de implementar as reformas neoliberais contra os trabalhadores. A FIT-U é a única força política que se propõe romper com o FMI e os banqueiros internacionais, abolindo o pagamento da dívida pública e exigindo a estatização sem indenização de todos os serviços estratégicos, colocando-os sob administração dos trabalhadores e gestão popular. Ou seja, tem influência sobre setores de massas de trabalhadores, mulheres e jovens, sem renunciar a um programa anticapitalista e socialista; pelo contrário, esse programa é seu principal motor. Os parlamentares do PTS recebem o mesmo salário que uma professora, e doam o restante para as lutas sociais; ademais, atuam segundo os princípios do parlamentarismo revolucionário, utilizando suas bancadas para fortalecer e impulsionar a luta de classes extraparlamentar, inspirados na melhor tradição do marxismo revolucionário do século XX".

"Por isso chama a atenção a esquerda brasileira não tomar com centralidade a campanha da Frente de Esquerda argentina, difundir seu exemplo no Brasil, e preferir seguir compondo frentes amplas sem qualquer independência de classe com partidos de conciliação como o PT e o PCdoB, ou até mesmo com partidos burgueses como a Rede, o PSB e o PDT", disse.

Ato de encerramento da campanha da FIT-U em Buenos Aires

Veja também: Argentina: Frente de Esquerda Unidade encerrou sua campanha militante para as eleições primárias

Maíra concluiu dizendo que "Quanto melhores os resultados da Frente de Esquerda argentina nestas eleições, mais fortes estaremos para combater os capitalistas aqui deste lado da fronteira. Nós mulheres, que vimos nossas irmãs lutarem pelo direito ao aborto com a maré verde na Argentina, estaremos mais fortes para lutar pelo direito ao nosso corpo aqui no Brasil, já que as principais referências no combate pelos direitos das mulheres contra a Igreja, os capitalistas e o patriarcado estão representados na FIT-U. Isso porque seria uma mensagem clara aos capitalistas argentinos, quer estejam com Macri, quer estejam na chapa Cristina Kirchner-Alberto Fernández: os trabalhadores, as mulheres e a juventude não aceitarão em silêncio os ataques do FMI e os ajustes do próximo governo, e vão se organizar junto à esquerda para freá-lo".




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