Internacional

Protestos de camponeses

Maior luta do mundo: Rihanna e Greta Thunberg apoiam agricultores na Índia

Há três meses os trabalhadores agrícolas lutam contra três leis do governo de Narendra Modi a favor do agronegócio multinacional. O apoio de figuras em todo o mundo não foi bem recebido pelo regime.

quinta-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

Desde agosto, os camponeses indianos lideram um grande protesto contra as três leis agrárias do governo de Narendra Modi, aprovadas no Parlamento em setembro passado. Eles as descrevem como “leis anti-agrícolas”, já que os deixam à mercê do controle de preços das megacorporações. Organizações de esquerda, sindicatos, referências ambientais globais como Greta Thunberg e artistas como Rihanna e Mia Khalifa apoiam a reivindicação dos agricultores do país asiático.

Os falsos apelos ao diálogo por parte de Modi ficam expostos já que a resposta à mobilização é a repressão, o bloqueio das comunicações e o arame farpado para impedir sua passagem. Os agricultores temem a possibilidade de que, com base nessas três leis, o agronegócio defina as condições da atividade que desenvolvem e o governo deixe de comprar deles grãos como trigo e arroz a um preço mínimo garantido.

“Por que não estamos falando sobre isso?”, Rihanna tuitou esta terça-feira para seus mais de cem milhões de seguidores, acompanhando-o com um artigo descrevendo como o governo Modi, com a desculpa de manter a “segurança nacional”, cortou a internet em vários distritos (em alguns por até 48 horas), pediu a suspensão das contas do Twitter e lançou uma dura repressão contra os trabalhadores rurais organizados em mais de cinquenta sindicatos. Greta Thunberg, uma ferrenha inimiga do agronegócio e de suas práticas, também expressou sua solidariedade com a luta camponesa em um tweet que rapidamente se tornou viral.

Essas publicações enfureceram o governo indiano: Modi acusou de interferência de personalidades mundiais em um "caso interno", de "sensacionalista", e divulgou um comunicado no qual falava de "propaganda" contra seu governo, que no máximo se oferecia para "suspender" as regulamentações. A verdade é que, desde a origem dos protestos, as autoridades responderam com uma dura repressão ao movimento camponês, que começou principalmente em Punjab, um estado no norte da Índia. De acordo com o Governo do Partido do Povo Indiano, as leis são benéficas para os agricultores porque permitem que seus produtos sejam entregues diretamente a grandes compradores privados.

Mas o movimento camponês não pensa o mesmo, então os protestos continuam crescendo. No dia 26 de novembro, o apoio à luta pela revogação dessas leis levou a uma greve geral que envolveu 250 milhões de trabalhadores. No dia 30 daquele mês, centenas de milhares estavam marchando de diferentes pontos para Nova Delhi, a capital do país, e vários deles morreram de frio ou acidentes quando se mudaram de suas cidades.

Leia também: Trabalhadores agrícolas radicalizam protestos na Índia

Na terça-feira da semana passada, coincidindo com um feriado nacional e uma demonstração militar da qual Modi participaria, o enorme protesto agrícola, liderado em grande parte por jovens, invadiu o Forte Vermelho em Nova Delhi, um edifício histórico declarado patrimônio cultural da humanidade em 2007. Após dura repressão, Navreet Singh, de 30 anos, foi morto quando um trator capotou durante protestos perto da sede da Polícia de Delhi.


Foto: Getty Images

As barricadas de estacas e pregos no acesso à capital não vão impedir a marcha dos agricultores. Isso é o que Anoop Chanaut, membro do Exército Social de Kisan, garantiu à BBC Hindi. Embora o governo se gabe de estar "a apenas um telefonema" da resolução do conflito, que já dura três meses, "eles instalam barricadas como se fosse uma fronteira internacional". O objetivo dos manifestantes é cercar o Parlamento.

A Índia é o segundo país em número de habitantes e um dos maiores contribuintes de emissões poluentes em todo o mundo, depois da China, dos Estados Unidos e da União Europeia. Além de seu discurso ocasional em eventos climáticos internacionais, o perfil nacionalista, xenófobo e racista do governo Modi só aumentou durante a pandemia, da qual ele aproveitou para fazer avançar planos anti-operários e leis neoliberais contra o futuro do planeta e as garantias mais básicas dos trabalhadores agrícolas, em favor da penetração do agronegócio multinacional no mercado agrícola local. Esses protestos, que atraíram a atenção internacional, são um dos desafios mais importantes para o regime de Modi.

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Foto: EPA




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