×

Petrobrás | Magda Chambriard, nova presidente da Petrobrás tem extenso currículo entreguista, petroleiros precisam reafirmar sua independência diante do governo e empresa

Ex-petroleira e ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo é a escolhida pelo governo Lula-Alckmin para presidir a maior empresa do país. Ela presidiu a ANP entre 2012 a 2016, período onde mais aconteceram leilões de petróleo até o governo de extrema-direita de Bolsonaro. Foi sob sua gestão que ocorreu o Leilão de Libra, a entrega de 60% do primeiro campo do pré-sal ao imperialismo. Esse leilão aconteceu sob repressão da Força de Segurança Nacional e da Marinha, enviadas por Dilma à Barra da Tijuca para impedir o protesto dos petroleiros que estavam em greve contra o Leilão e exigindo que ele fosse 100% Petrobrás. Esse breve histórico já mostra como o golpe institucional veio para promover ataques ainda maiores do que aqueles que o PT já vinha fazendo, e ao mesmo tempo isso renova a necessidade dos petroleiros reafirmarem sua organização independente do governo e da empresa, o exato oposto do que faz a burocracia sindical da FUP.

Leandro LanfrediRio de Janeiro | @leandrolanfrdi

quarta-feira 15 de maio | Edição do dia

Prates, ex-senador petista do RN, caiu após repetidos embates com o governo Lula-Alckmin, tendo por principais detratores seus o ministro de Minas e Energia (Silveira, do PSD de MG) e Humberto Costa (PT). O estopim da crise se deu durante a decisão de Prates de pressionar para pagar ainda maiores dividendos aos grandes acionistas privados. Essa decisão, com o aumento de 50% de dividendos extraordinários, fez a Petrobrás voltar ao patamar que esteve sob Bolsonaro: segunda maior pagadora de dividendos do mundo, em qualquer país e ramo da economia. Engana-se quem lê na queda de Prates uma virada mais “nacionalista” do governo, ao contrário as credenciais de Magda são de profundo entreguismo.

Só Guedes e seus comparsas promoveram mais entregas de bens naturais comuns aos imperialismos e bilionários nacionais do que Magda Chambriard. Ao mesmo tempo que é profundamente entreguista a ex-comandante dos leilões de petróleo, é conhecida por ser defensora de maiores investimentos em estaleiros e refinarias, parte do que Prates vinha sofrendo críticas do governo Lula é de sua demora em mostrar a Petrobrás gerando empregos.

É possível esperar uma particular combinação de “revigorar a indústria naval brasileira” e entreguismo sob Magda, que nunca se furtou em louvar grandes bilionários “nacionalistas”. Sob sua gestão na ANP não faltaram públicos elogios a Eike Batista e seus supostos planos de investimento no petróleo. A cada anúncio público de Magda, mais as ações do bilionário subiam. Naquele momento seu braço direito na ANP caiu por relações com Eike e também por denúncias no que ficou conhecido como “Panama Papers”.

Pode estar inscrita nesta guinada que combina mostrar “desenvolvimento nacional” com grande entreguismo e extrativismo, o comunicado feito pela Petrobrás no dia de hoje que “só cumpriria as determinações do IBAMA se encontrar petróleo” no que refere-se a Foz do Amazonas/Margem Equatorial. Trata-se de claríssimo atropelo aos direitos dos povos indígenas da região, bem ao tom das declarações de Silveira.

A relação entre entreguismo, ataque aos direitos dos povos indígenas e ao mesmo tempo “discurso nacionalista” é bem ao tom do governo Dilma a quem sua gestão na ANP foi concomitante. Cada petroleiro que acompanhou as obras do PAC naquele momento viu como eram muitos empregos, mas cada vez mais precários, e sabe-se com quanto sangue operário, de peão da construção civil, se fez as grandes obras, como, dentre muitos, lembramos os três mortos em acidente na apressada e arriscada construção de gasoduto na Estação da Mantiqueira (ESMAN) da Transpetro.

Em 2013 enfrentamos a decisão de Magda Chambriard e do governo Dilma de colocar à venda o campo de Libra com greve em diversas unidades do país e enfrentamos a repressão da Força de Segurança Nacional em plena Barra da Tijuca. A FUP por sua vez, na figura de seu coordenador geral, Deyvid Bacelar, já saiu a público elogiar Magda, sua parceira de cargo no governo de transição de Lula-Alckmin, como sempre faz a FUP com a gestão da empresa em governos petistas, do qual é colaborador que se coloca mais do lado da empresa do que dos petroleiros.

Os petroleiros só podem confiar em sua própria força e organização independente e pela base para garantir a luta por seus direitos, para impedir o saque imperialista dos bens naturais comuns do país e para estabelecer uma nova relação com o meio ambiente. Por isso, nós do Movimento Nossa Classe, somos parte da Chapa 1 ao Sindipetro-RJ, nossa luta contra a burocracia sindical da FUP e seus aliados que juntos compõem a Chapa 2, é parte da luta por nossa independência de classe diante do governo Lula e de seus indicados na Petrobrás.




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias