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Mães do CEU CEMEI Tremembé denunciam falta de lavanderia, internet, telefone e lixeiras

Mães e pais do CEU CEMEI Tremembé recém inaugurado durante a campanha eleitoral de Bruno Covas para Prefeitura de São Paulo, denunciam falta de lavanderia, internet, telefone e até lixeiras na unidade, e reivindicam condições sanitárias e adequação estrutural através de um abaixo-assinado.

quarta-feira 10 de março | Edição do dia

O polêmico retorno às aulas imposto desde 15/03 pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) e Fernando Padula - Secretário da Educação no município de São Paulo, tem como pano de fundo uma série de denúncias sobre a impossibilidade do cumprimento dos protocolos sanitários que tem levado centenas de servidores, trabalhadores do chão da escola e estudantes e seus familiares à exposição e adoecimento por conta da pandemia do coronavírus.

Apesar da abertura oficial das escolas da rede municipal terem se dado dia 15, inúmeras escolas só puderam ser reabertas uma semana depois, pois às vésperas da reabertura a Prefeitura demitiu milhares de trabalhadoras terceirizadas da limpeza, reduzindo nesse contexto o quadro de limpeza de inúmeras escolas, saiba mais aqui.

O CEU CEMEI Tremembé foi uma das escolas que reabriu apenas dia 22/02, acompanhado de uma série de outras unidades que segundo o protocolo poderiam atender até 35% da sua capacidade, no entanto as famílias das crianças matriculadas no CEU fazem uma denúncia através de um abaixo-assinado por condições sanitárias efetivas, de que apesar da escola recém inaugurada estar atendendo apenas 20% da capacidade, mesmo neste número reduzido apresenta problemas importantes, como a ausência de lavanderia e de lixeiras no prédio, além de que até agora não tem fiação telefônica ou de internet.

A realidade da CEMEI reafirma que ela, assim como outras escolas inauguradas no segundo semestre de 2020, foram golpes de efeito para que Covas pudesse angariar votos e se reeleger, porque apesar de bela e com uma super estrutura física, faltam coisas básicas que impedem o seu funcionamento efetivo, ou seja, deixa de cumprir o seu papel social enquanto escola que é atender com qualidade a população, as crianças e mães que tanto dependem da escola pública.

É possível afirmar também que não faltou tempo desde a inauguração para que a escola estivesse "adequada" aos protocolos, ainda que no contexto da pandemia isso não garante segurança sanitária e esse fator levou a categoria de trabalhadoras da educação a entrar em greve desde 10/02 quando os educadores retornariam presencialmente. O que faltou, à luz do exemplo das demissões das trabalhadoras terceirizadas, foi um compromisso da Prefeitura com a comunidade e com as trabalhadoras da rede, com a vida desses indivíduos.

Um compromisso que garantisse verdadeiras condições sanitárias através de um protocolo construído em conjunto com a comunidade escolar, e não imposto sem diálogo como foi feito; mas também um compromisso racional que garantisse o fechamento das escolas mediante uma piora do contexto pandêmico e não a manutenção da abertura insegura como fazem Covas e Doria (PSDB) mesmo na fase vermelha, passando por cima de orientações de médicos e do próprio Secretário de Saúde do Estado de São Paulo; além de medidas que garantissem que os protocolos pudessem ser cumpridos, como ampliação do quadro de limpeza e efetivação dessas trabalhadoras que são essenciais e agora na pandemia correm ainda mais riscos.

Além de outras questões básicas, essenciais, como testes semanais para estudantes, professores e todos trabalhadores da escola; garantia de isolamento e até fechamentos das escolas mediante confirmações de casos e surtos - questões profundamente distintas da realidade de subnotificação que a Secretaria de Educação administra nesse momento, escondendo casos e mantendo as escolas abertas sem segurança.

No contexto da pandemia, uma escola não pode funcionar sem lixeiras e lavanderia - de modo que as próprias famílias precisam mandar roupa de cama e banho para os bebês e crianças - além de que sem telefone e internet (sequer a fiação foi instalada na unidade), assim as educadoras são obrigadas a usar seus próprios telefones para comunicar seus familiares e dos estudantes mediante qualquer imprevisto, adoecimento, etc; além de que os próprios pais e mães não tem um telefone da escola para contato. Uma situação bastante absurda, ainda mais no contexto atípico que vivemos.

Marília, uma das mães que encabeça o abaixo-assinado e é membro do Conselho de Escola, além de trabalhadora metroviária e portanto de um serviço essencial, enviou um relato ao Esquerda Diário:

"Eu como mãe e trabalhadora do serviço essencial preciso muito da creche para deixar meu filho, mas apesar disso não me sinto segura, imagino que a maioria das mães e pais não se sintam. Por isso também entendo o medo das educadoras e de todos os trabalhadores das escolas que tiveram que reabrir mesmo sem condições sanitárias como vemos no CEU Tremembé onde meu filho estuda. O protocolo é fictício já que a Prefeitura não dá condições para seu cumprimento, me indigna o risco à que expõem nossas crianças, famílias e todos esses trabalhadores."

Nós do Esquerda Diário nos colocamos ao lado da comunidade escolar e das trabalhadoras da educação em greve contra o retorno inseguro às aulas e toda irracionalidade do PSDB em São Paulo, colocando nosso portal à serviço dessas denúncias e da luta da população.

Por fim, reproduzimos o abaixo-assinado organizado por Marília e outras mães que há alguns dias reúne assinaturas de membros da comunidade escolar do CEU CEMEI Tremembé cobrando da Prefeitura verdadeiras condições para o funcionamento da unidade:

"Nós, abaixo-assinados, somos pais e mães de crianças matriculadas no CEMEI Tremembé. Viemos por meio deste exigir providências quanto à garantia da estrutura necessária para o correto cumprimento dos protocolos de segurança e higiene sanitária na referida escola. As aulas presenciais iniciaram dia 22/02 com 20% da capacidade, porém a escola ainda carece de itens básicos como lixeiras e lavanderia, bem como conexão de internet e telefone, mesmo a solicitação já tendo sido encaminhada pela direção da CEMEI para a DRE/SME. Entendemos que no contexto da pandemia que estamos é ainda mais grave a ausência dessas condições mínimas e pode colocar em risco a saúde e a vida de profissionais, crianças, famílias e toda a comunidade escolar.

Sendo assim, solicitamos resolução com urgência dessas pendências para garantir reais condições para que o protocolo desenvolvido pela própria prefeitura possa ser cumprido."




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