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MACHISMO | Machismo no Futebol: Fluminense alega que a categoria feminina é inferior à masculina

A cultura do Futebol, como se expressa também na sociedade capitalista, é carregada historicamente de muito machismo e isso veio a tona mais uma vez em um caso absurdo. O Clube de futebol do Fluminense minimizou a condição de uma atleta do time feminino na justiça, negando um pedido para reconhecimento de vínculo empregatício de 2019, alegando que a modalidade do futebol feminino é inferior à masculina.

quarta-feira 7 de julho | Edição do dia

Foto: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.

O Clube de futebol do Fluminense minimizou a condição de uma atleta do time feminino na justiça, negando um pedido para reconhecimento de vínculo empregatício de 2019, alegando que a modalidade do futebol feminino é inferior à masculina. A cultura do Futebol é carregada historicamente de machismo, expressando todo o machismo do sistema capitalista. Isso veio a tona mais uma vez nesse caso absurdo.

O Clube do Fluminense usou de apoio para suas constatações a “Lei Pelé” para afirmar que o futebol é majoritariamente um esporte praticado por atletas homens. Para os empresários do esporte, as atletas do futebol feminino não merecem vínculo empregatício reconhecido e nem direitos por serem apenas “amadoras”. Afirmam isso mesmo com a jogadora participando pelo time de um campeonato oficial.

No mês do Orgulho LGBTQI+ o Fluminense saiu com camisetas com uma hashtag em arco-íris que dizia #Timedetodos para ser “inclusivo” quando vemos que na prática a direção do Clube e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) oprime as mulheres do time negando seus direitos básicos como o de receber salário e de ter a sua carteira assinada pelo trabalho que desempenha. Na verdade, os que lucram com o futebol e que estão por trás de tudo querem as mulheres e os negros em seus corredores limpando o chão e cada vez mais sem direitos e se utilizam as opressões para aplicar isso na prática e lucrar ainda mais.

Esse caso escandaloso foi invertido na justiça pela juíza Ana Paula Almeida Ferreira que deu a causa ganha para a jogadora (ela terá seu nome preservado para não sofrer retaliações pelo caso) e fez com que o clube assinasse sua carteira de trabalho na função de jogadora de futebol. Além disso, o clube também teve que pagar salários atrasados de R$ 3,3 mil, 13º e férias proporcionais, FGTS e multas. Isso acontece quando o futebol feminino que vem ganhando mais espaço no cenário atual, em um meio extremamente machista. Precisamos lembrar aqui do caso revoltante do Presidente da CBF, Rogério Caboclo, de assédio sexual.

É absurdo quando vemos clubes como o Fluminense que fecham contratos e estão dispostos a pagar centenas de milhares para jogadores da modalidade masculina que faturam milhões enquanto se recusa a dar salários que, perto desses são verdadeiras “migalhas”, para as jogadoras mulheres que desempenham a mesma função no time, desvalorizando o papel das jogadoras profissionais e as rebaixando a amadoras. Esta visão reacionária e misógina de desvalorização em relação à, cada vez maior, presença das mulheres no esporte é completamente atrasada e vai na contramão do que se apresenta mundialmente. As mulheres vêm conquistando espaço nos mais diversos esportes e provando de fato que podem obter os mesmos resultados que os homens. Mas a que custo se ainda com menos direitos pela violência das opressões.

Entretanto, sabemos que essa lógica machista não se restringe apenas ao futebol. Esse é o reflexo do nosso "país do futebol": desigual, machista, preconceituoso e retrógrado. No Brasil presidido por Bolsonaro e Mourão, além do STF e um Congresso abertamente misóginos, a violência de gênero é crescente e a desigualdade salarial se expressa na vida de todas as mulheres trabalhadoras. Essa desigualdade é ainda mais agressiva quando se tratam de mulheres negras que, no Brasil, recebem cerca de 60% a menos do que um homem branco, ocupando os postos mais precarizados e sem direitos fundamentais

Nós do Esquerda Diário rechaçamos a posição do clube do Fluminense e todo o machismo e racismo que impera dentro e fora da indústria dos futebol. Sabemos também que nao podemos ter um pingo de confiança de que a justiça golpista resolverá esses problemas, como expressou a sua atuação para o pessimo desfecho do caso Marri Ferrer a acabopu enquandro o seu estuprador em “estupro culposo”, pois a justiça está do lado da burguesia machista.

Para trabalhos iguais, salários iguais!




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