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Denúncia | MRV: crônicas cariocas de um trabalho infernal detrás de seus lucros milionários

A MRV é uma das maiores empresas de construção do país. Seu nome aparece em muitos canteiros de obras país afora. Aparece até em estádio de futebol em Minas. Seu nome também é conhecido pelas terríveis condições de trabalho e desprezo aos direitos trabalhistas, como enfrentaram os trabalhadores dessa empresa em Campinas em sua longa greve no primeiro semestre. Nesse artigo trazemos denúncias de trabalhadores cariocas que trabalhavam em um grande empreendimento no Meier, Zona Norte da cidade.

quarta-feira 10 de novembro | Edição do dia

A MRV é uma empresa gigantesca, com milhares de funcionários em todo país. De seu suor constroem fortunas a seus donos, fortunas que esbanjam em patrocínios e publicidade com time de futebol e para financiar seus luxos. Só nos dois primeiros trimestres do ano a empresa acumulou um lucro de R$340 milhões. A fórmula secreta disso é o descaso com os trabalhadores.

No primeiro semestre os trabalhadores da MRV nos canteiros de obras em Campinas, interior de São Paulo, cruzaram seus braços exigindo segurança no trabalho e seu direito a PLR. Não conseguiram todas suas demandas devido a intransigência da empresa e o isolamento da greve, algo que as principais centrais sindicais fizeram acontecer já que não levaram a cada canteiro de obras do país a denúncia de que os trabalhadores lá no interior paulista se revoltavam contra uma realidade que é vivida em cada canto do país. O Esquerda Diário levou a canteiros de obras em todo país essa notícia e em cada estado coletou relatos muito parecidos aos vividos em Campinas. Trazemos nessa matéria denúncias de trabalhadores em um grande canteiro de obras da empresa no Meier, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Depois de meses trabalhando em situações completamente insalubres, debaixo de chuva e sob riscos (como evidenciado em fotos nessa matéria) a empresa começou um processo de demissão em massa, uma vez que a obra estava quase concluída resolveu dispensar dezenas de operários. Em novos empreendimentos contrata novos trabalhadores para assim impor sempre um rebaixamento dos salários e uma dificuldade para os trabalhadores se organizarem, protestarem, buscando assustar quem fica e descontinuar a integração dos trabalhadores, sua união.



Instrumentos improvisados e trabalho sob chuva em mais de um canteiro na zona norte do Rio de Janeiro

No Meier, como em todo país, os trabalhadores da MRV são expostos a condições insalubres para que a empresa lucre mais. A situação tão recorrentemente denunciada nos quatro cantos do país ali ecoa também num caso absurdo dos ferramenteiros terem que levar seus próprios instrumentos ao trabalho, não sendo fornecidos pela gigantesca empresa, nem mesmo uma fita métrica padrão, cada um que leve a sua, ou até mesmo um instrumento elementar como um torquês (tipo de alicate).

O descaso não termina nos riscos do trabalho sem instrumentos ou debaixo de chuva, acontecia até mesmo na comida. O cardápio pobre, sem nenhuma opção, e que só é variado quando acontece visita de algum grande empresário ou para mostrar algo em uma videoconferência, escancarando como os trabalhadores são encarados como gente de segunda categoria.

O requinte de exploração da empresa acontece também no assédio moral forçando os trabalhadores a baterem o ponto e seguirem trabalhando para assim não pagar horas-extra, não aceitação de atestados médicos, forçar um deslocamento a vacinação e obrigar o retorno ao trabalho sob pena de descontos, e depois na demissão, forçar os trabalhadores a assinarem termos que sua demissão é “acordada” para receber verbas rescisórias menores e parceladas.

O inferno em cada canteiro de obra, o descaso patronal do alto dos milhões mensais de seus lucros é uma cara da burguesia brasileira, herdeira do latifúndio, do tráfico de escravos. A situação vivida pelos trabalhadores que produziram essas denúncias não é atípica, é generalizada. É necessária a união dos trabalhadores para enfrentar os abusos patronais, enfrentar as condições insalubres e perigosas de trabalho, impor aos sindicatos que organizem assembleias e ações para enfrentar o descaso e desmando de empresas e governos.

💬 O Esquerda Diário está aberto para receber denúncias do seu local de trabalho. Quer denunciar? Mande seu relato para +55 11 97750-9596

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