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3J | MRT no 3J: Greve Geral para derrubar Bolsonaro, Mourão, os ataques e impor uma nova Constituinte

Foram registrados atos em todos os Estados e Distrito Federal, em mais de 110 cidades brasileiras e em dezenas de capitais europeias. O ódio contra Bolsonaro cresce e vem demonstrando que tem disposição de ir por mais, apesar de não ser essa a política do PT e das direções sindicais.

sábado 3 de julho | Edição do dia

O MRT, organização que impulsiona o Esquerda Diário, esteve presente em diversos atos com blocos reunindo trabalhadores de diferentes categorias, junto de jovens estudantes, levantando a necessidade de uma Greve Geral já, convocada e construída pelas grandes centrais sindicais que dirigem milhares de sindicatos espalhados pelo país para anular e derrubar todos os ataques contra os trabalhadores, e com a força das ruas impor uma nova Constituinte.

Confira os blocos do MRT e Esquerda Diário ao longo do artigo.


Bloco em Porto Alegre, RS.


Faixa de São Paulo, capital.

Fala de Maíra Machado em ato em São Paulo.

Antecipados após os escândalos de superfaturamento com as vacinas, os atos de hoje foram convocados pelas organizações sociais como uma jornada de continuidade frente ao 29M e o 19J. Em boa medida, a antecipação da jornada se deu não fruto de uma maior organização nas bases por parte da CUT (dirigida pelo PT) ou da CTB (dirigida pela CTB), mas para canalizar a raiva diante das acusações de corrupção por parte do governo Bolsonaro e Mourão, com aprovação total dos militares. As condições permitiam termos atos muito maiores, se não fosse um claro boicote por parte das organizações ligadas ou subordinadas à política do PT.


Bloco do MRT em Belo Horizonte

Assim como o 29 de maio e 19 de junho, o dia de hoje mostrou mais uma vez que existe um sentimento de urgência para interromper a tragédia promovida pelo governo Bolsonaro. Mas, apesar de o PT no discurso se colocar favorável ao impeachment de Bolsonaro – onde não problematizam em nada a entrada de Mourão e o fortalecimento dos militares que isso traria –, a prática demonstra outro objetivo.

A não construção ofensiva dos atos de hoje (ao contrário de ser por falta de tempo, como disseram) demonstra que o PT quer sim desgastar Bolsonaro e ir desidratando a sua força enquanto candidatura presidencial daqui até 2022, mas atua conscientemente para que essa força não extrapole e não saia do controle de suas direções, pois isso desnortearia o projeto eleitoral de Lula presidente em 2022. Cabe dizer que aqueles na esquerda, como Valério Arcary do Resistência, que dizem que Lula e o PT possuem uma “estratégia quietista” simplesmente colaboram em esconder a política hiperativa do PT em fazer de tudo para controlar cada passo da raiva das massas e canalizá-las para os acordos eleitorais de Lula com a direita (FHC, Kassab, Sarney etc.).

A realidade é clara para quem entende os objetivos do petismo: tem muito mais medo da luta de classes, que odeia, do que da direita, com quem se alia.


Bloco em Campinas, SP.


Bloco em Brasília (DF).

Fala de Letícia Parks, direto de Brasília.


Faixa do bloco em Recife.

Um dos principais argumentos que o PT insinuou no movimento era que as declarações do MBL e do Vem Pra Rua transformaram o caráter do ato, e a conclusão que extraíram foi de contenção do próprio ato. Isso da boca do PT, que está costurando laços com a direita golpista mais podre do país, e cuja presidente, Gleisi Hoffmann, encabeçou junto com Joice Hasselman e Kim Kataguiri a coletiva de imprensa em Brasília para a entrega do pedido de “superimpeachment”.

O combate à direita se faz com um programa de independência de classe, estimulando a auto-organização das massas em cada local de trabalho, para que golpeiem com um só punho nas ruas, nos locais de trabalho e de estudo. Foi, por exemplo, a consigna que o MRT levantou em São Paulo, contra a participação oportunista de alguns elementos do PSDB, sendo a única organização da esquerda a agitar nenhuma aliança com a direita, mostrando que não há lugar para ela e para os partidos burgueses em nossos atos. É na massificação da luta de classes, não em sua contenção, que podemos enfrentar as manobras da direita.

A narrativa do PT sobre “não repetir o erro de 2013” é falsa até a medula dos ossos. Foram a política e as alianças com a direita dos 13 anos de governo do PT que abriram caminho ao golpe institucional e a onda direitista pós Junho de 2013, que havia se iniciado com manifestações de massas de jovens, e em menor medida dos trabalhadores, defendendo serviços públicos e os direitos sociais da população.

Fala de Carolina Cacau, no Rio de Janeiro

A política desorganizadora e demagógica do PT fortalece a direita e suas manobras de realinhamento do regime golpista, preservando Bolsonaro e dando tempo para que haja aplicando todos os ajustes econômicos que o capital financeiro deseja. Falam que “querem impeachment” - uma saída que depende do acordo de todo o regime em colocar o reacionário general Mourão - mas nem isso querem: buscam preparar as eleições de 2022.

Por outro lado, setores da própria burguesia vêm apoiando a política de impeachment, onde alguns setores minoritários até tentaram se somar às manifestações de hoje. O que querem é também ir buscando espaço, dentro das manifestações contrárias a Bolsonaro, para a direita tradicional, o que chamam de “terceira via”.

Não é à toa que o [imperialismo ianque surge com reuniões entre a Cia, de Joe Biden, e Bolsonaro-http://www.esquerdadiario.com.br/Bolsonaro-e-CIA-unificados-para-atacar-os-trabalhadores-e-a-juventude-Fora-imperialismo]. O recado que querem dar é claro: ou o governo abaixa a cabeça para os planos norte-americanos para o Brasil, ou a cabeça de Bolsonaro estará a prêmio, assim como decapitaram as dos trumpistas Ernesto Araújo e Ricardo Salles.

Não podemos assistir a esse circo e sermos acríticos a políticas como o “super pedido de impeachment”, impulsionado por diversas figuras bizarras e asquerosas como Kim Kataguiri, Joice Hasselmann, e que setores da esquerda como PSOL, PSTU, UP e PCB também assinam, fazendo coro com essas tentativas de desviar a força das manifestações para fortalecer Mourão ou essa “terceira via”.


Bloco em Rio Grande do Norte, Natal.

Fala de Marie, em Natal, RN.


Cartaz amplamente distribuído por todo o país. Foto em Campina Grande (PB).

Batalhar contra a interferência do imperialismo no Brasil, para derrubar Bolsonaro, Mourão e os ajustes, exige uma política séria de auto-organização pela base, a construção de comitês pela greve geral que tenham participação ativa dos trabalhadores e jovens, que obrigue as apodrecidas burocracias sindicais da CUT e da CTB a convocarem uma Greve Geral. Falar em “Greve Geral” e bater palma para tudo o que faz a burocracia, como o PSTU, não adianta nada (pior ainda, aparecendo com Zé Maria ao lado da direita em nome do impeachment).

Os stalinistas do PCB e da UP, que fingem combatividade no discurso, estavam “bravamente” junto a Hasselman e Kataguiri em Brasília (para Jones Manoel, o problema é que não eram “caciques da direita”, aliados mais adequados na sua visão) defendendo a mesma política do PT. O que isso tem a ver com “fazer como no Chile e na Colômbia”? Os stalinistas nada mais fazem que se aliar com as versões brasileiras de Piñera e Duque.

Pelo lado do PSOL, sua ala majoritária atua como porta-voz do programa do PT. Já o MES/PSOL, em seu artigo de 30 de junho, defende o mesmo impeachment que Fernanda Melchionna defendeu ao lado da direita em Brasília, subordinando os atos “à continuidade dos trabalhos da CPI”. Os atos devem ser a extensão dos debates parlamentares entre as forças do regime? Não é a CPI cheia de golpistas que vai derrubar Bolsonaro, é nossa força na luta de classes. Não é à toa que o MES, ao mesmo tempo que diz “apresentar uma candidatura independente”, não fala nada sobre as burocracia petistas e seu papel de contenção, e mesmo seu candidato Glauber Braga confessa que se for necessário para que Lula vença no primeiro turno de 2022, retirará sua candidatura. Muita independência. Já o Socialismo ou Barbárie, corrente brasileira do Nuevo MAS argentino, resume sua política em impeachment e eleições gerais já… para coroar Lula.
Essa política da esquerda brasileira, que leva ao beco sem saída do que permite o regime golpista (pressão máxima sobre Bolsonaro), colabora para que um polo alternativo, à esquerda do PT, não se desenvolva.

Fizemos pelo Esquerda Diário um chamado a toda a esquerda a construir um Comitê pela Greve Geral. É urgente tomarmos em nossas mãos essa construção, e não permitir que o PT siga impunemente enfraquecendo as forças que querem de fato derrubar Bolsonaro, mas também todo o regime do golpe e seus ajustes (privatização da Eletrobrás, reforma administrativa, etc.) que precisam ser enfrentados agora.

Os rumos das manifestações estão em disputa. É por isso que os blocos do Esquerda Diário e o MRT colocam a necessidade de uma Greve Geral já, construída imediatamente pelas direções sindicais. Isso deixaria claro que os rumos de nossas manifestações são controlados pelos trabalhadores, que podem mostrar sua enorme força parando locais de trabalho e de estudo, colocando a nossa classe para ser sujeito dos rumos da luta contra Bolsonaro, Mourão e todos os setores do regime político, para barrar os ataques e ser parte de uma luta para impor uma nova Constituinte, Livre e Soberana, que liquide os poderes estabelecidos por essas instituições e ponha nas mãos da população a solução dos grandes problemas do país. Nada disso poderia ser feito sem organismos de auto-organização, que o PT rejeita, para enfrentar a resistência dos capitalistas e seus partidos a qualquer modificação estrutural. Nesse choque entre as classes é que se abre a oportunidade de avançar a um governo dos trabalhadores, de ruptura com o capitalismo.

Confira o episódio do programa O Brasil não é para amadores, apresentado por Danilo Paris, comentando as manifestações de hoje.




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