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Volta às aulas | MEC de Bolsonaro faz demagogia pela reabertura das escolas e ignora nossos mortos

O pronunciamento do Ministro da Educação de Bolsonaro, Milton Ribeiro, reivindicando o retorno presencial imediato das aulas e contra a vacinação como condição foi um show de demagogia e uma afronta aos mortos na pandemia. São as comunidades escolares que devem decidir quando e sob que condições retornar às aulas presenciais, com segurança para professores, funcionários e estudantes.

quarta-feira 21 de julho | Edição do dia

Foto: TV Brasil / Reprodução

Ontem (20), o pastor e Ministro da Educação de Bolsonaro, Milton Ribeiro, fez um pronunciamento onde apelou ao retorno presencial das aulas nas escolas, demagogicamente se utilizando das situações de outros países e de levantamentos de entidades como a Unicef para denunciar os impactos negativos da paralisação das aulas na pandemia para as crianças.

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O governo Bolsonaro, assim como um amplo espectro de governadores estaduais, como Rui Costa (PT) e João Doria (PSDB), se utilizam desses elementos, como a defasagem, a evasão, os problemas psicológicos e profissionais envolvidos na suspensão das aulas presenciais pela pandemia, de forma demagógica para colocar estudantes e familiares contra os professores, como se esses profissionais que mais do que ninguém conhecem a realidade das escolas, não se preocupassem com os estudantes, crianças e jovens e não batalhessem por condições seguras para esse retorno.

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No Brasil, a escola desempenha um papel não só educativo, mas também social, com a miséria e a fome sendo realidades diárias e crescentes na vida de muitos estudantes, que tem na escola muitas vezes uma das únicas refeições do dia. Porém, essa não é a preocupação de Milton Ribeiro, nem de governadores como Doria, que cortam do orçamento das merendas e prefeririam que as crianças recebessem ração ao invés de comida no prato. O que eles se preocupam é com os lucros da educação privada, que pressionam pela reabertura total e sem preocupações sanitárias e psicológicas para as inúmeras famílias que já perderam entes queridos por essa condução criminosa dos governos em relação a pandemia, e com os impactos econômicos que a suspensão das atividades presenciais nas escolas tem nos lucros dos patrões das mães e pais de alunos.

Acontece que, apesar de falarem em grandes orçamentos para realizar esses retornos, na prática até agora não vimos esse dinheiro em lugar nenhum. Sub-utilizam os orçamentos, impõem retornos acima da capacidade das escolas, não garantem as condições estruturais ou sanitárias mínimas para que a reabertura seja mais organizada e segura para toda a comunidade escolar. Não houve contratação de profissionais da limpeza, bem como sua estabilidade, para garantir a higienização das escolas, mas sim o oposto: centenas de trabalhadoras terceirizadas perderam seus postos de trabalho na pandemia. E também, sequer a totalidade dos professores e estudantes receberam a estrutura necessária prometida para garantir o acesso às aulas online. Hoje ainda existem escolas sem o minimo, banheiro e torneira para lavar as mãos.

Milton Ribeiro também disse que "a vacinação de toda a comunidade escolar não pode ser condição para a reabertura das escolas". Bom, e nem teria como, visto que o governo de Bolsonaro, Mourão e dos militares negou sistematicamente a compra de imunizantes desde o ano passado, para então passar ao envolvimento direto em escândalos de corrupção e superfaturamento na aquisição destes.

Nós do Esquerda Diário, junto aos professores do movimento Nossa Classe Educação, reivindicamos a vacinação para o conjunto das comunidades escolares e levantamos a necessidade de comissões de segurança e higiene em todas as escolas, formadas pelas próprias comunidades. Enquanto Ribeiro diz que, se pudesse, já teria decretado o retorno, opinamos que deve ser através do debate e da auto-organização das comunidades escolares, com os estudantes, pais, professores e demais trabalhadores das escolas decidindo quando e sob que condições deve se dar o retorno presencial, e não políticos representantes dos interesses empresariais e bem instalados em seus gabinetes com altos salários e privilégios.




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