Sociedade

YANOMAMIS

Lutemos contra a perseguição de Bolsonaro, Ricardo Salles e militares aos Yanomamis!

Há duas semanas, o território dos yanomamis em Roraima vem sofrendo ataques dos garimpeiros, que se apoiam em Bolsonaro para perseguir os indígenas, com tiros e bombas. Os moradores da região apreenderam materiais dos garimpeiros por os considerarem danosos à natureza e à região. Palimiú, região atacada, fica na rota de garimpo e, por isso, esses indígenas são constantemente atacados e assassinados pelos criminosos extrativistas, que chegaram a matar duas crianças yanomamis.

segunda-feira 31 de maio| Edição do dia

Foto: AFP/Arquivos

A “proteção” que a justiça federal determinou foi o envio de tropas policiais à região, mas a verdade é que polícia nenhuma vai proteger os indígenas, pois essa é a mesma polícia que cumpre historicamente o papel de oprimir os povos originários e o povo negro. É preciso que esses povos oprimidos, em conjunto com os trabalhadores, a juventude, que demonstrou sua força neste 29 de Maio, lutem contra os ataques dos grandes barões do extrativismo, dos latifundiários e de todo esse sistema que lucra com o sangue dos indígenas, dos negros e dos trabalhadores.

No sábado, as ruas expressaram o rechaço ao governo Bolsonaro, assim como expressaram as lideranças yanomamis à visita de Bolsonaro à comunidade Maturacá, em São Gabriel da Cachoeira (AM). Bolsonaro é inimigo declarado dos direitos das populações indígenas e apoiador do garimpo que assassina yanomamis. As lideranças exigem que o governo fiscalize os entornos de território indígenas e evite invasões, como as de garimpeiros que vêm entrando em conflito com indígenas, assim como mais investimentos no Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), denunciando que faltam medicamentos, pessoal e estrutura, e que os casos de malária vêm crescendo.

Bolsonaro tem como aliado o governador de Roraima, Antonio Denarium (sem partido), estado que é um bastião da sua política reacionária do extrativismo desenfreado de Ricardo Salles e Bolsonaro. Contra esse reacionarismo, não podemos confiar na justiça federal burguesa, que determina envio de força de repressão, assim como o STF, que coloca o julgamento do Marco Temporal, um dos maiores ataques aos direitos dos povos indígenas à terra desde a Constituinte de 1988. Ou mesmo Mourão, que chegou a defender o garimpo, alegando que indígenas pudessem ter um meio de "subsistência e não viver segregado na mata".

Os militares fazem coro com Mourão, porque lucram com as atividades ilícitas de extrativismo na região amazônica como um todo, das madeireiras e também do agronegócio. Mourão mesmo é chefe da Comissão da Amazônia que deveria supostamente ser encarregada de “defender” a floresta, mas acaba servindo como uma via de controle e lucro dessas altas patentes corruptas e assassinas. Querem impor uma política de terra arrasada no país, retirando direitos, privatizando empresas e tudo isso com base em um nível de autoritarismo cada vez maior disputando força política nas Forças Armadas. O centrão compra votos com o “tratoraço” bilionário de Bolsonaro e aprovou recentemente um PL de flexibilização das licitações ambientais que visa atacar também os indígenas e quilombolas no país.

É necessário que a nossa luta seja contra todo o autoritarismo e perseguição, contra a perseguição de Bolsonaro, Ricardo Salles e militares aos Yanomamis. É necessário um programa anticapitalista e de independência de classe que se enfrente com o conjunto desses atores do regime, na perspectiva de garantir uma convivência harmoniosa entre o homem e a natureza que passa por derrubar esse sistema capitalista miserável que promove morte e destruição pela sede de lucro. E não que seja alimentada uma confiança em saídas institucionais, como faz o PT com a CPI da Covid, se utilizando do argumento do impeachment para asfaltar a avenida das eleições de Lula em 2022. Em 2013, durante o governo Dilma (PT) a região de Alto Alegre, também em Roraima, foi palco de confronto armado que deixou 5 mortos e sete feridos.

Nossa luta tem que ser independente do PT, e é nesse sentido que fazemos um chamado à esquerda (PSOL, UP, PCB) a exigir das burocracias sindicais, como a CUT e a CTB, centrais sindicais dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, que convoquem uma paralisação nacional por Fora Bolsonaro, Mourão e militares, também em defesa das terras e direitos indígenas contra todo o regime do golpe de 2016. Por isso também temos que impor pela nossa luta uma nova Constituinte Livre e Soberana que garanta a revogação dessas medidas, a demarcação garantida de territórios indígenas e quilombolas, com uma reforma agrária radical que garanta suas autonomias e desmantele o poder latifundiário e o extrativismo desenfreado. Que essa luta possa abrir também caminho para um governo dos trabalhadores em aliança com os setores oprimidos da sociedade que busque romper com o capitalismo e construir uma nova sociedade que tenha como um de seus objetivos socialistas a defesa da vida e do meio ambiente.

Veja também: Os garimpeiros em Roraima se apoiam em Bolsonaro para perseguir os Yanomamis




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