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COP 26 | Lutar contra Bolsonaro e seu negacionismo ambiental, sem confiar no capitalismo verde

O Brasil iniciou a sua participação na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, COP 26, em Glasgow, na Escócia, nesta segunda (1 de novembro), sem a participação de Bolsonaro. O país foi representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

terça-feira 2 de novembro | Edição do dia

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A crise ambiental que enfrenta o Brasil é catastrófica, como vivenciamos nos últimos anos com as brutais queimadas na Amazônia, Pantanal e Chapada dos Veadeiros, citando os exemplos mais escandalosos, ainda sem dizer dos frequentes ataques a terras indígenas e quilombolas pela especulação imobiliária. Um levantamento do Imazon mostrou que o desmatamento na Amazônia na temporada 2020/2021 é o maior dos últimos dez anos e que, nos últimos 12 meses, a floresta perdeu uma área equivalente a nove vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro. Outro levantamento também feito por esse instituto mostra que a Amazônia perdeu mais de 4 mil campos de futebol por dia em setembro, o maior já registrado para o mês em 10 anos.

Enquanto isso, na reunião de cúpula do imperialismo, a COP 26, o ministro do Meio Ambiente brasileiro diz que vai acabar com o desmatamento ilegal até 2028. Afirmação altamente falaciosa, visto que Joaquim Leite, apoia abertamente a gestão de Ricardo Salles na pasta e a bancada ruralista. Vale lembrar que o atual ministro foi também conselheiro da SRB (Sociedade Rural Brasileira) por 23 anos, e que essa sociedade foi apoiadora da gestão de Salles.

Já Bolsonaro enviou um vídeo que foi transmitido antes dos anúncios de Leite. Ele ignorou os recordes de desmatamento registrados na Amazônia e demais biomas desde 2019 e apenas afirmou: "O Brasil é parte da solução para superar esse desafio global. Os resultados alcançados até 2020 demonstram que podemos ser mais ambiciosos". Um destilamento de negacionismo ambiental, totalmente por fora conscientemente da realidade dos nossos biomas e recursos naturais.

Exemplo desse negacionismo também houve no ano passado no G20, em que Bolsonaro disse: "O hino nacional de meu país diz que o Brasil é gigante pela própria natureza. Estejam certos de que nada mudará isso. Vamos continuar protegendo nossa Amazônia, nosso Pantanal e todos os nossos biomas".

E, neste ano de 2021, o governo de Bolsonaro e Mourão está propondo retirar a expansão de áreas verdes das metas ambientais. Com a exclusão da meta de expansão das áreas verdes, o governo Bolsonaro elimina a qualquer perspectiva de aumento das áreas de proteção ambiental e de recuperação de áreas degradadas. As mudanças constam na minuta de projeto de lei, que visa revogar a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) de 2009 que instituiu a política de governo com relação às mudanças climáticas. No novo documento, estariam excluídas qualquer meta de aumento das áreas verdes e recuperação das áreas já degradadas por queimadas, abatimento de árvores por madeireiros, mineração ou pecuária ou qualquer outro tipo de destruição dos biomas naturais por ação do homem.

A realidade é que Bolsonaro não cansa de mentir em qualquer aspecto. No encontro do G20, que ocorreu na Itália, Bolsonaro falou para Erdogan que no Brasil "está tudo bem. A economia voltando bem forte" e que tem "apoio popular muito grande".

Veja também: Polícia italiana reprime e agride manifestantes contrários a Bolsonaro após encontro do G20

Quem de fato se beneficia com as medidas anti-meio ambiente de Bolsonaro é o agronegócio, uma força reacionária e destruidora do meio ambiente, apoiadora de um governo racista de extrema-direita, assassina de indígenas e responsável por atear fogo anualmente em uma área de vegetação maior do que a Inglaterra.

Junto com Bolsonaro, os militares e o Centrão, destruiram os órgãos de fiscalização e proteção ambiental como o Ibama, fizeram a festa da extração ilegal e atacam os indígenas com o PL490 e o Marco Temporal. Mais recentemente Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, conseguiu a aprovação do PL da Grilagem na Câmara, regularizando a tomada de terras públicas e facilitando o desmatamento e a mineração ilegal. São a expressão do sistema capitalista cuja verdadeira preocupação é enriquecer um punhado de parasitas que vêem o mundo como mercadoria e oportunidade de negócio, enquanto a crise é descarregada nas costas dos trabalhadores, jovens, povos originários, mulheres, negros, LGBTQIA+ e do povo pobre.

É preciso acabar com as isenções fiscais e taxar os lucros do agronegócio, garantir a demarcação e o direito dos povos indígenas sobre a terra, com uma reforma agrária que acabe com os senhores do interior e com a exploração do nosso território perpetuada por eles junto com as multinacionais do agronegócio e da logística, que lucram trilhões exportando alimentos enquanto passamos fome.

Nesse sentido, não podemos ter nenhuma confiança no imperialismo norte-americano ou europeu e em sua demagogia de "capitalismo verde". Biden, Macron e as outras potências capitalistas são os maiores poluidores mundiais, representantes políticos dos grande capitalistas que vêem nas nossas riquezas naturais e na biodiversidade amazônica grandes oportunidades de enriquecimento.

Precisamos unificar as fileiras da classe trabalhadora, junto à juventude, os povos indígenas, as mulheres, o povo negro, a população pobre e LGBTQIs. Uma ampla unidade assim poderia elevar para um enfrentamento ao governo e o regime de conjunto, além de exigir de maneira unificada o agronegócio e os empresários. É necessário exigir que as grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, assim como a UNE, organizem com assembleias de base um plano de luta nacional, rumo à construção de uma grande paralisação nacional. Ao contrário do que fazem, que é articular a desconstrução das próximas manifestações do 15 de Novembro, ao sugerirem reunião de cúpula de lideranças em ambiente fechado, em vez de atos de rua. É a classe trabalhadora organizada que detém a força capaz de enfrentar todos os ataques dos governos e dos patrões.

Por isso, colocamos a necessidade de impor pela nossa luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde poderíamos debater a reversão das reformas e privatizações, e saídas para todas as questões urgentes sofridas no país, contrastando com a reação do capital e seus representantes, evidenciando o antagonismo profundo dos interesses de classe e que é preciso decidir se seguimos sendo nós a pagarmos pela crise e pela catástrofe climática que eles criaram.

Fora Bolsonaro, Mourão e todo esse regime político do Brasil e do mundo, sem confiança no capitalismo verde, porque é a classe trabalhadora, que move todas as máquinas, toda a produção, todo o transporte e serviços, possui a força social para, organizada, derrubar todo esse sistema e seus representantes, e construir no lugar uma nova sociedade, com uma economia planificada, ecologicamente sustentável e que atenda às necessidades mais urgentes da população. A crise ambiental e climática só comprova que o capitalismo precisa acabar.

O capitalismo destroi o planeta, destruamos o capitalismo




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