Política

ELEIÇÕES 2018

"Livre e independente": Campanha de Bolsonaro mente descaradamente nas redes

Com apenas 8 segundos de TV no primeiro turno por estar em um partido "nanico", Bolsonaro apela para uma campanha nas redes sociais, recheadas de mentiras e calúnias. Ele diz, em seu novo programa, ser "livre e independente", mas aqui mostramos as alianças mais sujas do candidato, que brada contra os privilégios e a corrupção, mas que na realidade deita e rola em cima deles.

segunda-feira 15 de outubro de 2018| Edição do dia

Em seu programa eleitoral do segundo turno, Bolsonaro justifica o pouco tempo de TV pelo pequeno tamanho de seu partido e por se "recusar" a utilizar o fundo eleitoral. É mais uma mentira: o fundo eleitoral foi utilizado por todos os partidos, incluindo o PSL, conforme divulgado pelo TSE. O único partido que não fez uso de verbas do fundo eleitoral foi o Partido Novo, que é ofensivamente patrocinado por grandes empresários, como membro do conselho do banco Itaú, que declarou ter feito uma doação bastante generosa ao ex-presidenciável. Amoêdo é outro que tenta se vender como um candidato de chapa "puro sangue", mas deixou clara sua política de aliança com a burguesia não só pelo programa neoliberal levantado por Amoêdo, mas também pelo caráter de sua campanha e seus apoiadores.

O partido de Bolsonaro recebeu este ano R$ 6,2 milhões para a realização da campanha de seus candidatos. A verba destinada para cada partido é calculada segundo o número de cadeiras no parlamento. Assim, em 2019, o partido de Jair Bolsonaro receberá 110 milhões em recursos devido ao aumento do número de parlamentares para 52.

A campanha de Bolsonaro nas redes é recheadas das maiores mentiras e hipocrisias. Bolsonaro recebeu propina de R$200 mil da JBS para sua candidatura a deputado e, quando questionado em entrevista, declarou: "Qual partido não recebeu?", mostrando que não tem nenhum problema em não ser nada "livre e independente" recebendo centenas de milhares de reais de grandes empresas. A JBS é a empresa dos irmão Batista envolvida em escândalos de corrupção envolvendo diversos partidos e figuras políticas, inclusive o golpista Michel Temer, que comprou 1.829 políticos junto com Bolsonaro.

Bolsonaro e os deputados de sua legenda também tiveram seus apoios espúrios de patrões e de outros partidos. O maior doador deste ano é o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente da Cosan, gigante do setor de energia. Rubens doou R$ 200 mil para o deputado federal reeleito Onyx Lorenzoni (DEM), já anunciado como Ministro da Casa Civil para o possível governo de Bolsonaro. Lembremos que uma das estatais cotadas para ser privatizada por Bolsonaro e Guedes é justamente a Eletrobrás, gigante estatal do setor energético, e Onyx estará muito bem localizado para beneficiar seus "patrocinadores". Não foi só o deputado Onyx que recebeu verba para se eleger: o Coronel Salema (PSL), deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro, também esta sendo investigado por receber verba de Eduardo Paes (DEM) para confecção de santinhos ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.

De alianças espúrias, Jair Bolsonaro é um grande entendedor. Apesar de iniciar sua campanha na televisão afirmando ser "livre e independente", Bolsonaro tem um longo histórico de alianças sujas no parlamento e que mostram muito bem o quão "independente" é. Um exemplo disso é quando gravou um vídeo dizendo que não votaria a favor da Emenda Constitucional 95, que congelou os gastos públicos em educação e saúde por 20 anos (na época, PEC 241 que tramitava na Câmara), e após uma reunião privada com Temer gravou outro vídeo voltando atrás. Entre outras medidas "independentes" que Bolsonaro votou muito bem comportado ao lado de Temer e contra os trabalhadores e o povo estão a reforma trabalhista e se absteve na votação da lei da terceirização irrestrita (sendo que seu filho Eduardo votou a favor). Sempre comendo na mão do governo Temer e de todos os seus ataques, e já se comprometeu a dar continuidade com o maior deles, a reforma da previdência. O que esse breve histórico mostra é que se ele é "independente e livre" de alguma coisa é dos interesses do povo mais pobre e dos trabalhadores.

Bolsonaro mantém firmes alianças com setores da burguesia, como por exemplo o agronegócio, recebendo amplo apoio político de figuras caricatas do ramo dos latifundiários, como Ana Amélia, vice de Alckmin em sua campanha nas eleições deste ano. Além disso, Bolsonaro conta com o apoio ofensivo das forças armadas, que estarão nos mais diversos postos em seu governo, garantindo que os ataques mais reacionários contra trabalhadores e todos os setores oprimidos sejam realizados. Apesar dele exaltar o crescimento da bancada de seu partido, o programa de governo de Bolsonaro ostenta uma lista imensa de ataques à classe trabalhadora de interesse dos capitalistas, como privatizações e uma nova versão da Reforma da previdência que Temer fracassou. Para isso, continuará mantendo as alianças com diversos partidos do congresso, uma vez que é preciso ter 3/5 das votações para aprovar as Emendas Constitucionais que aprovarão os duros ataques contra a classe trabalhadora que irá travar.

Autor de projetos que privilegiam os deputados e grande defensor dos benefícios que recebe, como pode ser relembrado aqui, Jair Bolsonaro mente descaradamente ao dizer que sua candidatura é "livre e independente". De um lado, alianças no passado com os políticos mais sujos que aprovaram dezenas de ataques contra os trabalhadores, e de outro, Steve Bannon, que foi coordenador da campanha de Donald Trump, que a partir da utilização de dados obtidos de forma ilegal foi responsável por manipular resultados que levaram até a Casa Branca o candidato xenófobo, racista e machista. O reacionário e ultraneoliberal Jair Bolsonaro está encrustado na lama da política e dos capitalistas até o pescoço, que por anos recebeu auxílio moradia mesmo tendo imóvel próprio e ostentou todos os privilégios de seus quase 30 anos como deputado. Não há como negar.




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