Liminar que obriga Unicamp a divulgar sua lista de vacinados escancara a falta de vacinas

Reitoria da Unicamp divulga nomes de vacinados contra a Covid-19 após determinação judicial atender ação civil movida pelo Sindicato dos trabalhadores da Unicamp (STU) exigindo a lista. A expansão da nova onda pandêmica e o sigilo, até então, da lista de vacinados por parte das burocracias acadêmicas e da reitoria expressam a crise instalada pela insuficiente quantidade de vacinas fornecidas pelo governo Dória que provoca disputa entre os próprios trabalhadores da linha de frente, além de dividir ainda mais terceirizados e efetivos.

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

Após surgirem rumores na universidade que pessoas fora do grupo prioritário já tinham sido vacinadas, o Sindicato do trabalhadores da Unicamp emitiu uma ação civil para que a lista de vacinados se tornasse pública, a fim de averiguar se os protocolos do plano de vacinação estavam sendo cumpridos. Na determinação judicial que atendeu à ação consta que a lista de vacinação é de interesse público e que a transparência e o cumprimento fiel da lista de imunizados contribuem na fiscalização do procedimento, segundo o juiz Wagner Roby Gidaro.

Segundo o Plano Nacional de Imunização, os profissionais da saúde devem ser o primeiro grupo a ser vacinado, precedendo os idosos. No entanto, o governo de Dória (PSDB) não destinou suficientemente a quantidade de doses necessárias para imunizar profissionais que estão atuando na linha de frente, que inclui também os residentes, os técnicos de enfermagem, pessoal de limpeza, vigilância, alimentação, técnicos administrativos, além dos médicos e enfermeiros. A alta exposição, o aumento do número de casos e a baixa quantidade de doses chega a provocar disputas entre os próprios trabalhadores da saúde na corrida pela imunização.

Sem qualquer medida que garantisse um controle científico da pandemia, como testes massivos, redirecionamento de setores industriais para a produção de EPIs e insumos hospitalares, contratação emergencial de pessoal, São Paulo acumulou, sob a gestão tucana de Covas e Dória, o maior número de trabalhadores mortos de forma geral e principalmente na saúde, os quais seguiram trabalhando sobrecarregados, sem a devida segurança contra a alta exposição e com um sistema de saúde precarizado pela falta de leitos e respiradores.

As reitorias da Unicamp e USP, que emitiram comunicado por meio do Cruesp exaltando o avanço dos estudos científicos que possibilitaram o desenvolvimento e uso das vacinas CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) e ChAdOx1 (AztraZeneca/Fiocruz), negligenciaram grupos de risco de seus próprios hospitais não os liberando durante a pandemia. Situações recorrentes entre os trabalhadores do Hospital da Clínicas da Unicamp apontam descaso da gestão municipal de Jonas Donizette (PSB), mas também da reitoria ao longo de uma série de denúncias de racionamento de máscaras, insuficiência de EPIs e álcool em gel, em pleno pico da pandemia em meados de 2020. Nem mesmo a aplicação de testes massivos entre todos os trabalhadores foi realizada, e esse cenário apenas se repete com Saadi (Republicanos) à prefeitura da cidade.

No caso da USP, foram 15 trabalhadores mortos no Hospital Universitário até o final do ano passado. Já neste ano, com o começo da vacinação, as doses entregues pelo governo não atendiam nem sequer a equipe de médicos e enfermeiros. Cerca de 2 mil profissionais atuam no HU, porém em torno de 700 vacinas foram fornecidas, fazendo com que os terceirizados da limpeza ficassem de fora da imunização, ainda que trabalhando nas mesmas alas de exposição que médicos e enfermeiros.

Em meio a esse cenário de divisão e disputa entre os próprios trabalhadores para a imunização, os trabalhadores do HU da USP protagonizam uma firme paralisação pela necessidade de um plano universal de vacinação, demonstrando que a luta organizada é o único meio para combater o criminoso descaso com a saúde dos trabalhadores neste hospital e escancarar a demagogia de João Dória com a vacina e os plano das superintendências dos hospitais.

No dia último dia 25 de janeiro, o Cruesp afirmou em ofício à secretária de Saúde estadual que “Somos cientes das dificuldades em gerenciar o número limitado de doses existentes no Estado, mas gostaríamos (...) de solicitar que sejam enviadas doses suficientes para hospitais públicos e filantrópicos, que atendem pelo SUS, nos quais os hospitais universitários se encontram. A saúde dos trabalhadores, estudantes e profissionais em treinamento nesses locais tem sido e será fundamental para o enfrentamento da pandemia.”

O próprio Cruesp necessitou admitir no mesmo ofício que “(...) há diversos hospitais que ainda não receberam doses da vacina, ou receberam quantidade insuficiente nos primeiros lotes da vacina. Isto tem gerado imensos conflitos internos e insatisfação generalizada (...)”, evidenciando, assim, a debilidade extrema do plano de vacinação e a disputa que as poucas doses provocam dentro das próprias equipes nos hospitais.

Sob a gestão da pandemia no país, que contou com o extremo negacionismo de Bolsonaro e toda irracionalidade do tratamento da crise sanitária pelo Ministério da Saúde, Dória e sua demagogia “racional” não prestou qualquer plano que colocasse a vida dos trabalhadores em primeiro lugar. Sem apostar na demagogia de Dória e para desmascarar a responsabilidade das burocracias acadêmicas, a organização independente dos trabalhadores, utilizando seus sindicatos como ferramenta, é o único meio para reivindicar a produção de vacinas, a organização, distribuição e aplicação das doses, sob um plano universal de vacinação, totalmente público e com controle dos próprios profissionais.

Como divulgada em nota assinada por vários CAs da Unicamp, é fundamental que os estudantes apoiem e sejam parte de batalhar por vacina para todos, a começar pela linha de frente em grandes centros de conhecimento como a Unicamp. A mobilização do HU pode servir de exemplo aos trabalhadores da Unicamp.




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