Mundo Operário

TERCEIRIZADAS DA USP

Lições da luta das trabalhadoras terceirizadas contra demissões na FOUSP

sexta-feira 9 de abril| Edição do dia

“Tá difícil a situação! O que tá acontecendo em Manaus dá um aperto no coração da gente. Como pode um presidente abandonar o povo assim?”

Ligamos a TV, lemos nos jornais, já são mais de 230 mil mortos pela covid no país. A situação de Manaus nos mostra como os patrões e os governos menosprezam as nossas vidas. Enquanto dezenas de pessoas morrem asfixiados por falta de cilindros de oxigênio, os empresários mantinham estocados os cilindros para depois vender mais caro. E Bolsonaro fala: E daí?!

João Doria não é diferente. Ele faz demagogia na TV, usando a vacina do Butantã como moeda de troca para conseguir apoio político pensando na eleição de 2022 .

“Todo trabalhador do hospital é parte da linha de frente e precisa ser tratado igual aos outros. Precisa ser vacinado. A vacina tem que ser para todos, não importa se é efetivo, se é terceirizado, se é estagiário. Trabalha no hospital tem que vacinar!”

Na USP vimos como o reitor e a administração do hospital trata dessa questão: As trabalhadoras e trabalhadores terceirizados são os últimos a se vacinarem! E isso depois de muita luta, com paralisação e ato na porta do hospital, chamando a atenção da mídia e da população para tamanho descaso.

“É muita humilhação! A gente é tratado como se não valesse nada, como se a gente não morresse, não precisasse comer, não tivesse família pra sustentar. Quando tentaram me demitir eu senti que não valia nada. Ninguém pensou que eu preciso desse trabalho? Que eu tenho que sustentar meus filhos, que sou sozinha? Sou pai e mãe pra eles.”

Nem governo nem patrões estão do nosso lado. As reformas como a da previdência, os ataques aos trabalhadores com a retirada de direitos, os cortes na saúde e educação, tudo isso está a serviço de favorecer o lucro dos empresários capitalistas às custas do empobrecimento e precarização da vida dos trabalhadores. .3
Por isso, a nossa classe, a classe trabalhadora, precisa confiar somente nas suas próprias forças.

1.Auto-organização

“Quando eu vi as meninas de braços cruzados junto com a gente, mesmo aquelas que não estavam na lista pra serem demitidas, fiquei emocionada. Entendi que a gente unida é mais forte!”

São as mãos dos trabalhadores que produzem tudo que hoje circula na sociedade. Os patrões sabem da força da nossa classe. Por isso, fazem tudo para nos dividir. Homens e mulheres, brancos e negros, nativos e imigrantes, efetivos e terceirizados.
As brigas cotidianas e a competição entre trabalhadoras são esperadas e incentivadas pelos donos das empresas. Isso porque nos afastam umas das outras para que não tomemos a defesa de uma trabalhadora quando ela é atacada ou demitida. No entanto, a luta das trabalhadoras terceirizadas da USP mostra que mesmo com as diferenças que temos, estamos do mesmo lado. Do lado dos explorados.

A única língua que eles entendem é quando os trabalhadores cruzam os braços e paralisam todo o trabalho.

Na USP a luta das trabalhadoras terceirizadas já vem de anos. Greves históricas como a de 2005, 2011 e 2013 deixaram grandes lições de organização, de união, de solidariedade de classe. Essas experiências fazem as lutas de hoje não partirem do zero. Buscar unificar as trabalhadoras, organizar reuniões e assembleias com discussões e votação das propostas, eleger representantes entre as trabalhadoras para participar das negociações levando o que foi votado nas assembleias, tudo isso são importantes lições que marcam a história de luta das trabalhadoras e trabalhadores da USP em geral e que ficam na história da nossa classe.

O livro “A Precarização tem Rosto de Mulher” foi escrito para preservar as lições dessas greves e servir de inspiração para todas as mulheres trabalhadoras que se rebelam contra os patrões e contra a opressão que sofrem por serem mulheres. “Nesta luta eu aprendi que não podia ter um patrão dentro de casa.”

As importantes lutas que ocorreram nos últimos meses: a paralisação das terceirizadas da Higienix no HU pela regularização do INSS, a paralisação das terceirizadas da Interativa na Faculdade de Odontologia e a greve dos funcionários do HU, deixaram lições importante para avançar na luta em meio ao governo reacionário de Bolsonaro.

2. Unidade da classe trabalhadora

“Aqui conseguimos barrar as demissões. Mas, como ficam as mulheres que trabalham em outras unidades? Por que nosso sindicato não luta para impedir todas as demissões da empresa?”

A burocracia sindical, que controla boa parte dos sindicatos do país e controla a CUT e a CTB, que são as maiores centrais sindicais hoje, funcionam como freio das lutas dos trabalhadores. O PT, que está à frente da CUT, e o PCdoB, que comanda a CTB, se apoiam em negociatas, cedendo às vontades dos empresários, ao invés de se apoiarem nas lutas que os trabalhadores têm travado, para resistir aos ataques. A Força Sindical e a UGT, que controlam sindicatos como o SIEMACO, apoiaram a reforma da previdência e se aliaram com a extrema-direita e direita contra os trabalhadores. Embora estejam a frente do sindicato que representa as trabalhadoras terceirizadas da limpeza e higienização não organizam a luta dessas trabalhadoras principalmente contra as demissões em massa que estão acontecendo em todo o estado de SP.

Essas burocracias fazem isso com todas as lutas, impedindo que os trabalhadores se unifiquem para derrotar todos os ataques.

Para os trabalhadores poderem vencer é fundamental a unidade entre toda a nossa classe. Sejam efetivos ou terceirizados, de todas as categorias.

3. Aliança entre estudantes e trabalhadores

“Trabalhador pode lutar, os estudantes estão aqui pra te apoiar!”

O apoio de estudantes que se juntam aos trabalhadores na luta por uma universidade que esteja a serviço dos trabalhadores, que significa também lutar por condições dignas de trabalho, contra as demissões e a precarização, é fundamental para fortalecer todas as lutas. Os trabalhadores efetivos da USP, como os do Hospital, que se levantaram para lutar pela vacinação da linha de frente e não recuaram até que se garantisse a vacinação também das trabalhadoras terceirizadas, são exemplos de solidariedade de classe e de união, atravessando as divisões impostas pelos patrões entre efetivos e terceirizados. Trabalhadores de outras unidades, que estão de quarentena, também se uniram a essa luta. O Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP, desde sua criação, se colocou ao lado das trabalhadoras terceirizadas, um importante exemplo que mostra que somos uma só classe e uma só luta.

Para que os trabalhadores possam sair vitoriosos, para que as mulheres possam se ver livres da opressão, para que negras e negros possam se verem livres do racismo que rouba as suas vidas, é preciso se organizar. São lutas que atravessam os limites de cada local de trabalho, precisam ser tomadas amplamente. Para isso, o primeiro passo é se organizar. O grupo de mulheres Pão e Rosas, junto com a Rede de Trabalhadores Precarizados , se colocam ao lado dos trabalhadores para levar essas lutas adiante, das mulheres, dos negros e negras, das LGBTs e dos trabalhadores precarizados. Junto à juventude Faísca, estamos ao lado dos trabalhadores para gritar que: Nossas vidas valem mais que os lucros dos patrões!

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