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Greve da Carris | Lições da greve da Carris: Uma batalha se perdeu, mas a guerra continua

A mais antiga empresa de transporte público do Brasil teve sua privatização aprovada no dia 8 de setembro de 2021 por míseros 23 vereadores. A mando de Sebastião Melo, de empresários do transporte e da interessada especulação imobiliária, a aprovação do projeto de privatização teve ajuda também da Zero Hora, do sindicato dos rodoviários e de uma situação nacional reacionária onde os patrões estão aproveitando a pandemia para passar a boiada e descarregar a crise econômica nas costas dos trabalhadores.

quinta-feira 16 de setembro | Edição do dia

O vendaval neoliberal, orquestrado pelo bolsonarismo a nível nacional e operado pela direita tradicional de Porto Alegre, encontrou uma forte resistência dos rodoviários que, apesar de terem saído derrotados nessa batalha, não perderam a guerra. Para enfrentarmos o próximo período é fundamental fazermos um balanço detido desse processo e tirarmos as melhores lições. Elencamos aqui algumas lições a serem extraídas dessa luta e que queremos compartilhar com todos os trabalhadores rodoviários e também ativistas da esquerda e dos movimentos sociais que acompanharam essa greve de perto.

Uma dura batalha que pode forjar uma nova geração de lutadores e lutadoras e apontou o caminho para vencer

Em nossas vidas há semanas iguais às anteriores. Há meses que passam e parece que nada muda. Mas há vezes em que os dias parecem meses e semanas parecem anos. Esse foi o caso da greve da Carris, onde amizades se forjaram na luta e no piquete, no megafone e nos grupos de whats novos ativistas tomaram a frente, novas personalidades arrebentaram nos cantos da madrugada, ideias adormecidos despertaram em consciências renovadas e uma nova geração despontou para a luta de classes. Do dia 23 de agosto ao dia 8 de setembro muita coisa aconteceu e lutas como essa marcam a vida de todos que a acompanharam de perto – dos grevistas em especial, mas também dos estudantes e ativistas que amanheceram e anoiteceram dias na Rua Albion, número 385.

Na base do corte de ponto e de ameaças, estão tentando destruir uma empresa que atravessou duas pandemias, duas guerras mundiais, duas ditaduras, alguns golpes de Estado, transportando milhões de pessoas, gerações e gerações de porto-alegrenses. No entanto não contavam com uma semente que se gestou nessa greve e que pode florescer em outros momentos para barrar os ataques – uma vanguarda ainda mais preparada para os próximos embates. Greves são assim, a luta de classes é assim. Ao cabo da greve, ficou o sentimento de orgulho merecido, de que a pior derrota é aquela que ocorre sem luta. E nesse sentido, essa cabeça erguida, o avanço de consciência de muitos trabalhadores e uma maior capacidade de organização da categoria são os frutos mais preciosos dessa árdua batalha.

Os rodoviários de Porto Alegre empreenderam uma enorme batalha contra Melo, a ATP, toda a direita da cidade, parte da especulação imobiliária, os grandes meios de comunicação, a Câmara dos Vereadores e a Justiça do Trabalho. Mesmo assim, se mantiveram de cabeça erguida. Enquanto o sindicato traía a greve e centrais sindicais, como a CUT, dirigida pelo PT, ajudaram a mantê-la isolada, do lado dos rodoviários tinham algumas organizações de esquerda (entre elas, nós do MRT e da Faísca e também o coletivo Alicerce) e o apoio passivo de boa parte da população.

Em meio à reacionária situação nacional, com o bolsonarismo, o Congresso Nacional, o STF e vários governadores aprovando reformas neoliberais em todo o país, uma disposição de luta como essa mostra como a classe trabalhadora possui reservas morais imprescindíveis para apontar um caminho de esperança, o caminho da luta de classes. Quando o sindicato já havia traído, a vanguarda elegeu um comando de greve para organizar a luta, importante exemplo de auto-organização e confiança em suas próprias forças.

As mulheres da Carris merecem todo um capítulo à parte, dado o destaque que tiveram durante a mobilização nos piquetes e na auto-organização do comando de greve. Isso não é um fato novo: em todas as mobilizações de rodoviários em Porto Alegre, as mulheres tomam a dianteira, mesmo que sejam minoria na categoria. Trabalhadoras, mães e avós contavam suas duras histórias de vida para convencer os colegas a cruzar os braços. Organizavam das questões mais básicas do piquete às ações decisivas da greve. Uma demonstração, em pequeno, de como as mulheres trabalhadores guardam um potencial revolucionário de mudar toda a sociedade, de tomar em suas mãos os seus próprios destinos contra os patrões e o patriarcado.

Em uma situação em que há um regime político que, desde o golpe de 2016, vem arregaçando com a vida da maioria da população, os rodoviários de Porto Alegre apontam um caminho diferente daqueles que desejam em 2022 apenas reorganizar esse mesmo regime, conservando os ataques dos últimos anos. Nós do MRT, que somos marxistas revolucionários, acreditamos que a auto-organização dos trabalhadores, aliado aos estudantes e à maioria da população, pode girar o jogo e fazer com que os capitalistas paguem pela crise que eles mesmos criaram. A luta da Carris foi um exemplo, em pequeno, disso. Acreditamos que havia potencial para ampliar a greve, unificar os rodoviários e empreender uma luta que se transformasse em uma grande causa popular da cidade para, de fato, derrotar o governo. Cabe a nós refletirmos agora as razões de por que isso não ocorreu.

A possível e necessária unidade da categoria, a transformação da greve em uma grande causa popular da cidade e a traição do sindicato

Em toda guerra é preciso avaliar, em primeiro lugar, qual a nossa força para resistir e batalhar. No caso dos rodoviários, a força em potencial é enorme, gigantesca, capaz de paralisar a cidade por duas semanas se necessário, como em 2014. Os rodoviários parados em defesa de seu emprego, em meio à grave situação de desemprego e inflação, representam mais a maioria da população do que os 23 vereadores, cheios de privilégios, que votaram por privatização e demissão em troca de cargos e sabe-se lá o que mais. Uma paralisação unificada de toda a categoria, com apoio de parte expressiva da população, poderia ter forte impacto na cidade, ganhando a população para o lado daqueles que estavam lutando contra o desemprego e a venda do patrimônio público. Entre o final de 2019 e o início de 2020, os rodoviários derrotaram Marchezan, mesmo com o governo tendo maioria na Câmara. Com a capital parada, toda a população olhando para a bárbara injustiça que os governos vêm fazendo, certamente a correlação de forças seria diferente.

Alguns poderiam dizer: “Mas parar toda a categoria era impossível, pois os das privadas não se importam com a Carris”. Não se trata, aqui, de uma questão de se importar ou não com a Carris, e sim identificar que existem interesses em comum. Motivos para os trabalhadores das privadas pararem e embarcarem numa greve contra Melo não faltam, a começar pelo nefasto projeto de extinção do cobrador, que foi aprovado. Motoristas e cobradores, em sua maioria, não apoiam essa medida. Milhares de pais e mães de família serão demitidos. Além disso, a situação nas empresas privadas está insuportável com uma patronal mandando e desmandando, aplicando plebiscitos fraudulentos para redução salarial, demitindo a rodo, dando ganchos e advertência, reduzindo tabelas, etc. Unificar a categoria é também batalhar para que os rodoviários da Carris ergam as bandeiras dos rodoviários das empresas privadas, e os das privadas, que sejam parte da luta contra a privatização.

Se perguntássemos para os usuários do transporte, certamente a maioria da população é contra a extinção do cargo de cobrador. O vídeo do passageiro que humilhou a RBS e Melo ao vivo pode ser visto como um termômetro de como há setores expressivos da população que apoiavam a greve. Ou seja, motivos para lutar e unir toda a categoria não faltam. Diante da primeira paralisação do dia 23 de agosto, que começou com ampla adesão na garagem da Carris, os empresários do transporte estavam morrendo de medo que a moda pegasse e as privadas também paralisassem. Os próprios rodoviários dessas empresas viram na Carris uma inspiração em meio a tantos ataques. O que faltou, então, para que as privadas entrassem na luta?

O problema principal não está nos trabalhadores, e sim na política de suas direções, a começar pelo sindicato. O sindicato dos rodoviários de Porto Alegre, ligado à UGT e à Força Sindical, traiu a luta da categoria desde o início. Foi uma sucessão de ações conscientes que levaram à derrota dos trabalhadores, a começar por não ter preparado a batalha contra Melo e os empresários. A diretoria do sindicato fez campanha para Melo e não moveu uma palha para organizar a categoria contra a extinção dos cobradores. Eles sabiam que ela viria, pois Melo já havia anunciado. Sabiam da privatização, pois Melo falou em campanha. Sabem das barbaridades que a patronal faz na garagem. Mas eles não prepararam nada.

E pior, quando os trabalhadores da Carris, por si só, paralisaram, eles tentaram desviar de todas as formas a luta, manter a divisão entre Carris e privadas e abrir espaço para que Melo pudesse triunfar. No dia 23 de agosto, quando a greve começou, o sindicato se reuniu com Melo e, junto das vereadoras do PCdoB, confiaram na historinha para boi dormir de que Melo é um “prefeito do diálogo”. Naquele dia, de forma antidemocrática, o presidente do sindicato “decretou” o fim da greve. Uma barbaridade! Quem decide a greve é quem a faz, ou seja, os trabalhadores – não um burocrata que não trabalha há anos e vive de rifar os direitos dos trabalhadores. Melo, naquele dia, prometeu que não iria votar a privatização da Carris nos próximos 10 dias, ou seja, a partir do dia 2 de setembro. O sindicato embarcou nessa narrativa e, convencendo inclusive parte da comissão de funcionários da Carris (PCdoB e PT), operou a principal manobra do início da greve, que garantiu o recuo da greve. Tudo o que o prefeito e os empresários desejavam. No discurso do sindicato, a privatização da Carris viria só a partir do dia 2, então até o dia 2 não seria preciso seguir a greve. Com esse recuo, Melo e a patronal aproveitaram para aprovar a extinção dos cobradores no dia 1 de setembro, quarta-feira, um dia antes do dia 2 – o golpe foi dado e orquestrado junto com o sindicato, com a comissão atrás.

Ao final do dia 23 de agosto, boa parte da vanguarda que aguardava o fim da reunião com o prefeito demonstrava importante disposição de seguir a greve ou, pelo menos, de seguir com medidas de mobilização concreta. Nesse momento, a maioria da comissão de funcionários, junto com o delegado sindical da Carris, do PSTU, defendeu recuar em base a confiar nas palavras de “diálogo” do prefeito. Na prática, seguiram a política traidora do sindicato. Quem também foi parte de convencer a suspender a greve naquele momento em que havia maior adesão foi o vereador do PSOL, Robaina, que denunciou as palavras falsas de Melo, mas, na prática, defendeu o recuo que havia começado com o sindicato. O “estado de greve” serviu para operar um recuo decisivo. Em que momento da história da classe operária algum “estado de greve” venceu uma batalha tão dura quanto essa? Numa guerra, além de conhecer as nossas forças, é preciso reconhecer as forças do inimigo, e nesse caso o inimigo estava unido para descarregar todos os ataques – daí a necessidade de empreender uma batalha tão dura.

No entanto, mesmo com a suspensão temporária da greve, os trabalhadores seguiram com forte disposição de luta. Na semana seguinte, ocorreram outras assembleias dentro da Carris em que pessoas de fora, como Robaina, foram impedidas de participar. Nessas assembleias foi aprovada a linha do sindicato, com o aval da comissão, de deflagrar uma greve apenas na quinta-feira, dia 2 de setembro. O sindicato ajuizou a greve e fez um acordo de parar apenas 35% da categoria, com ameaças de corte de ponto a quem aderisse. Aqui foi o segundo momento da traição, em que a comissão também seguiu a linha do sindicato. Com o campo aberto, sem greve na cidade, sem nenhuma política para unificar com os rodoviários das privadas e sem capacidade de enfrentamento na rua e na Câmara, Melo aprovou a nefasta extinção gradativa do cargo de cobrador. Os vereadores da oposição ficaram a ver navios nesse dia, pois confiaram em um acordo de gabinete com as lideranças na Câmara, como foi dito no plenário, de que não seria votado nada naquela quarta-feira referente aos rodoviários. Mas, novamente, não é possível confiar em acordos parlamentares com a direita. Comandante Nádia propôs inclusão de pauta e o projeto foi aprovado após horas de discussão.

A confiança em Melo, a confiança na justiça e a confiança no parlamento serviram para desmobilizar a categoria nos momentos mais decisivos da luta. E a aprovação da extinção dos cobradores antes da privatização da Carris foi medida pensada pelo governo para dividir a categoria e dificultar a necessária unidade para derrotar os ataques.

Alguém ainda poderia dizer que não havia nada a se fazer para convencer os rodoviários das privadas pois, se eles não se mobilizaram até aquele momento contra a extinção dos cobradores, não iriam mais se mobilizar. A questão aqui não é fazer um futurismo e dizer que sim ou sim os rodoviários das privadas iriam se mobilizar, mas sim apontar um caminho distinto a ter sido percorrido. Era possível criar uma coordenação com lideranças e trabalhadores de outras empresas, a partir de reuniões nas garagens e terminais, como chegou a ser tentado na Tinga. Mas em nenhum momento o sindicato, ou a comissão, teve uma política para se dirigir aos trabalhadores da Nortran, da Sudeste, da Presidente Vargas, da Trevo, da VTC e outras, convocando-os a erguer uma batalha unitária. Essa unidade era imprescindível para parar a cidade, ampliar o apoio popular e virar o jogo.

Apesar de toda a dura situação e a aprovação do fim do cobrador, a greve seguiu a partir do dia 2 e atravessou o fim de semana. Nós do MRT defendemos que o 7 de setembro em Porto Alegre se transformasse em um dia de luta contra Bolsonaro e também contra a privatização da Carris. As organizações a frente do ato do 7 de setembro, que iam do PT até o PCB, passando pelo PCdoB e PSOL, não levantaram as bandeiras da principal luta em curso nesse 7 de setembro, tampouco propuseram que o ato se concentrasse na frente da garagem como gesto simbólico de unir as lutas nacionais com essa batalha local.

A aprovação da privatização se deu no dia 8 de setembro, após os atos golpistas de Bolsonaro. A vanguarda grevista se manteve firme até o final da votação, com um ato emocionante em frente da Câmara Municipal. A suposta “casa do povo” estava de portas fechadas sob o argumento hipócrita de não promover aglomeração, o que sabemos ser uma grande mentira. A derrota veio pesada, mas o sentimento de orgulho e cabeça erguida foi o que primou, permitindo o acúmulo de uma reserva moral necessária para os próximos embates. Essa greve se transformou em uma verdadeira escola de guerra onde aprendemos que é necessário confiar apenas nas forças dos trabalhadores, não nas instituições desse Estado carcomido que atua em benefício dos mais ricos.

O isolamento da greve, do qual foram parte a CUT, o PT e outras organizações da esquerda

A bem dizer, a participação da CUT e do PT nessa greve foi nula, salvo os discursos parlamentares na Câmara. Discursos podem ajudar, mas não ampliam a força real e necessária para vencer. A CUT e o PT possuem uma capacidade importante de mobilização de distintos setores da sociedade, a começar pelos sindicatos que dirigem, como o CPERS e outros. No entanto quase nada fizeram para mostrar solidariedade ativa à luta. Com isso, ajudaram a manter a greve isolada do conjunto da população. Quanto o PT e a CUT poderia ajudar em fundo de greve para os trabalhadores poderem seguir em luta? Quantas ações os sindicatos dirigidos pelo PT e a CUT poderiam ter feito no sentido de mostrar apoio ativo de outras categorias? De fortalecer os piquetes? De parar ruas e avenidas da cidade? De usar a visibilidade que possuem para mostrar para a população a justa luta em curso? Mesmo o PCdoB, que esteve na garagem durante a greve, pouco fez no sentido de mover outros setores em apoio à luta da Carris e transformá-la em uma grande causa popular da cidade. Isso seria ampliar o arco de alianças que, numa guerra, pode ser decisivo para dobrar o inimigo.

O que falar então de organizações como o PCB, que nos nos atos de rua batem no peito palavras de ordem aparentemente radicais, mas apareceram apenas nos últimos dias e com quase nenhum peso? A atuação de outra organização stalinista, como a UP, foi absolutamente protocolar. Não são organizações com centro de gravidade na luta de classes.

Essas organizações, junto de setores do PSOL, dirigem o DCE da UFRGS, vários centros acadêmicos de diferentes universidades, mas não tiraram sequer uma medida de solidariedade ativa para fortalecer a greve. Na prática, essas organizações repetem a estratégia eleitoral do PT de desgastar os governos com o intuito exclusivo de disputar as eleições em 2022, não de fomentar a luta de classes para vencer. Essa é a linha política nacional do PT, que vem dando uma trégua traidora ao governo Bolsonaro, visando 2022 e defendendo um impeachment que apenas colocaria o reacionário general Mourão no lugar. É preciso romper essa trégua, com as centrais sindicais organizando um verdadeiro plano de lutas que, se apoiando em greves como a da Carris e outras nacionalmente, possa erguer a classe trabalhadora, se unificando com a luta dos indígenas, para fazer com que os capitalistas paguem pela crise.

Nós do MRT impulsionamos, à frente do Centro Acadêmico Dionísio, do Teatro da UFRGS, um comitê de apoio à greve da Carris. Fizemos um tímido, porém importante, fundo de greve para transformar o existente apoio passivo em apoio ativo, ao qual a comissão de funcionários aderiu e ficou responsável pelas doações por pix. Com isso, parlamentares do MES/PSOL, como Robaina, Luciana Genro e Melchionna, também doaram boas quantias para contribuir na luta. Essas são ações que, se fossem coordenadas com outros sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais, poderiam contribuir no sentido de transformar a greve em uma grande causa popular para derrotar Melo e os empresários do transporte.

Fazemos questão de mencionar a quantidade de ações que poderiam ser feitas pois nós acreditamos que o único caminho para vencer é o caminho da luta de classes, da auto-organização dos trabalhadores e da unidade de distintas categorias. Mas a traição do sindicato e a política das organizações à frente da comissão bloquearam esse caminho, abrindo espaço para confiar em Melo, na Justiça e no parlamento, o que ajudou a desmobilizar uma parte da categoria e manter a greve isolada. Essas são algumas das lições que elencamos para pensar os próximos passos, tendo em vista que a frase “perdemos uma batalha, mas não a guerra” não é uma frase bonita, mas realidade. Em primeiro lugar, Melo ainda não sancionou os projetos de lei. Em segundo lugar, mesmo com a aprovação dos PLs, a aplicação desses ataques nas garagens encontrará mais dificuldades na medida em que a categoria estiver unida e mobilizada. Ou seja, é possível barrar demissões, o desmembramento da Carris e outros ataques caso se desenvolva na categoria a organização dos trabalhadores para seguir e ampliar a mobilização.

Por um transporte 100% Carris sob controle dos trabalhadores e usuários

Por último, é fundamental transformar esse balanço em força motora dentro da categoria, bem como avançar em um programa que aponte uma resposta dos trabalhadores à crise do transporte em Porto Alegre. Queremos debater essas ideias entre os trabalhadores e estudantes para que elas possam ser força material consciente nos próximos embates. A guerra só está perdida quando desistirmos dela e a energia dos rodoviários ao fim da greve mostrava claramente que a desistência não é uma opção. Enquanto houver empresários à frente do transporte, ele servirá exclusivamente ao lucro, e não a satisfazer as necessidades da população. Daí a importância de dizer que, se os empresários e a prefeitura alegam prejuízo, então que larguem e sejam os trabalhadores e usuários que controlem um transporte 100% Carris, pois são os que melhor conhecem todas as necessidades das garagens, dos carros, das linhas e do serviço de conjunto. É preciso varrer a ATP de Porto Alegre para dar aos trabalhadores o que é dos trabalhadores.

Preparar uma vanguarda da categoria para os próximos embates envolve, também, fortalecer esse programa entre os trabalhadores a fim de apontar um caminho para tirar das mãos dos tubarões do transporte a força que move a cidade e, de fato, fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise que eles mesmos criaram, não os trabalhadores. Essas batalhas são parte de lutar por uma sociedade onde aqueles que produzem sejam também os que controlam tudo, uma sociedade socialista que supere o sistema capitalista e onde cada trabalhadora e cada trabalhador seja sujeito ativo de construir um mundo sem exploração ou opressão.




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