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#GaloLivre | Liberdade para Galo e o enfrentamento ao autoritarismo judiciário

A prisão arbitrária e autoritária de Galo, liderança dos entregadores em São Paulo, é uma aberração jurídica, com um viés abertamente político e se insere no avanço do autoritarismo judiciário no Brasil.

Diana AssunçãoSão Paulo | @dianaassuncaoED

sábado 7 de agosto | Edição do dia

Quando em 2016 a direita articulava um golpe institucional através do impeachment de Dilma Roussef, nós do Esquerda Diário apontamos dois elementos: vários setores da burguesia querem ataques mais duros do que os que o governo do PT já esta implementando e essa medida para retirar da presidência o PT estava direcionada a aumentar os ataques contra a classe trabalhadora e a juventude, inclusive no que diz respeito às liberdades democráticas.

O peso que o judiciário foi adquirindo desde então, seja com as instituições como o Supremo Tribunal Federal ou as operações tipo Lava Jato, chegou ao ponto de ter um poder de “árbitro” na política nacional. Cumpriu um papel decisivo para garantir o impeachment de Dilma Roussef, um papel decisivo na prisão arbitrária de Lula, que garantiu eleições manipuladas em 2018, e também depois, para deixar Lula preparado para conter maiores descontentamentos sociais, o reabilitou através da anulação das acusações vindas de Sérgio Moro.

Atuando ao seu bel prazer ministros, juízes e desembargadores, eleitos por ninguém e ganhando salários exorbitantes diante da situação de vida da classe trabalhadora que hoje no Brasil passa fome, se instalaram como uma casta judiciária no país. Agora, em meio ao governo Bolsonaro, cumprem esse papel de perseguir e prender um ativista como Galo, e também são protagonistas de tensões com o clã Bolsonaro para preservar todo o regime do golpe institucional. O debate sobre o papel do judiciário no regime brasileiro é uma grande discussão na própria esquerda.

Nosso alerta sempre foi no sentido de demonstrar que os mecanismos judiciários contra liberdades democráticas elementares se voltariam contra os trabalhadores e o povo pobre. Vimos isso acontecer várias vezes nos últimos anos e a prisão de Galo, neste momento, é mais um exemplo do incremento deste autoritarismo. Mesmo com Habeas Corpus expedido pelo STJ no dia 5, Galo não foi liberado porque a juíza Gabriela Bertoli não expediu sua soltura e o manteve preso e, no dia seguinte, a justiça de São Paulo decretou novamente sua prisão e de outros ativistas acusados de serem autores da ação simbólica contra a estátua de Borba Gato, símbolo escravagista de indígenas no país.

Assim, o judiciário e seus muitos tentáculos se sentem empoderados para tomar medidas arbitrárias como essa, utilizando todo mecanismo desse poder para criminalizar a esquerda e os lutadores. Para nós é uma questão de princípios colocar de pé a maior campanha possível pela libertação de Galo, ao passo que seguiremos fazendo nossa denúncia feroz a esse autoritarismo judiciário que arranca nossos direitos democráticos mais elementares mesmo em meio a essa democracia dos ricos.

Por isso, diante dessa arbitrariedade e escândalo jurídico é preciso ampliar e potencializar a campanha pela libertação de Galo, incluindo manifestações de rua, agitação, todo apoio democrático possível, internacionalizando essa campanha com toda a força. A começar pela CUT e CTB, mas também todos os parlamentares que se digam progressistas, é necessário uma ampla campanha contra esse absurdo. Nós do Esquerda Diário e do MRT colocaremos todas as nossas forças para esse objetivo lutando pela libertação imediata de Galo e a retirada de qualquer processo contra Galo, Géssica e outros ativistas.




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