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FORA BOLSONARO E MOURÃO | Letícia Parks: “Uma Constituinte para enfrentar a direita”

Em vídeo, Letícia explica por que nós revolucionários, que lutamos por de um governo da classe trabalhadora, diante da enorme crise no país, chamamos a através da mobilização e de uma greve geral que pare o país, derrubar Bolsonaro, Mourão e a impor uma constituinte livre e soberana para derrotar toda a direita.

sexta-feira 16 de julho | Edição do dia

As mobilizações que começaram no 29 de maio colocaram a questão de se é possível derrubar Bolsonaro e junto com ele Mourão. Nós acreditamos que é sim possível, mas para isso é preciso que entre em cena a classe trabalhadora, parando o país e colocando em cheque o lucro dos patrões. Por isso que lutamos para que os atos não só superem a política petista de pactos com a direita e o centrão, mas também chamamos a juventude, a classe trabalhadora e todos os movimentos e organizações de esquerda a lutar em cada local de estudo e trabalho para convocar assembleias democráticas, onde possamos decidir os rumos do movimento e organizar uma greve geral para derrubar Bolsonaro e Mourão.

Os exemplos da história e das mobilizações nos países vizinhos mostram que com a nossa mobilização podemos colocar em cheque os governos da direita e e avançar ainda mais mais. Quando dizemos que lutamos por um governo da classe trabalhadora, o primeiro exemplo da história em que ele se concretizou, numa experiência que durou poucas semanas, mas que marcou a história.

A classe trabalhadora de Paris, com a sua Comuna, estendeu a democracia como nenhuma republica burguesa jamais fez. Unificou o executivo e o legislativo em uma única assembleia de representantes, que não ganhavam mais que o salário médio de um trabalhador e podiam ser revogáveis a qualquer momento pelos que o elegeram. Tomou o controle das fábricas e da produção, organizou uma guarda própria para a defesa dos bairros populares. Inclusive inspirou Marx na sua elaboração sobre um novo tipo de estado, baseado na democracia direta, uma ferramenta para a classe trabalhadora e para as grandes maiorias construírem uma sociedade comunista, livre da opressão e da exploração.

Sabemos que estamos longe dessa perspectiva ainda no Brasil e que somente no próprio processo de mobilização é possível desenvolver, a partir de organismos de democracia direta como as assembleias de base, os embriões desse novo tipo de estado. Também sabemos que a grande maioria da classe trabalhadora ainda não compartilha dessa perspectiva. Para que o ódio a Bolsonaro não seja canalizado para uma via morta, impotente para derrubar a direita, propomos uma luta não simplesmente para tirar Bolsonaro e assumir Mourão, mas por uma democracia muito mais ampla, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, eleita, por exemplo, na proporção de um deputado para cada 100 mil eleitores, que assuma as funções do executivo, do legislativo e do judiciário, colocando em cima da mesa para serem discutidos por todo o povo os grandes problemas do país. O que propomos simplesmente é que se temos que defender nossos direitos e conquistas, se temos que defender a democracia dos ataques golpistas de Bolsonaro e dos militares, que nossa defesa não seja a da democracia degradada, tutelada pelo STF, ou a democracia neoliberal dos tucanos, onde os bancos podem tudo e o trabalhador nada.

Em alguns setores se discute o perigo de que uma nova constituinte seja uma ferramenta da direita para avançar ainda mais sobre os nosso direitos. Mas o que vemos hoje? Todos os direitos garantidos pela constituição de 1988 rasgados pisoteados desde o golpe institucional. A própria Constituição de 1988, já preservava enormemente os poderes dos militares. Se pela força da mobilização impuséssemos uma Constituinte, ela não seria dominada pela direita, Aí está o exemplo do Chile, que apesar das limitações da constituinte de lá, a direita ficou em minoria, por que a força da mobilização alterou o panorama político do país. Aqui não seria diferente e numa constituinte nesses moldes nossa discussão não seria limitada a quem vai governar o país no lugar do Bolsonaro, muito menos que seja Mourão, mas poderíamos debater a reestatização das empresas privatizadas, a anulação de todas as leis antipopulares do golpe institucional, a reforma agrária, a defesa do meio ambiente e das populações indígenas, a estatização da Petrobras para reduzir o preço do combustível, uma política de energia que nos livre dos aumentos de conta e da opção pelas termoelétricas ou grandes hidrelétricas.




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