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Afeganistão | Letícia Parks: "Talibã é uma força opressora fundamentalista após 20 anos de invasão imperialista"

Letícia Parks, militante do MRT e do Quilombo Vermelho - luta negra anticapitalista, se manifesta sobre a tomada do poder pelo Talibã no Afeganistão, após duas décadas de ocupação imperialista dos EUA.

segunda-feira 16 de agosto | Edição do dia

A guerra no Afeganistão chegou ao fim ontem, depois de 20 anos de ocupação imperialista, de centenas de milhares de afegãos mortos nessa guerra, debaixo das armas de milhares de soldados dos EUA, o Talibã voltou ao poder, uma força opressora fundamentalista de profundo caráter reacionário e burguês. Vídeos circulam nas redes mostrando centenas de pessoas correndo pela pista enquanto soldados estadunidenses disparavam tiros no ar.

A China se reuniu com o Taleban no ano passado e disse que reconheceria um possível governo talibã se eles tomassem o poder em Cabul. Em troca, o Taleban deveria se comprometer a não apoiar "organizações extremistas" que operam nas províncias ocidentais da China, especialmente Xinjiang. É vergonhoso que se chame de comunista a China que se alia aos burgueses fundamentalistas do Talibã.

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A catástrofe da intervenção imperialista dos Estados Unidos leva ao governo, o mesmo fanatismo islâmico burguês, reacionário e misógino, que havia se proposto remover em 2001 com George W. Bush. Ou seja, a luta contra o imperialismo não pode ser com base no apoio ao fundamentalismo. Toda solidariedade ao povo afegão e total confiança nos métodos da classe trabalhadora, porque só os trabalhadores é que podem dar uma saída contra a devastação imperialista, com independência de classe.

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Como disse André Barbieri:

"É indispensável lutar pela emancipação dos trabalhadores e dos povos oprimidos do Afeganistão e de todo o Oriente Médio, atravessados pelas intervenções imperialistas dos Estados Unidos e dos assassinatos de palestinos pelo Estado terrorista de Israel. Entretanto, a luta contra o imperialismo não passa pelo apoio ao fundamentalismo islâmico, que em toda a região – e não menos no Afeganistão – defende os interesses das burguesias árabes e seus acordos com as mesmas potências imperialistas (o Talibã busca agradar “gregos e troianos”, chineses e norte-americanos). Esses movimentos políticos reacionários se postulam contra os interesses mais sentidos das massas, e não à toa buscam alianças com autocracias e regimes bonapartistas como aqueles que governam a China, a Rússia e o Irã. A luta pela independência de classes e para que os trabalhadores emerjam com um programa hegemônico no Oriente Médio é a única saída contra as devastações imperialistas e os falsos amigos stalinistas".



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