Política

POLÍTICA NACIONAL

Letícia Parks: "Impeachment de Bolsonaro colocaria Mourão, temos que derrubar todo regime"

quinta-feira 18 de março| Edição do dia

“A pesquisa divulgada ontem pelo Datafolha mostra o enorme rechaço da população frente a condução negacionista do governo Bolsonaro com a pandemia. Nos colocamos ao lado de todos aqueles que se revoltam com o absurdo promovido por toda essa corja e nos solidarizamos com todas as famílias que viram seus parentes morrerem.

Só que também é necessário lembrar que quando se trata de descarregar a crise nas nossas costas, Bolsonaro não atua sozinho, mas sim em conjunto com todos os membros do regime. É bom não esquecermos que por mais que hajam discordâncias internas em assuntos específicos, os governadores, como João Dória, o STF, a Câmara e o Senado atuam em unidade com os militares, governo e Guedes para passarem medidas que afetam as condições de vida e trabalho da maioria da população.

A PEC Emergencial, aprovada no Congresso recentemente, por exemplo, congela o salário de servidores públicos, como professores e profissionais da saúde, até 2036!! Isso com a desculpa de em troca de manter um auxílio enxuto de até R$ 250 que atingiria bem menos pessoas do que o auxílio antigo. Em ataques como estes todo o regime do golpe institucional se única, mostrando aos interesses de quem estes servem

O impeachment de Bolsonaro, além de manter intacto toda herança econômica do golpe, colocaria na cadeira presidencial uma figura tão grotesca quanto o presidente atual. Mourão não somente minimizou o desmatamento e mostrou não dar o menor valor para a vida dos povos indígenas, como teve papel ativo na condução dessas políticas enquanto estava na presidência do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL).

Também não deixa Bolsonaro para trás quando o assunto é sensibilidade para as questões negras, se mostrou racista em diversos momentos, afirmando categoricamente que não existe racismo no Brasil, e na ocasião do assassinato brutal do músico Evaldo dos Santos por parte do exército, que morreu atingido por 80 tiros em seu carro, no qual estava junto a sua familia, o general declarou que “Só uma pessoa foi atingida, foram disparos péssimos”.

Além disso, tanto quanto Bolsonaro e outros generais do alto escalão, Mourão é um ferrenho defensor da ditadura e seu legado (importante lembrarmos disso, já que estamos às vésperas do aniversário do golpe de 64). E mesmo que também hajam divergências bastante específicas entre o militar reformado e o general da reserva, quando se trata da condução geral da pandemia, Mourão está de acordo com Bolsonaro.

Para de fato questionar não somente Bolsonaro, mas sim todo o regime do golpe, que é tão responsável quanto o governo pela catástrofe atual, é necessário que questionemos não somente os jogadores, mas também as regras do jogo, levantando a bandeira de uma Assembleia Constituinte que fosse livre e soberana. Uma ACLS poderia anular todas as reformas recentes e as privatizações, também poderia acabar com o pagamento da fraudulenta dívida pública, que destina uma fatia enorme de todo orçamento público diretamente para banqueiros, conseguiria, além disso, implementar um imposto sobre grandes fortunas."

Leia também: EDITORIAL: Brasil agoniza nas UTIs lotadas e pela fome: a resposta não é esperar 2022




Comentários

Comentar