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LGBTQIA+fobia | Let Parks: "Luana Barbosa, presente! Não esquecemos seu assassinato pela polícia de Alckmin há 6 anos!"

Reproduzimos aqui declaração de Letícia Parks, dirigente do MRT e militante do grupo internacional de mulheres socialistas Pão e Rosas, após 6 anos do assassinato de Luana Barbosa, mulher negra e lésbica, assassinada pela polícia militar do estado de São Paulo, na época comandada e governada pelo reacionário de direita Alckmin.

quinta-feira 14 de abril | Edição do dia

“Há 6 anos desse brutal assassinato, é preciso relembrar sobre essa mulher símbolo de luta das negras e lésbicas, morta por um policial inocentado pela justiça, no governo de Geraldo Alckmin em São Paulo - o mesmo da chapa Lula-Alckmin. Luana era moradora da cidade de Ribeirão Preto. Uma dessas mulheres negras que trabalham e criam o filho solteiras. Era também uma dessas mulheres que não usam roupas femininas, cabelos femininos.

Era lésbica, como muitas mulheres são, mas tinha a força e coragem de assumir isso publicamente, como muitas de nós não temos pela dura opressão que sofremos: o estupro corretivo, as ofensas nas ruas, enfim... a negação do nosso direito de nos expressar livremente. Luana se expressava, independente de quão duro isso pudesse ser.

No dia 13 de abril de 2016, Luana conheceu mais uma face da lesbofobia. Ela saiu de moto para levar o filho na escola quando foi abordada por policiais que, antes de qualquer chance para o respeito às leis que deveriam seguir, a agrediram até a morte. Com sinais de isquemia cerebral (vômitos, diarréia, espasmos), Luana não foi levada por esses policiais ao hospital, mas à delegacia.

Lá, como acontece com muitos que já passaram pela mão da polícia, foi obrigada a assinar um termo circunstanciado após mais espancamentos, assumindo a culpa por agredir um policial. Sem direito a clamar sua legítima defesa após a série de agressões, Luana foi liberada com um processo criminal aberto contra ela, e de lá foi levada diretamente ao hospital pela irmã. Em reportagem ao G1, a irmã Roseli afirmou que “Ela apanhou muito, estava brutalizada. Ela não conseguia abrir os olhos, toda machucada, com vermelhidão no corpo inteiro, ela não conseguia andar”.

Após poucas horas no hospital, Luana teve o óbito decretado por acidente vascular cerebral causado pelas agressões que sofreu. Os culpados pela morte de Luana são o Estado e a política assassina comandada pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A justiça de São Paulo negou a prisão preventiva dos três PMs envolvidos na abordagem ilícita e lesbofófica que levou à morte dela. Até então, a única punição aos policiais era serem direcionados a trabalhos administrativos dentro da polícia.

Apesar do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) ter afirmado que houve abuso da polícia na morte de Luana. Contra a acusação da família, as declarações das testemunhas, o laudo médico e o posicionamento surpreendentemente lúcido do Condepe, em 2017 a Justiça Militar do Estado de São Paulo arquivou a investigação contra os três policiais e afirmou que não há indícios de crime militar. Mais uma vez esse Estado racista e LGBTQIA+fóbico, que é responsável por essa morte e de milhares, garante a impunidade de assassinos.

Luana é símbolo da podridão desse sistema, onde mulheres, negros e LGBTQIA+s são tratados pela polícia como gado de corte, e onde aqueles que cometem crimes a favor do racismo, do machismo e da lesbofobia, servindo aos interesses do sistema,
são absolvidos e premiados.

Essa é mais uma vida que o neoliberal Alckmin tem suas mãos sujas de sangue. Assim como da chacina do Pinheirinho. Essa é a política na qual Lula e o PT abraçam em sua chapa para as eleições presidenciais, e na qual a esquerda se adapta. Inclusive, o próprio PSOL, que como não bastasse se adaptar a política de conciliação do PT, firma uma federação com o partido burguês liberal REDE anti-aborto, ecocapitalista, financiado pelo Itaú e Natura de Marina Silva.

É impossível levar a frente uma luta consequente contra o machismo, o racismo e a lgbtqia+fobia de mãos dadas com a direita que odeia os trabalhadores, as mulheres, a juventude e os mais oprimidos, e que está junto de Bolsonaro e Mourão descarregando cada ataque sobre nós. Como as feministas do PSOL, após 6 anos, vão gritar “Luana Barbosa, presente!” se estão diluídas na política com Alckmin, culpado de seu assassinato, e Marina Silva?

Não esquecemos, nem perdoamos o assassinato de Luana. E, sua vida segue em nossa luta na batalha por um programa político com independência de classe para por fim nesse sistema de miséria, na polícia, na direita, em Bolsonaro e Mourão e em todos os ataques.

Luana, presente! Hoje e sempre!”

Leia mais: Editorial MRT | 5 pontos para uma política de independência de classe diante da diluição do PSOL com Alckmin e Marina Silva




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