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COVID-19 RN

Leitos críticos do RN chegam a 67% de lotação e caminham para colapsar novamente

Nos três últimas dias morreram 10 pessoas por COVID-19 no RN, um número que há mais de um mês não era notificado. 4 desses foram em Natal. Já faz quase um mês que o Rio Grande do Norte está entre os estados com maior taxa de transmissibilidade da doença novamente, e só nesse período houve um aumento de 90% de ocupação de leitos

terça-feira 8 de dezembro de 2020| Edição do dia

Os leitos críticos para COVID-19 chegam a 67% de ocupação, segundo o regula RN, tendo alguns hospitais públicos e privados já colapsados, e com gente morrendo nas filas. Bairros da região Oeste, majoritariamente de trabalhadores, já tem 87% de ocupação de leitos críticos.

Uma mulher de 54 anos passou três dias esperando um de UTI, pois precisava fazer tratamento com hemodiálise devido a problemas renais. Apenas o hospital João Machado e o hospital Giselda Trigueiro teriam condições de recebe-la, mas nenhum possuía um leito disponível, levando a morte da paciente.

Há hospitais que já não possuem leitos críticos para a população faz mais de uma semana. Na rede privada, o Hospital do Coração, o Hospital Rio Grande, e o Hospital São Lucas já estão sob essas condições. Na rede pública o Hospital Maternidade Divino Amor, em Parnamirim, já não tem leitos há dias, e agora o Giselda Trigueiro está com mais de 90% de lotação dos leitos críticos, com 20 das 26 UTIs ocupadas nessa segunda-feira. O Hospital Regional Dr. Cleodon Carlos de Andrade, que atende pacientes de Pau dos Ferros e outros municípios do Alto Oeste, está com todos os seus 10 leitos de UTI ocupados.

Em Natal, a atitude da prefeitura de Álvaro Dias (PSDB) até agora se limitou a cancelar os eventos públicos de final de ano e de reforçar os intensivos policiais para fiscalizar a dispersar aglomerações. Se reuniu com os empresários da Fecomércio, sempre os primeiros que o prefeito escuta para lidar com os casos de COVID, prometeu manter suas atividades funcionando normalmente. A preocupação é não tornar os impactos da pandemia na economia maiores.

É parte da ala golpista do regime que saiu fortalecido nas eleições, que tenta se distanciar do negacionismo de Bolsonaro, mas seguiram a mesma cartilha empresarial negligente com a saúde, a vida e o sustento da maioria da população, em favor dos lucros capitalistas. Ao mesmo tempo, o prefeito vem promovendo uma série de reuniões com o ministro da saúde, General Pazuello, corresponsável junto a Bolsonaro pela morte de 177 mil pessoas, o vencimento de milhões de testes, o não uso de R$ 3,4 bilhões para o combate ao COVID, e por fazer de tudo para dificultar o acesso da população à vacina.

Álvaro Dias é da mesma ala demagógica do regime do golpe, como João Dória, também do PSDB, que busca novamente se colocar como responsável com a pandemia, se colocando como figura nacional que pode garantir a vacinação, prometendo 10 milhões de dose (que não chegam a 1/4 da população de São Paulo), pensando na sua candidatura em 2022 como o representante do "centro" político. Querem normalizar esse regime do golpe, temendo qualquer tipo de explosão social que viram pelo mundo (EUA, Chile, agora Perú, e muitos outros), e poder avançar rapidamente com ataques mais profundos do que os aprovados por Temer e Bolsonaro.

Por sua vez, a governadora Fátima (PT), anunciou que reabrirá alguns leitos que foram fechados com a diminuição de casos (ou seja, que não se tornaram permanentemente integrados ao SUS) e que voltará a tratar com os prefeitos sobre o seu Pacto Pela Vida. Assim como demais governadores do PT e PCdoB, a preocupação de Fátima é de colaborar com a estabilidade do país e desse regime golpista em meio a tragédia da pandemia e a crise econômica, se postulando como aliada de governadores como João Dória na disputa pela vacina e contra Bolsonaro, assim como estiveram na aprovação das reformas estaduais da previdência. Ao mesmo tempo que busca uma certa independência, pensando na estratégia do PT de eleger o seu representante desse regime em 2022, não deixa de colaborar com a atual estratégia oportunista de Dória.

Essa estabilidade, em nome do que é "melhor para o país", na verdade garante que os interesses dos empresários saiam intocados, como quando assinou junto com Dória e outros direitistas um pedido para proibir a união das filas do SUS, ou criou o RN Cresce+ para favorecer empresários como Flávio Rocha. Após negociações com o governo federal, chegou ao absurdo de dizer que Bolsonaro tem compromisso com a vida da população. A principal garantia de que o PT possa cumprir esse papel são as suas diretorias de sindicatos da CUT (assim como da CTB), verdadeiras burocracias que trancaram os sindicatos em meio a pandemia e uma série de ataques, em função da vontade do PT tentar voltar a governar o país em 2022.




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