Educação

CORONAVÍRUS NO RS

Leite apela a ministro bolsonarista Kassio Nunes para reabrir as escolas no RS

segunda-feira 12 de abril| Edição do dia

Nesta segunda (12), o governador Eduardo Leite participou de uma reunião com o ministro do STF, Kassio Nunes Marques, para apelar que o Supremo aceite seu pedido para derrubar as liminares que não permitem o retorno das aulas presenciais nas escolas. Leite está em uma corrida há semanas para reabrir as escolas da educação infantil e do 1° e 2° ano do ensino fundamental, querendo expor professores, alunos e trabalhadores da educação ao vírus no momento mais grave da pandemia com sistema de saúde colapsado e centenas de mortes por dia.

Leite postou em seu Twitter trechos da reunião onde faz apelos ao ministro do STF. O governador argumentou que a liberação para as escolas reabrir seria a mesma coisa que a liberação que Kassio Nunes havia feito para que ocorressem manifestações religiosas públicas, que havia sido solicitada por Bolsonaro e o ministro acatou. Leite, que tenta se mostrar como o “sensato” e oposição ao Bolsonaro, se apoia nessa mesma lógica negacionista para convencer o ministro (que foi indicado por Bolsonaro inclusive) a permitir o retorno das escolas, que se dará de uma forma totalmente insegura.

No último mês, enquanto a lotação dos leitos de UTI passava dos 110%, a base do governo na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou uma Lei que decreta educação infantil como serviço essencial, somente para justificar que as escolas devem ser abertas o quanto antes mesmo sem as condições sanitárias mínimas. Essa Lei foi aprovada com apoio dos deputados do PT e do PSOL, que votaram nesse projeto que não apenas abre caminho para Leite forçar a reabertura, como dá brechas para o Estado perseguir os educadores que fizeram paralisações.

O governador ainda diz que está tomando as medidas para garantir que professores sejam vacinados, mas sem ainda ter um plano concreto de vacinação, que ainda assim não irá garantir vacinas para os alunos e nem para seus pais que terão contato com seus filhos expostos. É totalmente inseguro e absurdo reabrir as escolas nesse momento e sem condições necessárias para evitar a contaminação. O Rio Grande do Sul passou pelo pior mês desde o início da pandemia. Chegando ao dado absurdo de o número de mortes ter ultrapassado o número de nascimentos no mês de março. Pessoas morrendo na fila de espera antes mesmo de ter o direito a um leito, e mesmo assim, Leite e prefeitos como Sebastião Melo em Porto Alegre flexibilizam com novos decretos a economia, depois de fechar o funcionamento de comércios e empresas sem proibir que os trabalhadores fossem demitidos pelos patrões ou mesmo garantir um auxílio de um salário mínimo para os trabalhadores conseguirem pôr comida na mesa, deixando eles sempre a viver entre o vírus e a fome.

O retorno das aulas presenciais não pode ser tomado por Leite e por muito menos pelo STF e o judiciário golpista que sempre dá aval para os ataques contra os trabalhadores. O retorno das escolas tem que ser decidido pela comunidade escolar junto com os trabalhadores da saúde com base nas condições sanitárias adequadas que precisa ter para retornar com segurança. Para isso é preciso ter testes massivos, um plano de quarentena racional com a utilização de hotéis e resorts para garantir isso e abertura de novas contratações na área da saúde para combater a pandemia. Também é preciso que ocorra a quebra de todas as patentes de pesquisa para poder garantir a vacinação de toda a população. Precisamos levar esse plano a frente para combater de forma efetiva a pandemia. Somente os trabalhadores organizados e mobilizados podem impor essas demandas e fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Leia também: É preciso enfrentar a barbárie sanitária no RS com a força da classe trabalhadora




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