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PRIVATIZAÇÃO

Leilão de venda da CEDAE acontecerá no final de abril. Não à privatização! A CEDAE é do povo!

A CEDAE é do povo. Não à privatização. Na pandemia mais do que nunca, precisamos de uma água pública e de qualidade.

quinta-feira 8 de abril| Edição do dia

Segundo declarações do secretário da Casa Civil do Estado, Nicola Miccione o leilão acontecerá no final do mês de abril sem risco de adiamento por motivos relacionados à pandemia. Existem mais de 10 empresas interessadas em lucrar com a água dos fluminenses, de capitais nacionais e internacionais e que devem participar no leilão já agendado.

O presidente da ALERJ, Ceciliano do PT, quer pautar um adiamento até que o governo Bolsonaro garanta que os outros ataques da Recuperação Fiscal estejam prometidos. Não podemos confiar que o judiciário ou o legislativo vá parar essa privatização.

Desde o golpe institucional, Temer e os diferentes governadores do Estado, junto à ampla maioria da ALERJ tem feito de tudo para entregar essa empresa que pertence aos cariocas. Não tem sido nada diferente com Castro, aliado de Bolsonaro. Paes fez críticas ao modelo adotado no acordo envolvendo governo federal e governo estadual, mas sua crítica não é sobre entregar essa riqueza e colocar todo carioca a pagar mais caro e por água pior, sua crítica é relativa ao valor que a prefeitura vai ganhar na negociata.

A ameaça da privatização da empresa não é novidade e os trabalhadores da CEDAE já vem lutando para defender a companhia em várias oportunidades nas últimas décadas. Não é por acaso que a empresa não abre concurso desde 2012, precarizando enormemente o serviço prestado e as condições de trabalho nos últimos anos, generalizando a terceirização para impor piores condições de trabalho e dividir a categoria.

A realidade é que a privatização da empresa não irá melhorar o serviço e pelo contrário será ainda mais precarizado, levando inclusive ao aumento das contas de água da população. Como era de se esperar a privatização é feita nos moldes dos empresários com a concessão dos serviços de distribuição e de coleta e tratamento de esgoto, os segmentos da empresa que dão lucro. E essa semana foi noticiado o desligamento da Estação de Tratamento de Guandu, para a instalação de uma bomba para enfrentar a contaminação da água por geosmina. Medida que poderia ter sido tomada logo em janeiro de 2020 quando foi detectada água contaminada pela primeira vez e não agora faltando menos de um mês para a realização do leilão para privatização da CEDAE.

Não foi por acaso, então, que em 2017 no marco de um acordo do regime de recuperação fiscal a CEDAE foi a moeda de troca para a obtenção de um empréstimo em troca das ações da CEDAE, um empréstimo de R$2,9 bilhões que ano passado foi reajustado para R$4,5 bilhões sendo que o lucro produzido pela própria CEDAE entre 2012 e 2016 chega aos R$4 bilhões. Basicamente R$1 bilhão por ano, valor que todo ano poderia ser destinado aos pagamentos dos servidores estaduais mas serve para a dívida. Com os recursos da água administrada pelos trabalhadores e com outras medidas como o não pagamento da dívida pública, ou o fim das isenções milionárias a empresas que atuam no estado poderia se garantir salários, investimentos em saúde, edução. Outra coisa escandalosa nessa privatização é o favorecimento de banco bilionário imperialista. O empréstimo foi realizado pelo BNP Paribas, também envolvido na ‘Operação Delaware’ que levou o RioPrevidência a falir, gerando uma dívida de R$18 bilhões com a União. O banco francês tem um histórico de envolvimento em casos de corrupção mundo afora, como já denunciamos nesse artigo em 2017

É claro o interesse de capitais imperialistas na privatização da CEDAE. Hoje no marco do novo leilão o BNP Paribas está vinculado ao grupo multinacional francês Lyonnaise des Eaux, empresa operadora de serviços de saneamento básico e que hoje está interessado no controle da CEDAE e na obtenção dos seus lucros. Ou seja o mesmo banco que participa do empréstimo, planeja a privatização vai participar na mesma.
Como já fizeram os trabalhadores da CEDAE na heroica e histórica greve de 2017, é preciso lutar contra a privatização da companhia que só busca multiplicar os lucros de empresários nacionais e estrangeiros. É preciso defender a água pública e de qualidade para a população do estado do Rio de Janeiro, ainda mais em meio a pandemia precisamos de serviços básicos de qualidade para salvar vidas, garantir saúde. Isso além da luta contra a privatização lutar por uma CEDAE 100% estatal, e que ela fosse administrada democraticamente por seus trabalhadores para garantir essa segurança, essa qualidade da água.

Nós do Esquerda Diário estivemos lado a lado dos trabalhadores da CEDAE em sua greve de 2017 buscando fortalecer sua luta com divulgação, ideias, e de corpo presente em cada fechamento de rua, em cada resistência à violência policial. Nos colocamos inteiramente ao lado da categoria novamente e queremos junto a ela ecoar o grito:

A CEDAE é do povo. Não à privatização. Na pandemia mais do que nunca, precisamos de uma água pública e de qualidade.




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