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Ditadura | Legista vira réu em processo por encobrir tortura da ditadura contra militante da VPR

O ex-médico legista José Manella Netto se tornou réu por fazer um laudo falso, para esconder torturas feitas por agentes da ditadura militar, em 1969.

quarta-feira 3 de novembro | Edição do dia

A carteira de trabalho de Carlos Roberto Zanirato. (Foto: Reprodução/CNV-SP)

Netto já tinha tido seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo, em 1994. Ele falsificou o laudo de necropsia do Carlos Roberto Zanirato, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), que foi assassinado em 1969, em São Paulo.

No laudo, Netto afirma que Zanirato cometeu suicídio, e esconde que ele possuía lesões decorrentes de tortura no corpo. Agora, ele se tornou réu por falsidade ideológica e ocultação de cadáver, em denúncia feita pelo procurador da República Andrey Borges Mendonça e aceita pela 5ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo.

Leia também: Contra a herança da ditadura e seus desfiles militares

Zanirato era soldado do 4º Regimento de Infantaria do Exército, de onde saiu para se juntar a Carlos Lamarca e fundar a VPR. Ele foi preso em junho de 1969, foi torturado por seis dias, e foi assassinado ao ser empurrado na frente de um ônibus, na Avenida Celso Garcia. O laudo da necropsia afirma que ele pulou na frente do veículo. Zanirato tinha apenas 19 anos quando foi morto.

Mesmo após a Comissão da Verdade, o estado brasileiro não processou nem puniu os torturadores da ditadura, como parte da manutenção de diversas heranças da ditadura que ainda existem no Brasil, como a Lei de Segurança Nacional e outros aparatos repressivos. Por isto, é muito importante que se avance na investigação dos crimes da ditadura empresarial-militar, e que se puna os militares e todos aqueles que os ajudaram e apoiaram no massacre contra os militantes de esquerda.




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