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extrema direita do Peru

Keiko Fujimori não aceita a derrota e pede anulação de 200 mil votos a nível nacional

Keiko Fujimori anunciou nesta quarta-feira que seu grupo político apresentou recursos de nulidade para 802 seções eleitorais em todo o país por supostas "irregularidades". Com esta manobra legal buscam anular 200 mil votos para obter a vitória nas cédulas.

sexta-feira 11 de junho| Edição do dia

As seções processadas pelo Escritório Nacional Eleitoral (ONPE) ultrapassam 99% dos votos e dão como vencedor das eleições Pedro Castillo. No entanto, esses resultados oficiais são ignorados e distorcidos pelos grandes meios de comunicação que se têm dedicado a transmitir e reproduzir notícias falsas para gerar ansiedade e embasar os argumentos do fujimorismo que vêm apontado, sem provas, que existe uma fraude contra o seu agrupamento político.

Diversas instituições internacionais, incluindo a OEA (cujo secretário-geral apoia as direitas regionais), reconheceram que o processo eleitoral de 6 de junho foi realizado com total transparência e que os resultados que deram a Pedro Castillo a vitória refletem a vontade dos eleitores.

No entanto, nesta quarta-feira, 9 de junho, Keiko Fujimori em uma entrevista coletiva que foi transmitida ao vivo por canais abertos, disse:

“A Força Popular está apresentando hoje ações de nulidade em 802 seções em todo o país, ações que estão sendo apresentadas ao Júri Eleitoral Nacional. Essas 802 seções eleitorais representam 200 mil votos. Quando essas ações forem aceitas, esses votos devem ser retirados da contagem final.”

E mais adiante acrescentou:

“Estamos fazendo um acompanhamento de todo o processo de observação, onde 1.200 seções estão sendo analisadas pelo JNE.”

Diante desse fato, alguns especialistas têm apontado que as causas levantadas por Fujimori hoje deveriam ter sido apresentadas no dia das eleições e, portanto, já estão fora do prazo sendo assim inadmissíveis conforme indica o Artigo Primeiro da Resolução nº 0086-2018-JNE. Além disso, apontam que a única razão para anular o resultado de uma mesa de votos é que haja "fraude, suborno, intimidação ou violência para inclinar a votação a favor de uma lista de candidatos ou de um determinado candidato" (literal b do artigo 363 da Lei Orgânica das Eleições). Isso não ocorreu e nem foi essa a argumentação dos advogados de Keiko, o que torna seu recurso inadmissível, visto que na época seus próprios representantes, conselheiros, observadores, etc. estiveram de acordo com o processo nas seções.

Essa manobra legal é uma medida desesperada do fujimorismo para ganhar a eleição. Com isso, Keiko pretende não só apoderar-se do poder político do país através de uma trapaça, mas também evitar que as investigações em cima dela e de outros membros de sua família e da Força Popular por contribuições ilegais da Odebrecht e de outras empresas para sua campanha eleitoral anterior avancem, evitando assim a possibilidade de voltar para a prisão.

E enquanto Keiko e seus advogados implementavam essa estratégia jurídica, setores ligados a grandes empresários e às elites mais conservadoras da capital realizaram uma mobilização na cidade de Lima na quarta-feira, 9 de junho, rechaçando a vitória de Castillo. Essa mobilização foi coberta pelos grandes meios de comunicação da TV aberta e serviu, mais uma vez, para que esses setores reacionários exibissem seu racismo e macarthismo, bem como seu desejo de deslegitimar os resultados do segundo turno.




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