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Racismo | Kayque, jogador do Botafogo sofre racismo policial em Blitz no Rio de Janeiro

Kayque, volante do Botafogo, foi mais uma vítima de racismo praticado por policiais. O caso ocorreu numa blitz na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo dia, o Presidente do Clube, Durcésio Mello, encontrou o racista Jair Bolsonaro em Brasília.

sexta-feira 13 de agosto | Edição do dia

No dia de ontem (11/08), Kayque, jogador do Botafogo de apenas 21 anos, foi mais uma vítima de racismo policial ao ser parado em uma blitz na Avenida Brasil na cidade do Rio de Janeiro. O jogador estava com um amigo que também foi vítima de racismo pelos policiais. No mesmo dia, o goleiro do Flamengo, Gabriel Batista sofreu ofensas racistas em partida no Paraguai contra o Olímpia, mostrando como os jogadores de futebol não estão “blindados“ dos preconceitos da sociedade, principalmente o racismo . O jogador Kayque denunciou o ocorrido através de seu Instagram:

Fui parado e tratado como bandido. O amigo que tá aqui comigo foi tratado como bandido também por morar na favela. Eles pensam o que? A gente é trabalhador, acorda cedo, vai atrás, não cai nada céu não. Estou vindo aqui porque vocês também tem que expor a indignação de vocês. Como acontece comigo o tempo todo deve acontecer com outras pessoas também - completou.

Apesar do Botafogo repudiar o ato dos policiais publicamente, praticamente ao mesmo tempo, o Presidente do clube, Durcésio Mello, junto a uma comitiva encontrou, sem máscaras, o Bolsonaro. Trata-se de uma clara tentativa de lobby buscando legislações favoráveis para Clubes-Empresas que circulam agora na Câmara, e se aprovadas ajudariam o Botafogo numa possível transição a este modelo. Durante a pandemia, a Diretoria do Botafogo fez campanhas contra o Racismo, mas parece ter se esquecido da prática, que é o critério da verdade: se encontram com o racista declarado do presidente enquanto um jogador do clube sofria racismo da polícia militar carioca, uma das bases mais inflamadas do Bolsonarismo.

Não é atoa que o caso de racismo sofrido por Kayque tenha sido cometido por policiais justamente no Rio de Janeiro governado por Cláudio Castro e tomado pelas milícias, onde Bolsonaro se apoia para inflamar uma base de extrema direita profundamente racista. Mesmo durante a pandemia, as operações ilegais dentro das favelas continuaram, das pessoas mortas por policiais, 86% eram negras. Kayque em sua denúncia disse que “Como acontece comigo o tempo todo deve acontecer com outras pessoas também”, essa é a realidade reacionária e racista do Rio de Janeiro, onde uma das polícias mais violentas do mundo não só para jogadores com questionamentos racistas em seus carros, mas também assassina moradores de favela quase diariamente.

A atitude do presidente Durcésio não condiz com a história do Botafogo: o time que no seu primeiro título, ainda em 1907, tinha um jogador negros no time titular (o que para época seria um afronte ao esporte de elite que era o futebol), o time que teve em seu elenco contemporaneamente Paulo Cezar Caju (mantendo o ‘black power’ em alusão ao Partido dos Panteras Negras com qual teve contato através de idas aos Estados Unidos como jogador), Afonsinho (além de ter se formado em medicina como estudante da UERJ, Afonsinho foi um dos primeiros a contestar os cartolas dos times brasileiros) e Nei Conceição que durante a Ditadura enfrentavam e desafiavam os militares na luta por liberdade, o time onde o técnico João Saldanha, que confrontou a Ditadura antes da Copa do Mundo de 1970, fez história e é até hoje querido pela torcida, o time da torcida que durante a ditadura fez um enterro simbólico ao Presidente do clube Charles Borer, um policial que “chegou de paraquedas” no Botafogo e era profundamente odiado pelo conjunto da torcida, e por fim, o time de Garrincha, que quando marido de Elza Soares, teve que junto a sua companheira, ir para o exílio ao ter sua casa fuzilada a mando dos militares. As gestões empresariais marcadas pela corrupção só levaram o Botafogo à crise econômica, que por outro lado, só se sustenta pela força da sua torcida, que mais uma vez deve se mobilizar. O encontro de Durcésio com saudosistas da Ditadura Militar nada tem a ver com a tradição e história subversiva de PC Caju, Garrincha, Afonsinho e tantos outros.


Afonsinho, Paulo Cezar Caju e Nei Conceição no muro de ídolos feito pela Torcida do Botafogo.

Além de demonstrar toda a solidariedade aos atletas Kayque e Gabriel, a torcida do Botafogo deve condenar fortemente o encontro de Durcésio e Bolsonaro, buscando organizar sua indignação para dar uma resposta à atual diretoria.




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