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"Kamala Harris alimentou o sistema de exploração contra os negros", diz Letícia Parks

segunda-feira 9 de novembro| Edição do dia

Em meio ao resultado das eleições norte americanas, que levou Joe Biden ao poder, sua vice, Kamala Harris, se tornou a primeira mulher e negra a ocupar esse posto na história dos Estados Unidos. Tal fato, ao mesmo tempo que escancara a marca racista presente na história do maior país imperialista do mundo, mostra que não é por meio das urnas que se chegará ao fim da opressão sistemática contra as mulheres e os negros nos EUA.

Letícia Parks, que faz parte da Bancada Revolucionária de Trabalhadores, candidatura a vereança em São Paulo, diz: "Kamala Harris foi eleita nessas eleições a primeira vice presidente e também negra na história desse país. Esse dado sozinho já mostra como o que se diz ser a maior democracia do mundo está longe de ser representativa, democrática ou livre. As eleições foram marcadas por um enorme autoritarismo, que impedia que ex presidiários e imigrantes pudessem votar. Fica clara a marca escravocrata de uma constituinte que dá mais poder de decisão pro agronegócio e pro latifúndio."

Em meio ao maior movimento de massas na história recente do país, exigindo justiça por George Floyd que entre outras pautas teve como consigna o desfinanciamento e o fim da polícia norte americana, além da expulsão dessa categoria dos sindicatos, Kamala Harris, ela própria ex- policial, defendeu que "nosso movimento não precisa ser contra a polícia". Em relação a isso Leticia pergunta: "Porque que pra chegar no poder as mulheres negras precisam estar dominadas pela ideologia capitalista? E responde: Porque o partido imperialista mais antigo do mundo se desespera porque nosso movimento pode derrotar a direita trumpista mas também o próprio imperialismo representado por Biden."

Contra a falsa representatividade que significa pras mulheres e homens negros ter Kamala Harris como vice presidenta, Letícia diz: "O que os capitalistas querem é convencer a gente, colocando alguns de nós lá em cima, que nossos problemas podem ser resolvidos dentro desse sistema capitalista. Mas estes não vão abrir mão de pagar salários menores pra gente, pois é com o racismo que eles lucram mais. E é por isso que eu não luto por mais representatividade, nem por negros no topo. Pois não são dois mundos, o topo e o chão, mas o mesmo mundo capitalista. A mulher negra que olhar lá de cima vai ver o chão sujo de sangue negro, feminino, LGBT e trabalhador."

No período em que foi Procuradora Geral da Califórnia, atuou sempre como "linha dura", apoiando o sistema industrial prisional e aterrorizando as comunidades negras. Além disso também foi contra que presos trans tivessem tratamento que respeitassem seu gênero. Ela manteve a pena de morte na Califórnia e foi contra a medida que obrigava policiais a usarem câmeras no corpo.

Letícia Parks também relembra o período em que Obama, o primeiro presidente negro da história dos EUA, esteve no poder: "No topo Obama comandou guerras imperialistas contra vários povos oprimidos, e foi sob o governo dele que Eric Garner foi assassinado e se originou o movimento Black Lives Matter."

"Por isso, precisamos nos organizar pra lutar contra a extrema direita que não está morta, e também todos os representantes do imperialismo, que são nossos inimigos independente da cor de sua pele. Porque da Kamala Harris, o gênero e a cor nos une, mas a classe nos separa dela com um rio de sangue e lágrimas." Arremata Letícia.




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