Justiça racista absolve Val Marchiori que comparou o cabelo de Ludmilla com bombril

Empresária comparou o cabelo da cantora a uma esponja de aço e o veredito da Justiça foi o de que tal comentário foi somente uma crítica que a funkeira estaria sujeita ao aceitar desfilar no carnaval, escancarando assim todo o seu conteúdo racista ao absolver pessoas da classe dominante que destilam seu veneno opressor

sábado 27 de março| Edição do dia

A empresária Val Marchiori venceu na Justiça uma ação movida pela cantora Ludmilla, que acusou a socialite de racismo após um comentário absurdo sobre seu cabelo feito durante o carnaval de 2016. Segundo consta no processo, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro entendeu que o comentário de Val, que comparou o cabelo da artista a uma esponja de aço, foi direcionado ao “aplique” ou “peruca” que Ludmilla estava usando no dia do desfile. Na decisão da Justiça, foi explicado que “apesar de seu caráter ácido”, a cantora é uma figura pública e, ao aceitar participar do desfile, transmitido no Brasil e no mundo, “está sujeita à elogios e opiniões contrárias à fantasia utilizada”. A conclusão foi que Val fez uso da sua “liberdade de expressão”. No Instagram, a empresária celebrou: “Justiça seja feita”.

Essa conclusão absurda somente escancara que a Justiça não é imparcial ou daltônica, como defende Bolsonaro. Ao contrário, o nosso judiciário vê a cor da pele, a posição social e é um dos principais pilares do racismo brasileiro, encarcerando a juventude preta e periférica, bem como absolvendo pessoas ricas e brancas que destilam todo o seu ódio opressor livremente.

Ludmilla, que havia sido humilhada pelo Estado brasileiro, fez um desabafo nas redes sociais lamentando a decisão: “Racismo não é liberdade de expressão. ‘Sofreu racismo? Fácil. Vai lá e denuncia’, ‘Lugar de racista é na cadeia’, ‘Vocês reclamam demais, é só ir para a Justiça’. Vocês percebem agora que não é fácil como parece? Essa não é a primeira, segunda ou terceira denúncia que eu faço. Eu também não sou a primeira a passar por isso e, infelizmente, não sou a única. Eu não me faço de vítima não. Eu sou! Está provado. Mas a estrutura desse país é tão racista, que eles têm a audácia de recorrer e ainda por cima comemorar vitória no Instagram. Mas quer saber? Eu não vou parar. E não é só por mim não! Uma hora as coisas vão ter que mudar e no que eu puder usar a minha visibilidade pra ajudar nessa mudança, eu juro pra vocês que eu vou”.




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