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TRANSFEMINICÍDIO | Justiça por Roberta! Mulher trans queimada viva, morre após 15 dias lutando por sua vida

Na manhã desta sexta-feira, 09 de julho, faleceu Roberta Silva, mulher trans de 33 anos que foi queimada viva em região central da cidade do Recife na madrugada do dia 24 de junho.

sexta-feira 9 de julho | Edição do dia

Foto: Cris Faga/NurPhoto/Getty Images

Roberta teve 40% do seu corpo queimado e vinha lutando por sua vida, mas infelizmente teve uma piora nos últimos dias e faleceu nesta manhã.

Nos solidarizamos profundamente com seus entes queridos e nos indignamos junto à comunidade LGBTQIA+ com este ato de transfobia que tirou a vida de Roberta. Não podemos tolerar violência e assassinatos de pessoas LGBTQIA+. Desde este terrível atentado contra a vida de Roberta, não paramos de contar novas vítimas de transfeminicídio no estado do Pernambuco. No dia 05 de julho, Crismilly Pérola, mais conhecida como Piu Piu no seu bairro, foi encontrada morta com um tiro no pescoço às margens do Rio Capibaribe; na quarta-feira, 08 de julho, Fabiana da Silva Lucas foi assassinada a facadas em Santa Cruz do Capibaribe, região agreste do estado. Ainda no mês de junho e pouco antes do atentado contra Roberta, Kalyndra Selva foi encontrada morta dentro de sua casa na zona Sul do Recife. O assassinato é o último degrau da escalada de violência contra mulheres trans e travestis; são inúmeros também os casos de denúncias de agressões pelas quais estas mulheres passam cotidianamente.

É preciso uma ampla mobilização em defesa das pessoas LGBTQIA+ que exija do estado um plano de emergência de combate aos assassinatos e violência às LGBTQIA+s, que garanta subsídios para vítimas de violência e pessoas trans em situação de prostituição, ensino sexual não hétero ou cis normativo nas escolas, cotas trabalhistas nas empresas estatais e privadas, saúde LGBTQIA+ acessível e de qualidade com a ampliação de postos especializados de atendimento para pessoas transgêneros, com acesso aos hormônios e cirurgias sem necessidade de laudos psicológicos ou psiquiátricos, com acompanhamento médico e psicológico. Um plano como este poderia ser concretizado com dinheiro que hoje é destinado para pagar a fraudulenta dívida pública, mecanismo que serve para que os governos continuem enchendo os bolsos de banqueiros.

As organizações que hoje representam a população LGBTQIA+ precisam protagonizar a batalha por ligar estas bandeiras ao enfrentamento contra Bolsonaro, Mourão e esse regime golpista que alimenta o ódio contra qualquer que seja que não se reconheça dentro de suas normas conservadoras. Por isso, nossa luta que cresce nas ruas contra esse governo reacionário não pode deixar Mourão impune, como setores da esquerda propõem com o Impeachment. Precisamos enfrentar o Bolsonarismo que odeia as pessoas LGBTQI+ com a nossa mobilização, junto aos sindicatos e o movimento estudantil. Por isso, inclusive, estamos batalhando para que sejam convocadas assembleias para organizar nossa luta, e não estas lives antidemocráticas onde nenhum setor de base pode se expressar, nas quais essas reivindicações em defesa das LGBTQIA+ devem ser parte também das bandeiras do conjunto do movimento.

No sentido de lutar para garantir nossos direitos e nossas vidas, que estejamos ombro a ombro com os trabalhadores para derrubar essa sociedade de exploração e opressão, em combate à crise que os capitalistas descarregam em nossas costas, nos colocando nos postos mais precarizados de emprego e rebaixando nosso nível de vida.

Desde o grupo de mulheres Pão e Rosas e do Esquerda Diário nos colocamos a serviço desta batalha. Basta de transfobia e transfeminicídios! Justiça por Roberta, Piu Piu, Fabiana, Kalyndra e todas as vítimas de transfeminicídio!




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