Declaração do grupo de mulheres Pão e Rosas

Justiça por Denise, a diarista assassinada pelo patrão! Basta de violência contra as mulheres

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

Os números de casos de violência doméstica e feminicídio em 2020, durante a pandemia, são espantosos, um recorde no aumento das vítimas. Em 2021 essa realidade segue gritante, num dos casos desse ano a combinação brutal entre exploração e opressão fez mais uma vítima. No dia 07 de Janeiro de 2021, a diarista Denise Alves Fernandes, de 54 anos, foi brutalmente agredida pelo seu patrão, quando ela tentou proteger a patroa das agressões do marido. Denise foi violentamente agredida e morreu no dia 14 de janeiro em Aparecida, Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

Denise foi contratada pela esposa desse agressor misógino que não teve o nome revelado ainda, para fazer uma faxina. Durante o trabalho, ela ouviu o homem batendo na esposa, foi até o cômodo e tentou intervir para proteger a patroa e parar as agressões. Segundo as notícias sobre o caso, o homem derrubou a diarista e começou a dar vários socos e chutes nela, principalmente na região da cabeça. Ela ficou gravemente ferida e veio a falecer. O agressor foi preso, e já tinha um longo histórico de violência com passagem por homicídio e denúncias de agressões contra a irmã e a mãe.

A atitude corajosa de uma diarista defender a patroa, contra a violência doméstica num ato que lhe custou a vida, mostra que o ímpeto de se levantar contra a opressão expressa a extensão da enorme luta das mulheres, mais forte ainda vindo de uma trabalhadora precária no país em que a primeira vítima de Covid foi uma empregada doméstica, uma demonstração forte do potencial de solidariedade das mulheres trabalhadoras. Um caso odioso de feminicídio que mostra a combinação brutal da exploração do trabalho precário e violência e da opressão de gênero que mata todos os dias milhares de mulheres no nosso país.

Mesmo vivendo num momento em que a luta das mulheres, o feminismo e questão de gênero tem sido um elemento político de impacto nacional, expressão de um fenômeno internacional de luta das mulheres contra a opressão, esse caso mostra que apesar dos governos nos anos de neoliberalismo terem incorporado pautas das mulheres em suas políticas públicas, a realidade das mulheres segue sendo de sofrimento, dor, violência, e desigualdade de direitos e que em momentos de crise econômica e de pandemia, os retrocessos para as mulheres trabalhadoras são ainda maiores e que o peso do patriarcado e da violência contra as mulheres segue fazendo vítimas brutais, como Denise, cujo agressor já possuía um largo histórico de violência contra mulheres.

O caso de Denise também expressa as condições precárias de trabalho das empregadas domésticas que são uma das maiores categorias de trabalhadores em nosso país, as quais tiveram que trabalhar em meio a pandemia, expondo suas vidas e de seus familiares para não perderem o emprego ou ficarem sem salários, e que são historicamente submetidas também além das condições precárias, baixos salários, à situações de humilhação e violência. Esse é o país em que em pleno 2020 ainda existem empregadas domésticas em situações análogas à escravidão. Ou do caso emblemático de Mirtes que teve que trabalhar na pandemia e ao não ter com quem deixar o filho levou para o trabalho e a patroa deixou seu filho cair por negligência do nono andar.

Esse caso reafirma a barbárie social misógina que sustenta o capitalismo, que impede o direito das mulheres sobre suas próprias vidas e seus corpos e as submete à violência. Essa situação se intensificou no governo de Bolsonaro, misógino e machista, que legitima a violência contra as mulheres e no regime do golpe que com todas as instituições golpistas, como o judiciário e os militares, solidificam as condições de violência do estado contra as mulheres e atacam os direitos das e dos trabalhadores. Por isso, para nós do Pão e Rosas a luta das mulheres contra a opressão, contra Bolsonaro e também deve se dirigir contra o regime do golpe que permite que siga acontecendo casos bárbaros como esse.

Esse caso brutal de violência e esse ato tão corajoso de Denise mostra a necessidade das mulheres se organizarem para lutar. Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas seguimos gritando que o patriarcado não irá cair, mas terá que ser derrubado, buscando organizar todas as mulheres trabalhadoras contra a brutalidade dessa sociedade patriarcal e capitalista que tira nossas vidas pelos motivos mais banais. Chamamos todas as organizações de mulheres, sindicatos, entidades estudantis e organizações de esquerda a uma grande campanha por justiça a Denise Alves Fernandes.




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