Educação

VOLTAS AS AULAS NA PANDEMIA

Justiça permite volta as aulas presenciais em AM deixando crianças expostas aos vírus

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) entrou com uma ação na justiça para suspender o retorno às aulas presencial. A Justiça do estado ignorou aqueles que vivem o chão da escola e negou o pedido.

sexta-feira 7 de agosto| Edição do dia

O governo do Amazonas definiu que a rede estadual de educação do estado deve retornar às aulas presenciais em uma primeira etapa na próxima segunda, 10, com os estudantes do Ensino Médio, e dia 24 retorna o Ensino Fundamental I e II. A rede privada já retornou no início de julho. Porém, os trabalhadores da educação defendem que não há ainda condições sanitárias para esse retorno no estado que entrou em colapso sanitário logo no início da pandemia, e por isso solicitaram a suspensão dessa decisão.

A Justiça do AM negou esse pedido, mostrando como não há disposição em ouvir os argumentos dos trabalhadores da educação, ou seja, daqueles que vivem o dia a dia da escola, convivem com os estudantes, conhecem suas escolas e toda a comunidade. Ao invés disso, ficou do lado do governo que passa longe do chão da escola e desconhece completamente a realidade vivida ali, ou seja, do lado dos interesses do mercado que vem motivando a reabertura do comércio e, portanto, necessita da reabertura das escolas para funcionarem como local de despejo de crianças enquanto os pais voltam ao trabalho.

Essa decisão da justiça do estado deu razão ao governo que diz que seguirá todas as normas de segurança sanitária, mas a realidade é que não há nenhuma preocupação com a saúde da população para esse retorno. Se houvesse todos os cuidados realmente necessários, estariam sendo realizados testes massivos em toda a população para assim organizar uma quarentena racional, isolando os positivos, aos invés de um retorno indiscriminado que colocará em risco professores, funcionários e estudantes.

Além desse risco, o retorno proposto será de forma híbrida, ou seja, as famílias que não se sentirem seguras para enviar suas crianças e adolescentes de volta às escola, poderá optar pela continuidade do ensino remoto, disponibilizado virtualmente. Na rede particular esse modelo já foi implementado há um mês, e na prática significou além do risco de contágio, trabalho em dobro dos professores, que precisam dar aulas presenciais e virtuais.

Mais uma vez a justiça não está do lado dos trabalhadores, e sim daqueles que normalizam as mortes. Somente quem pode decidir sobre as possibilidades de retorno presencial são aqueles que vivem o dia a dia escolar, ou seja, os professores, funcionários da escola - agentes escolares, merendeiras, faxineiras e todos que compõem o quadro da escola -, familiares e alunos, junto aos trabalhadores da saúde da comunidade escolar, que podem realmente atestar a segurança sanitária.

Não se pode confiar em uma justiça que aprova um retorno em defesa dos interesses mercadológicos, é preciso exigir que sejam realizados testes massivos em toda população, além da garantia de um auxílio de no mínimo R$2000 para todas as famílias e da extensão da quarentena de todos os responsáveis por crianças e adolescentes durante o tempo que for necessário manter as escolas fechadas.




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