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Escândalo | Justiça determina que PM condenado pela morte de Amarildo receba indenização de R$ 30 mil

O juiz Renato de Lima Machado determinou que o major Edson dos Santos, condenado pelo assassinato e desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, recebesse uma indenização de R$ 30,8 mil por ter trabalhado durante período em que esteve preso.

segunda-feira 22 de novembro | Edição do dia

O juiz Renato de Lima Machado, do 3° Juizado Especial Fazendário, autorizou que o major da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Edson dos Santos, condenado pela morte e desaparecimento do corpo do pedreiro Amarildo de Souza, recebesse uma indenização no valor de R$ 30,8 mil do estado. Essa indenização seria pela alegação do major de ter trabalhado na prisão durante 3 anos. Segundo o Juiz, a lei prevê a remuneração do preso por seu trabalho exercido na prisão.

Para se recordar do caso. Amarildo desapareceu no dia 14 de julho de 2013 após ser detido por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. Edson dos Santos era o comandante da unidade. De acordo com a investigação, o pedreiro foi levado para a UPP por suspeitas de envolvimento com o tráfico. Ele teria morrido após ter sido submetido a tortura pelos os policias durante 40 minutos, o que levou ao óbito.

Santos também foi considerado culpado da acusação de corrupção ativa de duas testemunhas da investigação. Ele teria pago, junto com outro PM, R$850 e R$ 500 para elas dizerem em depoimento na Delegacia de Homicídio que o pedreiro foi morto por um traficante.

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A morte de Amarildo, gerou enorme revolta da população contra a brutalidade policial que ocorre cotidianamente nos morros cariocas. O assassinato e desaparecimento do corpo ocorreu durante as jornadas de junho e julho de 2013, e o lema “Cadê o Amarildo?” se tornou frequente durante as massivas manifestações na cidade do Rio.

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Ainda é bastante bizarro o fato do major receber indenização por alega ter trabalhado e não ter sido remunerado. Já que a larga maioria dos presos que assumem algum serviço dentro da prisão, não são pagos, ou são mal pagos. A decisão da Justiça tem um caráter totalmente elitista. Garante direitos para comandantes da Polícia assassina, e pune com mais severidade os pobres, negros e trabalhadores. A Polícia e a Justiça, cumprem o mesmo papel de formas distintas: reprimir e oprimir os setores mais precários, enquanto protegem e garante os interesses da classe capitalista.

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