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Despejo em ocupação de BH | Justiça atende pedido de Localiza para despejar 18 pessoas sem-teto de ocupação em BH

A ocupação do casarão na região centro-sul de Belo Horizonte existe desde janeiro deste ano e abriga 18 pessoas incluindo crianças. Em meio à pandemia, com o aumento do desemprego, essas famílias não tiveram condição de pagar aluguel e buscaram um lugar para viver. A ação da Localiza, do bilionário Salim Mattar, condenará essas pessoas à situação de rua.

quinta-feira 19 de agosto | Edição do dia

O Tribunal de Justiça De Minas Gerais (TJMG) notificou, no dia 13 de agosto, o despejo de todos os moradores da ocupação Anyky Lima que, se localiza em um casarão abandonado na rua Santa Catarina, no bairro Lourdes.

O pedido de despejo das famílias foi feito pela empresa Localiza, do bilionário bolsonarista Salim Mattar. A decisão da justiça foi a favor da empresa para que todas as pessoas que vivem na ocupação deixem o imóvel até dia 24 de agosto.

A ocupação do casarão ocorre desde o início do ano e foi feita por pessoas que estavam em situação de rua em meio à pandemia e que por sobrevivência decidiram ocupar o imóvel que estava abandonado. Com a decisão do TJMG, sem ser propiciando nenhuma alternativa digna, essas pessoas voltarão à situação de rua.

Em entrevista ao jornal O Tempo, a moradora Poliana Pereira, de 35 anos, que está desempregada a 6 meses contou sua situação. Ela está na ocupação desde abril por não conseguir pagar R$500, com o fim do auxílio emergencial, de um aluguel na região noroeste de Belo Horizonte. Ela então, com sua filha de 3 anos, procurou abrigo na ocupação:

"Aqui cada um tem uma história e uma necessidade. O que temos em comum é que não temos outro lugar para morar”

Outro morador da ocupação, o Carnaúba, também deu um relato ao jornal O tempo:

"Para fugir da chuva e do frio pedimos para ficar aqui. Meu Deus, há muito tempo não sabia o que era dormir debaixo de um teto. Queria ficar aqui, mas agora o jeito será voltar para a rua”, disse Carnaúba ao jornal.

Os donos da Localiza, empresa que exige o despejo, são os irmãos José Salim Mattar e Eugênio Mattar. A empesa é a maior do ramo de aluguel de carros da América latina sendo o fundador, Salim Mattar, dono de uma fortuna de 5,5 bilhões de reais e ex-secretario de Bolsonaro. Essa empresa lucra com a exploração de milhares de trabalhadores e com a precarização do trabalho no Brasil.

Veja também: População em situação de rua em BH supera população total de 450 cidades mineiras

Na pandemia houve um grande aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte e na maioria das capitais do Brasil, fruto da crise capitalista que mantém a pobreza e o desemprego em níveis alarmantes. A ocupação de prédios e casarões abandonados é uma maneira da população conseguir se proteger das condições precárias que a crise impõe.

Veja aqui a nota pública de movimentos sociais de Belo Horizonte contra o despejo dos moradores da ocupação Anyky Lima.




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