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METRÔ | Justiça ataca metroviários e autoriza despejo da sede do sindicato com força policial

Decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo autoriza também “a ordem de arrombamento e força policial”, se juntando a Doria e à empresa no ataque ao direito de organização dos metroviários. É preciso fortalecer a mobilização dos metroviários em defesa da sede do sindicato e do pagamento dos direitos cortados nos salários pelo segundo mês.

sexta-feira 25 de junho | Edição do dia

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concedeu, nesta quinta (24), liminar de reintegração de posse da sede do Sindicato dos Metroviários, localizada na zona leste de São Paulo, a pedido da empresa e do governador João Doria. Completa ainda que autoriza a “ordem de arrombamento e força policial” contra os metroviários, caso o prédio não seja desocupado dentro do prazo estipulado. 

Esse é um enorme ataque ao direito de organização dos metroviários, uma categoria que não parou de trabalhar um dia sequer desde o início da pandemia. Não bastou para a empresa e para Doria serem responsáveis por mais de 1600 contaminados por Covid e dezenas de mortos na categoria. Pela segunda vez na pandemia, Doria tenta acabar com o acordo coletivo dos metroviários, avançando na retirada de direitos e aumento da precarização do trabalho, que está deixando de fora a maioria dos terceirizados da vacinação contra a Covid-19. 

E agora, volta com a ofensiva de acabar com os direitos da nossa categoria e também com o direito à organização sindical, com apoio da justiça, tentando tomar a sede histórica que foi construída há mais de 30 anos com os recursos dos próprios metroviários. 

Não é a primeira vez que a justiça favorece Doria e a empresa. Nessa campanha salarial, tem sido conivente com o calote que a empresa tem feito pelo segundo mês consecutivo, cortando os nossos benefícios previstos em acordo coletivo. Na campanha salarial do ano passado, o TST caçou a liminar que garantia a prorrogação de nosso acordo coletivo por mais 90 dias da data de seu vencimento, o que permitiu ao metrô nos dar o mesmo calote que está nos dando agora. Foi o mesmo TST que, em abril do ano passado, caçou também a liminar que obrigava o Metrô a conceder EPIs a todos os metroviários, efetivos e terceirizados, além de colocar em home office todos os trabalhadores do grupo de risco.

Veja também: 4 conclusões para fortalecer estrategicamente a luta dos metroviários 

E mesmo quando a justiça aparentemente favorece os trabalhadores é porque há algo maior em jogo que obriga a uma concessão. A decisão do TRT do último dia 2 de Junho, em que concedeu parcialmente as reivindicações dos metroviários, só foi possível após a forte greve que realizamos e que contou com enorme apoio da população. E agora, mesmo após essa conquista, o Metrô ainda pode recorrer ao TST e nós não podemos ficar reféns dessas instituições que não estão do nosso lado. 

Nós da Chapa 4 Nossa Classe viemos defendendo desde o início que a luta em defesa de nossos direitos precisa ser a mesma em defesa de nossa sede. Pois um ataque ao nosso direito de organização sindical busca nos enfraquecer para passar os demais ataques ao acordo coletivo.

Nesse momento é crucial intensificar a nossa mobilização, com setoriais nas áreas e assembleias democráticas que fortaleçam o uso de coletes, manifestações como a desta semana e todos os nossos métodos de resistência em defesa de nossos direitos e de nossa sede. E reabrir a discussão sobre um novo indicativo de greve, pois está se aproximando o dia 30, do pagamento, e o metrô está dizendo abertamente que vai continuar cortando todos os nossos direitos. Não podemos aceitar. Nem temos porque esperar o metrô recorrer, afinal agora já estamos sofrendo esse corte, e é o momento mais vantajoso para aproveitar que nossa luta vai aparecer exigindo nada mais do que o cumprimento de um decisão que está vigente.




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