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FLAMENGO | Judiciário racista absolve 3 denunciados por incêndio no Ninho do Urubu em 2019

A Justiça brasileira mais uma vez mostra que serve à burguesia ao inocentar toda a alta cúpula do Flamengo no julgamento do incêndio do Ninho do Urubu, que tirou a vida de 10 garotos da base do clube em fevereiro de 2019.

quarta-feira 26 de maio | Edição do dia

Foto: muro com arte grafitada/Divulgação

Enquanto os moradores de Jacarezinho recebem sentença de morte sem sequer serem julgados, a Justiça brasileira mais uma vez mostra que serve à burguesia ao inocentar toda a alta cúpula do Flamengo no julgamento do incêndio do Ninho do Urubu, que tirou a vida de 10 garotos da base do clube em fevereiro de 2019.

Após completar dois anos entre toda a investigação e análise dos autos do processo, passando por diversos laudos periciais, a Justiça do RJ, através do magistrado Marcos Augusto Ramos Peixoto, que se auto-intitula “anti-punitivista”, resolveu por rejeitar a denúncia contra o ex-diretor da base, Carlos Noval, e o engenheiro Luiz Felipe Pondé, além de absolver o monitor, Marcus Vinícius Medeiros, que respondia por incêndio culposo qualificado.

Entre os denunciados, está o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. Ficaram de fora toda a alta cúpula da atual gestão, que já estava responsável por gerir o clube na época do incêndio, que não foram denunciados. O juiz se limitou a lamentar o fato. Vale lembrar que o atual presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, já se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro em diversas ocasiões pedindo a volta do futebol e do público nos estádios em meio à pandemia.

Antes disso, a Justiça já havia suspendido as pensões pagas pelo Flamengo às famílias dos garotos. O clube terminou o ano de 2019 com um faturamento que girou entre 870 milhões e 1 bilhão, e mesmo assim contestou o valor de R$10 mil mensais concedidos anteriormente às famílias que perderam jovens de 14 e 15 anos.

É notório como a justiça brasileira serve aos interesses burgueses e do grande capital e é em decisões assim que isso é provado, afinal era sabido que o clube havia recebido diversas notificações e nunca cumpriu o que se era pedido, se limitando a pagar as multas, com valores irrisórios quando comparados ao faturamento do clube multicampeão e milionário, detentor de patrocínios que passam de R$100 milhões de faturamento. Um clube de tamanha grandeza dessa não pôde dar instalações minimamente seguras para os garotos, em sua maioria pobres e negros. Como sempre, uma reprodução do que o estado burguês faz com a população, as deixando à margem, ao léu.

A poucas semanas tivemos o ataque desumano da Polícia contra os moradores da comunidade de Jacarezinho, ação essa aplaudida pelo vice-presidente Mourão e constantemente mostrada na mídia como um ataque à uma zona violenta, mostrando total incapacidade do Estado em adotar políticas efetivas contra o tráfico de drogas. Para essas pessoas não houve uma justiça “anti-punitivista”. Os capitalistas, como sempre, nunca pagam o preço das suas ações. Sempre jogam os prejuízos causados para os trabalhadores. Seja em Jacarezinho, seja na tragédia do Ninho, continuamos a bater de frente com essa realidade.

As vítimas mortas no incêndio são:

Athila Paixão, de 14 anos;

Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos;

Bernardo Pisetta, 14 anos;

Christian Esmério, 15 anos;

Gedson Santos, 14 anos;

Jorge Eduardo Santos, 15 anos;

Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos;

Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos;

Samuel Thomas Rosa, 15 anos;

Vitor Isaías, 15 anos.

Presentes! Justiça pelos garotos. Veja aqui as fotos de cada um.




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